My Fair Lady – O musical

De Julie Andrews a Audrey Hepburn, My Fair Lady é um musical de sucesso há 50 anos.  Baseado na peça O Pigmaleão, de George Bernard Shaw; com texto e letras de Alan Jay Lerner, músicas de Frederick Loewe. A versão brasileira foi assinada por Claudio Botelho.

A peça estreou em São Paulo pela segunda vez em menos de dez anos em 27 de agosto de 2016, no Teatro Santander, em comemoração ao aniversário desse marco na história do Teatro Musical.

A peça

foto: João Caldas Filho/Divulgação
foto: João Caldas Filho/Divulgação

My Fair Lady conta a história de Eliza Doolitle, uma vendedora de flores muito simples e que fala errado, e Henry Higgins, um linguista especializado em fonética. Higgins entra em uma aposta com Coronel Pickering, também linguista,  onde aposta que consegue ensinar a moça a falar corretamente e  fazê-la se passar por uma princesa em um grande baile que está por vir.

O musical tem canções icônicas, como “Agora eu vou dançar” (no original, I could have danced all night) e a história mostra muito do crescimento da personagem Eliza Doolitle e do próprio Henry Higgins, que precisa superar a própria arrogância para enxergar além do status da língua falada corretamente.

 Técnica

 Uma das coisas mais interessantes é o jeito de falar “português-inglês” criado para a peça.  Pelo fato da língua inglesa ser praticamente um dos personagens principais da trama, na hora de passar isso para o português criou-se um jeito de pronunciar palavras e nomes que dá ao público a impressão de um inglês britânico à nossa língua.

Algo que eu considero o auge dessa montagem é, com certeza, a qualidade técnica. O coro que não desafina em momento algum e toda a “virtuoseenvolvida em My Fair Lady é tamanha eu diria, que não havia visto no Brasil um coro tão “cheio”, tão perfeito como nessa peça.

Daniele Nastri, a Eliza, rouba a cena completamente em seu primeiro papel em um musical. A cantora de ópera atua pela primeira vez em um musical e a personagem, originada por Julie Andrews, se encaixa como uma luva em sua voz e atuação.  Ao lado de Paulo Szot, o único ator brasileiro a receber o Tony Awards, ela não deixa nada a desejar.

foto: Mare Martin/Divulgação
foto: Mare Martin/Divulgação

O cenário, além de belíssimo, cria uma camada especial à peça; um jornal serve de cortina em momentos de transições, nele se vê notícias sobre as sufragistas em contraposição a dicas de  “como ser uma mulher direita” e notícias sobre a Primeira Guerra Mundial. Os artigos do jornal recebem foco de luz em momentos certos, como em um  momento de libertação da protagonista com relação ao  movimento de voto das mulheres, por exemplo.

Durante a cena da corrida de Ascot, o foco não é o cenário, mas os figurinos grandiosos em branco e preto onde nenhum se repete e a ilusão criada através da sonoplastia que faz com que a corrida se passe entre o palco e o público, uma corrida que só acontece no som, mas que todos conseguem visualizar.

Um ponto negativo seria, com certeza, a versão de Claudio Botelho – a mesma de 2007 – que deixa muito a desejar, descaracterizando algumas músicas como por exemplo, “Me acostumei com o rosto dela” (no original, I’ve Grown Accostumed to her Face), que apesar da tradução literal do título, recebeu um sentido completamente diferente do original.

Uma anti-Cinderela

foto: João Caldas Filho/Divulgação
foto: João Caldas Filho/Divulgação

Apesar de Eliza ser uma gata-borralheira literal, inclusive no começo, o mais interessante da peça é o quanto ela não se deixa ser subjugada e o fato de não ser nenhum pouco submissa a Henry Higgins. O segundo ato tem maior foco em sua transformação em uma “dama” e no impacto que isso tem, mostrando como o fato de ganhar bons modos não implica que sua personalidade deva mudar.

A peça, escrita em 1956 com o original de Bernard Shaw sendo de 1913, mantém alguns preceitos bem clássicos de como se faziam os musicais e até mesmo perpetua alguns estereótipos machistas em personagens como o pai de Eliza. No entanto, as personagens femininas são incríveis e tridimensionais, apesar de apenas Eliza ter um desenvolvimento completo. E o final, ambíguo, além de conversar com os temas levantados sorrateiramente na cortina-jornal, traz alguns questionamentos sobre o que acreditamos como sendo um “final feliz”.

                My Fair Lady é tudo que se espera de um musical que é considerado um dos mais queridos de todos os tempos, das coreografias ao jogo de luz e orquestra. A temporada paulistana, que acabaria em 6 de novembro, foi estendida até 11 de dezembro devido ao grande público que foi assisti-la.

Sai Paulo Szot, que tinha compromissos agendados anteriormente na Europa, e entra Freddy Silveira, já veterano dos palcos paulistanos, como Mr. Higgins.

As apresentações acontecem às quintas e sextas, às 21h, aos sábados, às 17h e 21h e aos domingos, às 16h e 20h. Todas as quartas-feiras até o fim da temporada, terão apresentação com ingresso popular, vendidos apenas na bilheteria do teatro. Não percam a oportunidade de ver ao vivo este espetáculo!

Serviço:

My Fair Lady

Local: Teatro Santander
Endereço: Complexo do Shopping JK – Av. Juscelino Kubitschek, 2041 – Itaim Bibi – SP
Horários: Quinta, às 21h / Sexta, às 21h / Sábado, às 17h e 21h / Domingo, às 16h e 20h
Ingressos:
Quintas
Frisas balcão: R$ 50,00
Balcão B: R$ 50,00
Balcão A: R$ 120,00
Frisas plateia superior: R$ 140,00
Plateia superior: R$ 180,00
Plateia VIP: R$ 240,00

Sextas, sábados e domingos
Frisas balcão: R$ 50,00
Balcão B: R$ 50,00
Balcão A: R$ 140,00
Frisas plateia superior: R$ 160,00
Plateia superior: R$ 200,00

Vendas:

Ingresso Rápido (www.ingressorapido.com.br), Entretix: www.entretix.com.br ou pelo telefone (11) 4003-1022
Bilheteria do teatro (horário de funcionamento – domingo a quinta: 12h às 20h ou até início do espetáculo / sexta e sábado: 12h às 22h)
Classificação Etária: livre (menores de 12 anos acompanhados dos pais ou responsáveis)
Duração: 2h30 em 2 atos, com 15 minutos de intervalo


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