Boas novidades para a terceira temporada de Justiça Jovem

Em Novembro os fãs de Justiça Jovem e das animações da DC ganharam um motivo para comemorar. Depois de anos de campanha na internet e muito barulho por parte dos fãs, finalmente a Warner e a DC confirmaram uma terceira temporada da série animada Justiça Jovem.  Apesar de não sabermos com certeza se foi a pressão dos fãs que fez os executivos voltarem a ter interesse na série dos jovens heróis, podemos especular que o constante apelo dos fãs foi sim um dos motivos para o retorno.

A série que conta com duas temporadas foi cancelada em 2013 apesar de grande sucesso com o público devido ao baixo número nas vendas de produtos licenciados, principalmente brinquedos e muitos fãs chegaram a culpar a audiência feminina pelo cancelamento.

Em uma entrevista para o podcast de Kevin Smith (Fatman on Batman) , o escritor e produtor Paul Dini (Batman Animated Series) chegou a comentar que o  mercado também acreditava que as animações voltadas para adolescentes não eram mais um bom negócio, pois parte dessa audiência seria composta por garotas e elas não compram brinquedos, ou não compram tanto quanto jovens garotos. Esse seria um dos motivos para o cancelamento de vários projetos de animação da DC (Como a série animada do Lanterna Verde) que voltou sua atenção para um público muito mais jovem com novas séries como Teen Titans Go! Que possuem mais ação e quase nenhum arco de história ou continuidade. Na mesma entrevista, Kevin Smith pontuou a preguiça das campanhas de marketing voltadas para garotas:

Eu discordo disso, acredito que as meninas também compram brinquedos, talvez não tanto quanto os meninos, mas então que vendam outras coisas para elas. Não sejam preguiçosos e venham com essa história de “Ora, não dá pra vender brinquedo pra menina”. Vendam camisetas, vendam um guarda-chuva com a porcaria do personagem estampado, ou algo do tipo. Se um brinquedo não funciona, tem que ter outra coisa que se possa vender para meninas.  Agora só porque eles não conseguem fazer o trabalho direito, não destruam as chances de algo alcançar o público, isso é auto-sabotagem. São os mesmos otários que falam “Ah, mas as meninas não leem gibis, elas não gostam de gibis” e essas profecias que só servem para auto afirmação deles. “

O site The Mary Sue também comentou o assunto na época, clique aqui e veja na íntegra.

Mas em três anos a noção da representação feminina dentro e fora das produções de entretenimento mudou e embora com certa resistência, os estúdios e editoras vêm reconhecendo o poder da audiência feminina para seus produtos, a confirmação da terceira temporada de Justiça Jovem pode ser uma indicação dessa mudança.

Então o que faz a série ter tanto apelo entre o público, seja masculino ou feminino? Aqui vão algumas razões para você assistir a Justiça Jovem, ou para aumentar a sua expectativa para a próxima temporada.

1. Personagens e temas Complexos

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Quando a série foi anunciada, teve muita gente se perguntando se uma versão adolescente da Liga da Justiça poderia funcionar na TV. A resposta é definitivamente SIM!

Se a princípio a série nos dá a impressão de tratar de jovens heróis tentando superar seus mentores, o lado humano de cada um acaba se sobressaindo à máscara e capa. Superboy vive na sombra do Superman, o maior herói da Terra que não o aceita e não o enxerga como nada além de uma violação da lei natural, Aqualad não consegue decidir se pertence ao mundo da superfície, ou se deve honrar seu lugar em Atlantis, Miss Marte teme que os amigos não a aceitem por quem ela realmente é, assim como Artemis esconde o seu passado para ser aceita pelos amigos. Mesmo que super habilidosos e poderosos, esses personagens ainda são adolescentes e enfrentam as mesmas crises que qualquer jovem de sua idade.  Mas a série não tem medo de tratar de temas mais pesados como violência doméstica, depressão e morte. 

2. A Liga (paternalista) da Justiça

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Assim como nos quadrinhos, a Liga da Justiça nem sempre se sente confortável com a existência de um time de heróis composto por menores de idade. Esse conflito das gerações de heróis é sempre interessante de assistir, seja pelo lado dos veteranos que querem manter os protegidos sempre sob sua supervisão, seja pelo lado dos jovens que precisam de espaço e desafios para crescer por conta própria. Aqui temos um Superman menos escoteiro do que estamos acostumados, que reluta em reconhecer o pobre Conner como um ser humano, em contrapartida temos o Batman tentando lidar com hormônios adolescentes e guiar o jovem Dick Grayson para um caminho diferente do seu e convenhamos, Batpai é o melhor Batman. Ainda temos as ótimas sequências de ação e luta quando os dois times acabam se enfrentando.

3. Representatividade

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O mundo não é apenas de homens brancos! Pode parecer bem óbvio, mas esse aspecto da nossa sociedade ainda é negligenciado por grande parte das produções ocidentais.
Em Justiça Jovem, entretanto podemos ver um grupo variado de heróis e vilões. Temos o Besouro Azul que é hispânico, Aqualad e Rocket que são negros, Artemis que é filha de uma vietnamita cadeirante, entre outros. Apesar disso, Justiça Jovem ainda falha em representar gêneros não binários e não heterossexuais, talvez a próxima temporada possa concertar esse erro e nos presentear com um mundo ainda mais diverso.

4. Girl Power

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Em um dos episódios da segunda temporada  mais lembrados pelos fãs, o Asa Noturna monta um time composto apenas por mulheres e enquanto explica o porquê de ter escolhido essa formação é questionado pela Batgirl se ele precisa justificar os times compostos apenas por homens também, sem ter como se esquivar, Asa Noturna apenas se despede e vai embora. Esse é apenas um exemplo de como as heroínas são bem representadas na série. Muito além de interesses românticos, ou objetos de cena, as personagens possuem arcos de desenvolvimento próprios e são responsáveis por muitas cenas de ação desde a pequena aventura de Artemis e Zatanna resolvendo um mistério de fantasma, até a crise ética e moral de Miss Marte com o uso de seus poderes de controle de mente, as mulheres são tão bem trabalhadas quanto seus parceiros de equipe.


5. Vilões
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Se os heróis podem se reunir em times, por que os vilões não fariam o mesmo? Respondendo a essa questão, Justiça Jovem traz a organização criminosa chamada de A Luz, composta pelos vilões mais perigosos do Universo DC. Entre conspirações políticas e traições, na série podemos ver Lex Luthor em sua melhor forma, manipulador dotado de uma inteligência incomparável ele se mostra mais perigoso do que qualquer ameaça extraterrestre, que também são abundantes na série durante uma Invasã alienígena (inspirada na saga dos quadrinhos Invasão de 1988). Se você ainda acha pouco, que tal uma possível aliança entre Vandal Savage e Darkseid?  É esse o nível de vilania dessa série.

Bônus: Continuidade e grandes arcos narrativos

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A série possui inúmeros pontos positivos, mas para não nos prolongarmos demais vamos ao bônus. A continuidade dos episódios, assim como nos quadrinhos, possibilitam contar histórias mais complexas e desenvolver melhor os conflitos de cada personagem dando a eles bastante tempo individual em tela e aprofundando suas personalidades. Assim como possibilita também maior imersão no Universo da DC Comics, seja trazendo adaptação de grandes arcos de história que envolvem política e o impacto de seres tão poderosos no universo conhecido, ou apresentando personagens menos conhecidos do grande público como o herói interplanetário Adam Strange e sua conexão com a terra e o  planeta Rann. A série deixou muitas questões em aberto que podem render ótimos argumentos para a terceira temporada e fazer a alegria dos fãs. 

Gostaram da lista? Enquanto esperamos mais informações sobre a data de estréia da nova temporada, que tal conferir a seleção dos melhores episódios da série feita pelo canal da DC Entertainment no Youtube?







 


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