Civilization VI: desafiando impérios

A franquia Civilization tem conquistado os fãs do gênero de estratégia desde que o primeiro jogo da série foi lançado, há 25 anos. Civilization VI, seu mais novo título, otimizou o estilo de jogo, melhorou a árvore de habilidades e redimensionou a forma com que o jogador pode alterar o mundo que está conquistando. Desenvolvido pela Firaxis Games e pela 2K Games e distribuído pela Take-Two Interactive, Civilization VI foi lançado em 21 de outubro deste ano para computadores Windows e três dias depois para computadores com sistema OS X.

O modelo do jogo é de estratégia por turnos. O jogador é colocado em um mundo com diversas nações e deve cuidar para que o país que governa se desenvolva e conquiste espaço entre seus adversários, disputando territórios e recursos e, por fim, alcançando a supremacia científica, militar, cultural ou religiosa.

É possível escolher entre 19 nações diferentes para iniciar o jogo. Cada uma delas é representada por uma figura histórica e traz bônus específicos de cada cultura. O Brasil, por exemplo, é governado por Dom Pedro II, possui unidades exclusivas da marinha e um distrito chamado “Carnaval”, que dá pontos de “amenidades” no jogo, deixando os cidadãos mais felizes. O Japão, governado por Hojo Tokimure, Shikken do shogunato Kamakura e famoso por ter liderado as tropas japonesas contra a invasão mongol, tem como unidades militares especiais os samurais e pode construir fábricas de eletrônicos como distrito.

A jogabilidade deste sexto jogo da série conquista principalmente pelas mudanças que os desenvolvedores fizeram desde Civilization V. Uma das mais visuais é a forma como a nação ocupa o espaço de seu território. Nos jogos anteriores, incluindo Beyond Earth, a cidade efetivamente ocupava apenas um dos espaços dos territórios. No novo jogo, existe o centro da cidade no mapa, mas distritos podem ser construídos por toda a extensão do território e depois podem ser melhorados com construções adicionais. Por exemplo, você pode construir um campus e depois melhorá-lo com uma biblioteca, universidade e laboratório de pesquisa, ou construir um acampamento militar e adicionar uma academia militar e estábulos. Cada uma dessas construções adiciona pontos à cidade.

Outra mudança pontual, mas muito acertada, foi a divisão da árvore de tecnologia em duas: uma propriamente tecnológica e outra de avanços “cívicos”: na árvore de tecnologia está a parte mais “material”, como tecnologias de mineração, de armas e comunicação. Na parte cívica estão os recursos destinados a melhorar a civilização do ponto de vista cultural e social, como artes, comércio exterior e novas formas de governo.

Uma diferença considerável está nas inteligências artificias (IA) que controlam as nações rivais durante o jogo, e é um dos pontos mais fracos de Civilization VI. Cada uma delas possui duas agendas, sendo uma delas secretas. Como a IA reage às ações do player depende de como elas se encaixam em sua agenda. Por exemplo, algumas nações militares serão amigáveis ao jogador ao perceberem que ele possui um exército forte ou uma marinha extensa, enquanto outras podem se sentir ameaçadas com demonstrações de poder militar, mas respeitar o crescimento religioso ou cultural da nação rival. No final, as IAs são pouco flexíveis e dificultam enormemente as relações diplomáticas e comerciais, muito presentes nos outros jogos da série.

Como no Civilization V, o sexto game da franquia conta com a presença das “grandes pessoas do mundo”, figuras históricas, como cientistas famosos e grandes escritores, que vão para a sua cidade e compartilham conhecimento com a sua nação, oferecendo obras-primas ou boosts em pesquisas tecnológicas.

Civilization VI provavelmente é o melhor jogo da série até o momento. Ele resgata os pontos fortes das edições anteriores e as complementa com ajustes bem colocados e maior imersão. Mas ainda existem falhas, como a dificuldade em se lidar com as inteligências artificiais. É um jogo bem trabalhado, agradável e desafiador, que deve marcar a série Civilization pelos próximos anos.


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