Guia de brasileiras na ciência #1

Física é coisa de mulher. Astronomia é coisa de mulher. Medicina, engenharia e nanotecnologia são coisas de mulher. Esta é a primeira lista de uma série que estamos montando que apresenta cientistas que têm histórias incríveis para te contar, além de reforçar que a profissão dos sonhos não está relacionada de maneira nenhuma ao gênero.

Bertha Lutz

Guia de cientistas - Berta Lutz
Foto: Arquivo jornal O Globo

Lutz nasceu em São Paulo, e ainda adolescente foi à Europa terminar os estudos, onde graduou-se em Sciences (Ciências), pela Sourbone em Paris. De volta ao Brasil, com 24 anos, Bertha foi aprovada em um concurso público para trabalhar como Bióloga no Museu Nacional, no Rio de Janeiro. Lutz atuou no cargo durante quarenta anos e  foi internacionalmente reconhecida por sua contribuição na pesquisa zoológica, como a descoberta de espécies de anfíbios nacionais.

Além da sua contribuição para a zoologia nacional, Bertha foi líder ativista de movimentos em prol dos direitos das mulheres. A cientista presidiu a Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, fundada em 1922. Instituição que comandou o projeto de aprovação do sufrágio feminino no país, durante o primeiro mandato de Getúlio Vargas (1930-1945).

Bertha foi nomeada para integrar uma comissão de juristas responsáveis pela elaboração do novo Código Eleitoral brasileiro, devido a sua formação em Direito no ano de 1933. A posição de Lutz em relação a importância do sufrágio feminino foi decisiva para aprovação imediata do mesmo em 1932. Bertha Lutz faleceu no dia 16 de setembro de 1976, no Rio de Janeiro.

Mayana Zats

Guia de Cientistas - Mayana Zats
Foto: Cecília Bastos

 

A geneticista e bióloga molecular Mayana Zatz, hoje com 69 anos de idade, foi umas responsáveis pela aprovação do uso de células tronco embrionárias em pesquisas e tratamentos no Brasil. Formada em Ciências Biológicas pela Universidade de São Paulo (USP) em 1968, a cientista fez seu doutorado também na USP e pós doutorado na área de Genética Humana e Médica na Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA).

Depois de formada, Mayana iniciou um trabalho de aconselhamento genético atendendo famílias e esclarecendo dúvidas a respeito de distrofias musculares progressivas. Em 1981, a geneticista funda a Associação Brasileira de Distrofia Muscular, conjunto de doenças hereditárias que causam morte das células musculares devido a degeneração da membrana que as envolve. É umas das poucas mulheres membros titulares da Academia Brasileira de Ciências. Recebeu muitos prêmios internacionais dentre eles o prêmio LÓreal/Unesco para mulheres na ciência  em 2001.

Junto das geneticistas Eloísa de Sá Moreira e Maria Rita Passos Bueno, Mayana Zats participou do mapeamento da síndrome de Knobloch, doença rara causada pela má formação de um gene que pode levar à cegueira. Interessada pela divulgação científica e por aspectos éticos do estudo do genoma humano, Zats publicou dezenas de artigos para público não cientista e escreveu o livro GenÉtica: escolhas que nossos avós não faziam. Em 2005, participou de forma decisiva na aprovação de pesquisas com células-tronco embrionárias pelos parlamentares posição que se repetiu  em 2008 no Supremo Tribunal Federal.

Rosaly Lopes

Guia de Cientistas - Rosaly Lopes
Foto: Acervo Pessoal

A carioca Rosaly Lopes-Gautier hoje com 59 anos de idade, é egressa do ensino público do Rio de Janeiro e aos 18 anos graduou-se em astronomia na cidade de Londres. Em seus estudos dedicou-se intensamente à geologia planetária e ao estudo de vulcões.

No ano de 1985 a cientista assumiu a chefia da seção de Astronomia do Observatório de Greenwich, na Inglaterra, mas quatro anos depois deixou o país para seguir com o estudo de Vulcões e integrar a equipe italiana que estuda o vulcão Vesúvio.

Durante esse mesmo ano, 1898, Rosaly inscreveu-se para participar do programa de recrutamento do Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa, na Califórnia. Após aceita a astrônoma participou do Projeto Galileo Flight, que conta com uma nave não tripulada para realizar a cartografia das luas de Júpiter, também conhecidas como luas de Galileu. No ano de 2007, uma base de lançamento de foguetes experimentais no estado de Pernambuco ganhou o nome da pesquisadora como forma de homenagem. Também participa do desenvolvimento de pesquisas no Brasil com a parceria do Ciências sem Fronteiras e Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Diúlia de Mello

Guia de Cientistas - Diúlia de Mello
Foto: Acervo Pessoal

Diúlia de Mello é astrofísica, tem 53 anos, nasceu no interior de São Paulo e cresceu no estado do Rio de Janeiro. A cientista formou-se em astronomia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, é mestre em Radioastronomia e doutora em Astrofísica pela Universidade de São Paulo.

Diúlia participou da pesquisa que descobriu a existência de estrelas que se formam fora das galáxias, conhecidas como “bolhas azuis”, a pesquisadora também é responsável pela descoberta da supernova 1997D. A astrofísica trabalhou no Space Telescope Science Institute, nos Estados Unidos, e lecionou na Suécia no Observatório de Onsala, hoje a pesquisadora trabalha como associada na NASA e leciona na Universidade Católica da América, Estados Unidos.

Engajada em projetos de divulgação científica a pesquisadora lançou livros como As aventuras de Pedro, uma Pedra Espacial direcionado ao público infantil com edições em português e inglês e Vivendo com as estrelas, a respeito da sua trajetória como estudiosa das galáxias. Além dos livros, Diúlia é fundadora da ONG Associação Mulher das Estrelas que busca mostrar a importância da presença feminina em carreiras científicas.

 

Suzana Herculano-Houzel

Guia de cientistas - Suzana Herculano
Foto: Acervo Pessoal

A carioca Suzana Herculano-Houzel de 44 anos é formada em Biologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e durante seu doutorado, realizado na Universidade de Paris VI e pós-doutorado, feito no Instituto Marx Plank na Alemanha, direcionou suas pesquisas ao estudo de neurociências.

A neurocientista leciona na UFRJ desde 2002 e lidera projetos de pesquisa no laboratório da universidade. Extremamente ligada à área de divulgação científica, Suzana publicou livros como O cérebro nosso de cada dia no anos de 2002 e Fique de bem com seu cérebro no ano de 2007, com objetivo de traduzir mistérios da neurociência e torná-los acessíveis ao público.

Reconhecida internacionalmente, no ano de 2015 a cientista publicou um artigo na revista Science a respeito do mecanismo de formação do córtex cerebral, no estudo feito em parceria com o físico Bruno Mota a cientista explica a formação das dobras que compõem o córtex.

Suzana hoje é colunista do jornal Folha de São Paulo e recentemente deixou o Brasil para dedicar-se à pesquisas nos Estados Unidos por conta de dificuldades financeiras relacionadas a manutenção de projetos de pesquisa no Brasil.

Helena Nader

Guia de cientistas - Helena Nader
Foto: Reprodução site Unifesp

 

Helena Nader é bacharel, mestre, doutora e pós-doutora em Biologia, especializada em bioquímica com ênfase em biologia molecular. Hoje ela preside a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SPBC) pela terceira vez.

Nader concluiu o ensino médio nos Estados Unidos e formou-se bacharel em Ciências Biológicas no ano de 1970 pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). “Voltei ao Brasil e entrei nessa instituição, onde fui contaminada irreversivelmente pelo vírus da pesquisa e da ciência. Não há vacina, nem medicação” afirma a pesquisadora em uma entrevista concedida ao site da Unifesp.

Filiada a SBPC em 1969 a cientista participou ativamente da resistência contra o regime ditatorial. A aproximação entre ciência e sociedade foi uma pauta que sempre esteve presente na vida da cientista que é professora titular da Unifesp desde 1989 além de ser membro titular da Academia Brasileira de Ciência desde 1999. Luta constantemente contra a diminuição da verba destinadas a ciência e educação.

Viviane Barbosa

Guia de cientistas - Viviane Barbosa
Foto: Reprodução Site Fapesp

A baiana Viviane dos Santos Barbosa é engenheira química formada pela Universidade Técnica de Delft, na Holanda. Da escola primária ao Ensino Médio Viviane foi aluna de colégios públicos da capital baiana, chegou inclusive a cursar dois anos do curso de Química Industrial na Universidade Federal da Bahia.

A mudança para a Holanda foi a responsável pela interrupção do curso, casada com um holandês a cientista viu na mudança uma oportunidade, matriculou-se em um curso da língua nativa do país e foi aprovada em primeiro lugar para uma vaga na Universidade de Delft. Local no qual desenvolveu uma pesquisa destinada a criar catalisadores que reduzem a produção de gases poluentes. O projeto foi premiado no ano de 2010 durante uma conferência científica internacional realizada na cidade de Helsinki, na Finlândia.    


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