Aliados é um filme que, infelizmente, não funciona

Aliados (Allied, EUA, 2017 – Direção de Robert Zemeckis, com Brad Pitt, Marion Cotillard e Jared Harris –  2h05 min) tinha tudo para ser um estouro de bilheteria: é a volta do querido diretor de blockbusters como Forrest Gump, De Volta pro Futuro e O Náufrago, Robert Zemeckis, tem estrelas de primeira grandeza em seu elenco, como Brad Pitt e Marillon Cottilard, é um filme de guerra, de época, o que geralmente resulta em uma ótima cinematografia e tem com um romance problemático na trama, Mas ele simplesmente não acontece.

(O texto não contém spoilers do filme)

O piloto e espião canadense Max Vatan (Brad Pitt) é mandado á Casablanca no Marrocos para assassinar o embaixador nazista. Lá, é instruído a aliar-se à bela Marienne Beausejour, (Cotillard, deslumbrante como sempre) a quem nunca viu.  Beausejour, na verdade, é uma espiã de primeiro escalão da resistência francesa, e juntos eles devem fingir que são um casal, infiltrar-se na alta sociedade marroquina, composta por oficiais nazistas, e eliminar o embaixador em uma operação arriscadíssima.

 

Até aí o enredo parece bem óbvio: Vatan se vê tendo que fingir ser o tímido e calado marido parisiense de uma socialite francesa que chama para si toda a atenção do pequeno grupo de oficiais alemães e suas esposas residentes na exótica Casablanca. Deslumbra-se quando vê Marianne pela primeira vez, cuja fama de ser uma ÓTIMA e belíssima espiã já havia chegado aos seus ouvidos. pavimentando assim caminho para um romance líquido e certo. Marianne é linda, simpática, comunicativa, conhece a sociedade alemã como ninguém e é corajosa e hábil em estratégia de guerra e armas.

Às vésperas da arriscada operação que pode colocar em risco a vida de ambos, os dois se entregam ao apelo da paixão, que os leva a um casamento. Tudo muito bonito e romântico, amor em tempos de guerra e tal, (apesar de Marianne ter se resignado a ser uma frugal mãe e dona de casa, não lembrando em nada a intrépida assassina francesa de algumas cenas anteriores). O problema é que fantasmas do passado de Marianne ameaçam a felicidade idílica do casal e cabe a Vatan, um fiel soldado dos aliados, investigar o problema, sob pena de ser executado, juntamente com sua mulher, por alta traição.

O filme, tanto em seu enredo, quanto ambientação e período histórico, faz clara menção à clássicos do cinema de guerra como Casablanca de  Michael Curtiz, com suas paisagens desérticas, sexys e exóticas do Oriente Médio e lembra também alguns filmes de Irving Rapper, um dos grandes diretores da Era de Ouro de Hollywood, que consagrou atrizes como Bette Davis, entre outras. Mas ele não prende o expectador: é lento, seu roteiro é óbvio e raso e as atuações da dupla Cotillard- Pitt, que prometia ser explosiva,  é quase enregelante.

Onde deveria haver suspense, não há, onde deveria haver paixão, não há, onde deveria haver ação, há uma pequena sequência de tiros e bombas, meio que obrigatória em filmes de guerra e só. É bem, bem fraco e decepcionante, eu diria. É um quase romance de guerra. É um quase filme.

Um paragráfo em especial precisa ser dedicado à atuação da dupla de protagonistas: eles não têm liga, nem química, nem nada. A impressão é a de que estão ali por obrigação, provavelmente para pagar as altas contas da vida dispendiosa em Hollywood, porque funcionam tanto quanto um peixe andando de bicicleta. E não é problema dos atores em si, que são ótimos e já provaram isso em outras películas,  basta comparar a atuação de Brad Pitt e sua ex mulher Angelina Jolie em Sr e Sra Smith ou em Lendas da Paixão e de Cotillard em Piaf – um hino ao amor , Macbeth e Inimigos Públicos, onde faz um par intenso com Johnny Depp. Existe um ranço ali, tanto que, quem assiste, fica em dúvida sobre essa apatia fazer parte da personalidade dos personagens ou ser realmente um problema de atuação.

Produção, fotografia e figurino são muito bons, inclusive este último, rendeu a única indicação do filme ao Oscar 2017, mas, no geral, Aliados, que deveria ser a volta triunfal de Zemeckis e um encontro transcedental entre Pitt e Cottilard, morre nas praias da Normandia na Hora H do Dia D. Uma pena, de verdade.

O filme entra em circuito nacional no dia 16 de fevereiro.

 


Os artigos aqui publicados são de total responsabilidade de suas autoras e editoras.

Gabriela Franco

Jornalista especializada em cultura pop, produtora, cineasta e mãe da Sophia e da Valentina Criadora do MinasNerds.