Dia Internacional de Luta Contra a AIDS

No dia primeiro de dezembro se comemora o Dia Internacional da Luta Contra AIDS (Acquired Immune Deficiency Syndrome, em inglês e Síndrome da Imunodeficiência Adquirida em português). AIDS é o nome dado a síndrome causada a partir da infecção do vírus HIV (Human Immunodeficiency Virus em inglês e Vírus da Imunodeficiência Humana, em português).

O 1º de Dezembro é a data utilizada para refletir acerca do tema, conscientizar a população sobre aspectos como: a transmissão do vírus, quais os locais indicados para procurar tratamento após a exposição ao HIV, quais são os medicamentos disponíveis, entre outros.

A AIDS já é velha conhecida das campanhas de conscientização desde a década de 1980, quando o vírus HIV se popularizou e começou a se alastrar de maneira epidêmica ao redor do globo. Hoje, passados mais de trinta anos após os grandes surtos e epidemias por que ainda é necessário se discutir a respeito do tema? A AIDS se tornou mais que somente uma enfermidade ao longo dos anos. Antes dos avanços científicos e da descoberta de medicamentos mais eficazes, portar o HIV tornou-se motivo de discriminação, além de ser um agravante nas taxas de mortalidade de diversos países. Por isso, debates acerca do tema ainda se mostram necessários.

O MinasNerds separou alguns dados importantes a respeito da enfermidade para você se informar neste 1º de dezembro.  

aids infográfico - minasnerds
Fonte: Ministério da Saúde

 

 

 

No Brasil, por onde anda o vírus em 2016?

Um levantamento feito pelo Ministério da Saúde intitulado Boletim HIV-AIDS, traz notícias tanto boas quanto ruins. O estudo indicou que 91% dos adultos portadores do vírus HIV que estão em tratamento há pelo menos seis meses, hoje no Brasil, apresentam carga indetectável de vírus na corrente sanguínea. A carga indetectável do vírus significa que o indivíduo portador já não é mais transmissor do HIV.

O estudo também indicou que o número de pessoas que estão se medicando gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) aumentou 97% no último ano, o que significa que mais pessoas afetadas pelo vírus HIV estão buscando tratamento e sendo efetivamente atendidas na rede pública de saúde.

Atualmente, o governo brasileiro oferece auxílio gratuito à portadores de HIV nos Serviços de Assistência Especializada (SAE) e Centros de Testagem e Aconselhamento localizados em hospitais  e postos de saúde.

Você pode encontrar a lista completa de locais no site do Ministério da Saúde. A distribuição gratuita de medicamentos pela rede pública de saúde começou a vigorar no ano de 1996, hoje, o SUS conta com 22 medicamentos diferentes para atender a população soropositiva.

A distribuição dos casos de HIV no país mostra uma clara concentração nas regiões Sudeste e Sul, com 53% e 20% do total de infectados, respectivamente. Seguidas pela região Nordeste que concentra 14,6% do do número de pessoas, a região Centro-Oeste segue com 5,9 % e Norte com 5,7%. O estudo indica que as mulheres representam 35% do total da população soropositiva. Entre os anos 2000 e 2015, os dados do Boletim apontam que 71,3% das mulheres portadoras de HIV são gestantes.

O mesmo estudo também apontou uma estabilização na taxa de detecção de novos casos de HIV nos últimos dez anos, que se manteve na média de 20,5 casos para cada 100 mil habitantes. Apesar da estabilidade apresentada na detecção de novos casos a média absoluta de portadores de HIV dos últimos cinco anos é de 40,6 mil pessoas.

Um aspecto preocupante detectado pelo Ministério da Saúde, é o fato de que os novos portadores do vírus são em sua maioria jovens entre 15 e 24 anos de idade.

Esse segmento representa mais da metade dos casos de HIV detectados nos últimos três anos. O Boletim HIV-AIDS indica que a taxa de detecção de HIV entre jovens é de 13,4 casos por 100 mil habitantes, o número é referente ao ano de 2014 e apresentou crescimento de 41% se comparada à taxa anterior, 9,5 casos para cada 100 mil habitantes.

A detecção

A detecção do vírus no organismo é feita a partir de um exame de sangue que pode ser feito tanto em clínicas particulares ou na rede pública de saúde.

Mais recentemente, uma medida de detecção do HIV que pode ser feita em casa de maneira a preservar a identidade do indivíduo, é o autoteste.

O método já era utilizado em países como os Estados Unidos e sua venda no Brasil foi liberada no final de 2015, mas só começou a aparecer efetivamente nas farmácias meados deste ano. O autoteste apresenta seu resultado em 20 minutos, e identifica a presença do vírus a partir de material coletado na parte interna bochecha.  

Os medicamentos

O gráfico acima cita que os medicamentos utilizados no combate a AIDS não matam o vírus, mas apenas combatem sua multiplicação. Isso se dá porque mapear o vírus HIV é um dos principais desafios da medicina contemporânea.

O HIV age de maneira silenciosa atacando as principais células do sistema imunológico que são responsáveis pela defesa do organismo.  Desta forma, o quanto antes o paciente for diagnosticado como soropositivo, mais eficazes são os tratamentos. Os primeiros coquetéis antirretrovirais surgiram na década de 1980, com o objetivo de impedir o enfraquecimento do sistema imunológico.

Existem diversos tipos de medicamentos usados no tratamento da AIDS e eles atuam de maneiras distintas no meio celular para impedir que o vírus se multiplique. Por exemplo, existem medicamentos inibidores de fusão, que impedem que o vírus penetre na célula saudável do organismo e impedem sua reprodução. Isso acontece pois, para que possam se reproduzir os vírus precisam estar em meio celular e mesclar o conteúdo genético viral ao DNA do infectado, caso contrário morrem em um tempo determinado.

Recentemente, uma pesquisa do National Institutes of Health, Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos, identificou a existência de um anticorpo capaz de neutralizar até 98% da quantidade de HIV existente em um organismo. A pesquisa se encontra em fase experimental mas é uma grande descoberta para a área.

A profilaxia pós-exposição (PEP)

A profilaxia pós-exposição é uma medida que visa diminuir a proliferação do vírus HIV. Após a exposição a situações de risco, como sexo desprotegido por exemplo, a pessoa pode procurar atendimento médico em uma das unidades de saúde credenciadas e sua situação será avaliada por um médico. O paciente receberá durante 28 dias coquetéis utilizados para o tratamento da AIDS como forma de impedir que o vírus se aloje no organismo.

Nos primeiros meses após o contágio o paciente passa por um período chamado janela imunológica, em que mesmo que o vírus esteja presente no organismo, os testes de detecção podem ter resultado negativo. Isso ocorre porque o organismo não teve tempo para produzir anticorpos suficientes para a detecção. Como os testes identificam anticorpos contra o vírus e não o vírus em si, mesmo que nos primeiros meses o teste seja negativo é muito importante manter-se no tratamento.

O auxílio médico deve ser contatado o quanto antes em casos de exposição ao vírus, a recomendação do site do governo federal a respeito da medida é que o atendimento ocorra em até duas horas após o contato para o aumento de sua eficácia. Porém, a medicação pode ser aplicada em até 72 horas após a exposição ao vírus. Os medicamentos a serem aplicados variam de acordo com a determinação médica.

A PEP vem sendo usada com frequência em casos de violência sexual e também em acidentes de trabalho com objetos cortantes contaminados, que ocorrem com profissionais da área da saúde por exemplo.

 

Revisão de texto e conteúdo: Helen Miranda

Revisão de texto: Isabelle Tancioni


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