Top Hits da Ciência 2016

Este ano foi particularmente difícil de digerir. Gosto amargo da perda de figuras importantes do mundo artístico misturado ao sabor azedo de crises politicas e econômicas mundiais. Ainda assim, a ciência surpreendeu com impressionantes descobertas em diferentes áreas, da medicina à astronomia. Confira algumas das noticias que marcaram 2016.

Zika

O ano de 2016 ficará marcado no Brasil e no mundo como o ano do Zika vírus. Os casos de microcefalia observados no Brasil, mobilizaram a comunidade cientifica e os resultados surgiram rapidamente. Em pouco tempo, a ligação entre os casos de microcefalia e o Zika vírus pode ser confirmado por estudos independentes.

Por Manuel Almagro Rivas (Own work) [CC BY-SA 4.0 (http://creativecommons.org/licenses/by-sa/4.0)], via Wikimedia Commons
Avanços significativos também foram feitos em relação à etiologia da doença, como já foi descrito aqui e aqui. O Zika vírus foi identificado pela primeira vez em 1947 na floresta de Zika na Uganda. Em 2013, o vírus chega ao Brasil transmitido pelo seu vetor Aedes aegypti, o mesmo mosquito responsável pela transmissão do vírus da dengue, chikungunya e a febre amarela.

By James Gathany – http://phil.cdc.gov/phil/home.asp ID#: 8932 US Department of Health and Human Services, Public Domain, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=847665

Os casos de microcefalia em decorrência da infecção do Zika virus é uma constatação atribuída quase que exclusivamente à cepa brasileira. O que ainda não esta claro, porém, é se a cepa brasileira é a responsável por essa mal-formação ou se em outros países com alto índice de infecção do Zika vírus existe uma proteção imunológica prévia à gravidez.

A grande corrida científica atualmente se concentra em busca de drogas para o tratamento da infecção e de uma vacina para sua prevenção. Essa é uma área que promete grandes avanços em 2017, ficaremos na expectativa.

Ondas Gravitacionais

Em 1905, Albert Einstein publicou seu artigo “Sobre a eletrodinâmica dos corpos em movimento” introduzindo o principio da relatividade. A teoria da relatividade só estaria completa anos depois em 1915, com a inclusão da variável de aceleração, mais especificamente da gravitação.

Einstein explicou que a gravidade surge a partir da atração de dois corpos que distorcem o espaço e tempo, ou espaço-tempo. Quando esses corpos são muito maciços, a gravidade gerada por eles é capaz de produzir ondas que se propagam pelo espaços, chamadas ondas gravitacionais.

 

 

Ondas Gravitacionais (Fonte http://coldbeats.blogspot.com/2016/02/ok-gos-upside-down-inside-out-and.html)

A única forma de confirmar esta teoria era detectar as ondas gravitacionais geradas por corpos no espaço. No início deste ano, físicos pesquisadores do LIGO (do inglês Laser Interferometer Gravitational-Wave Observatory ou Observatório de Interferometria de Ondas Gravitacionais) publicaram um artigo, comprovando a existência de ondas gravitacionais detectadas em setembro de 2015. As ondas foram geradas a partir da colisão de dois buracos negros a 1,3 bilhão de anos luz da Terra.

Essa descoberta completa um ciclo de 100 anos desde da predição das ondas gravitacionais por Einstein e 40 anos de busca pelas ondulações cósmicas. Existe grande probabilidade dessa descoberta render um prêmio Nobel para os cientistas envolvidos. Até então, marca o inicio de novos estudos para investigar ondas eletromagnéticas que contem informações desde o inicio da formação do Universo.

Geração ciborgue: A arraia-robô

A robótica fez grandes avanços este ano e entre eles a criação do primeiro ciborgue. A arraia-robô foi capa da revista Science do mês de Julho e matéria da nossa coluna aqui. A arraia de apenas 16 milímetros e uma fantástica combinação de metal, polímero e tecido muscular orgânico que possui a capacidade singular de “nadar” em resposta a estímulos luminosos.

A invenção incorporou avanços da engenharia, cultura celular, genética e biomecânica. O líder do estudo, Dr. Kevin Kit Parker, tem como objetivo a criação de um coração humano artificial e a combinação desta paixão com o fascínio de sua filha por criaturas marinhas, levou a geração do primeiro ciborgue.

A arraia-robô foi construída utilizando um esqueleto de ouro, corpo de silicone e a musculatura de células cardíacas extraídas de ratos que expressavam um gene capaz de contrair as células quando iluminadas com uma luz azul. Esse feito foi um grande passo para o desenvolvimento de órgãos artificias como o coração por exemplo.

Anticoncepcional masculino

A responsabilidade de evitar uma gravidez indesejada por muitos anos recaiu sobre os ombros das mulheres. Os contraceptivos femininos evoluíram muito nos últimos anos. Mulheres contam com inúmeras possibilidades de escolha, desde DIU (dispositivo intrauterino) aos métodos que contem diferentes tipos e concentrações de hormônios como às mais populares pílulas anticoncepcionais, anel vaginal e injeções.

Enquanto isso, as opções de contraceptivos para o público masculino por anos mantiveram-se estagnadas no uso de preservativo (camisinha) ou vasectomia. Pois 2016 também será lembrado pelo progresso nessa área. Após um estudo clínico de anticoncepcional hormonal masculino ter sido interrompido por excesso de efeitos adversos, um novo contraceptivo provou-se bem sucedido e passou quase despercebido pela grande mídia.

Vasagel é um contraceptivo de longa duração, não-hormonal e reversível. O procedimento é comparado a uma vasectomia “sem bisturi”. A aplicação do polímero se da a partir de uma injeção nas vias espermáticas, impedindo a passagem dos espermatozoides que acabam por ser reabsorvidos pelo organismo. Especialistas acreditam que um novo anticoncepcional masculino deve entrar no mercado entre 2017 e 2020.

Revisão de texto e conteúdo: Isabelle Tancioni

Revisão de texto: Catarina Ferreira


Os artigos aqui publicados são de total responsabilidade de suas autoras e editoras.

Helen Cristina Miranda

curiosa de nascença/ cientista de profissão