Apresentando Mother Panic

Há alguns meses, nós noticiamos aqui no Minas Nerds a criação do selo Young Animal para leitores maduros da DC Comics. Com o posto de editor-chefe  assumido por Gerard Way, o selo tem a missão de atrair um público mais adulto de volta para a casa, já que a Vertigo acabou perdendo leitores após algumas mudanças editoriais desde a saída de Karen Berger da DC, em 2012. Os quatro títulos anunciados foram Shade, the Changing Girl, Patrulha do Destino, Cave Carson has a cybernetic eye e Mother Panic, que já estão recebendo críticas empolgadas de sites especializados.  

Para apresentar os lançamentos do selo, o Young Animal promoveu uma pequena mostra de cinema no Comiquest da NY Comicon, com filmes escolhidos pelos envolvidos nos roteiros e arte das respectivas HQs e que de alguma forma inspiraram as histórias. Para Mother Panic os filmes selecionados foram Laranja Mecânica e O Fantasma do Paraíso, o que nos dá uma ideia melhor do cenário violento retratado aqui.

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Entra Violet Paige

Parte da elite de Gotham City, Violet é uma jovem violenta que possui um passado obscuro, características que a tornam perfeita para ser uma das vigilantes da cidade. Mesmo que o título tenha conexão com Gotham e com Batman, Mother Panic consegue estabelecer uma identidade própria já no primeiro número da série. A arte  de Tommy Lee Edwards, responsável pelo traço e pelas cores, conta com traços grossos que remetem às histórias policiais noir  e combina muito bem com o tom sinistro do roteiro de Jody Houser. Se Mother Panic tivesse uma trilha sonora ela certamente seria punk.

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Nesse primeiro número acompanhamos Violet retornando para Gotham e começando uma investigação entre a elite da cidade, enquanto relembra momentos infelizes de sua infância, já que sua mãe foi diagnosticada com Alzheimer precoce, e lida com seu status de celebridade mórbida cuja origem da fama não fica bem clara.

Ao contrário das histórias clássicas dos vigilantes que possuem um período de adaptação para o leitor, tudo em Mother Panic é envolto de mistério, as peças já estão dispostas e os peões em movimento. Violet já é uma vigilante e não tem nenhuma conexão com o Batman, e nós não sabemos sua história de origem e nem o que ela procura. Durante sua investigação ela acaba se envolvendo em um caso macabro de Gala, uma artista que, entre outras coisas, pinta suas obras abstratas com o sangue de suas vítimas e os vende para figurões poderosos, o tipo de história que faria sucesso na Dark Web. Um desses figurões é o senhor Hemsley, justamente o alvo de investigação de Violet que acaba se envolvendo na trama dos quadros por tabela, ao impedir o assassinato de Dominic, segurança de Hemsley.


Violet é diferente de outras heroínas da DC e pode ser difícil para o leitor se conectar com ela em um primeiro momento. Em uma passagem da HQ, Dominic questiona o alinhamento da heroína ao afirmar que em Gotham há dois tipos de fantasiados: os psicopatas que machucam e os loucos que ajudam. Violet parece transitar entre esses dois mundos e não é o tipo de herói que você ficaria feliz de encontrar em um beco escuro.

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Houser fez um trabalho muito bom para instigar a curiosidade do leitor  nos informado apenas o essencial  a respeito das motivações de Violet agindo como Mother Panic. O título pode causar estranhamento por seu tom mais pesado, diferente do abordado em outras publicações da casa como as novas fases da Batgirl, ou da Mulher Maravilha, lembrando mais o trabalho de Chuck Dixon no título da Caçadora na década de 1990.

Gotham é o lar de desesperados

Além da história principal, o primeiro número de Mother Panic traz também uma história curta intitulada Gotham Radio que nos mostra mais um pouco da faceta decadente de Gotham e seus habitantes. Durante um programa de rádio da madrugada, acompanhado principalmente por insones e marginais, o locutor tenta passar uma mensagem otimista para seus ouvindo quando a transmissão é interrompida violentamente. Essa história escrita por Jim Krueger com arte de Phil Hester ajuda a estabelecer o clima paranoico da história principal e foi uma ótima surpresa.

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O debut de Mother Panic agradou bastante e recomendamos principalmente para os leitores que gostam de histórias densas e possuem estômago forte para personagens de alinhamento dúbio e muitas vezes amoral. Vale a pena.

 



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