As edições de Dungeons and Dragons

Quem nunca brincou que era um grande herói ou heroína, enfrentando inúmeros desafios em jornadas épicas e derrotando poderosos vilões? Mais do que brincadeira de criança, colocar-se no lugar de um personagem inspirou a criação de diversos tipos de jogos, que vão desde videogames, cardgames e, é claro, os Role Playing Games, ou RPGs. Destes últimos, o primeiro e talvez mais conhecido seja  Dungeons and Dragons (D&D), que já está em sua quinta edição.

Um jogo de RPG é como brincar de faz-de-conta, mas com regras para determinar se você consegue realizar suas ações ou não, e um “narrador” ou “mestre”, o jogador que conta a história e descreve os resultados dos acertos e falhas do personagem, e como eles impactam o cenário do jogo.

A Origem de Dungeons & Dragons

A primeira versão do jogo foi desenvolvida por Gary Gygax e Dave Arneson e publicada pela  Tactical Studies Rules, Inc., fundada em 1973 pelo próprio Gygax para distribuir o novo tipo de jogo que ele e Arneson haviam criado. Os livros foram lançados em 1974 e fizeram um grande sucesso, levando outras pessoas e empresas a desenvolverem jogos com regras semelhantes, mas que se passavam em cenários originais

O jogo foi lançado separado em três livros diferentes, um com regras para o jogador, outro com uma lista de monstros que podem ser enfrentados nas aventuras e, o último com dicas sobre como criar aventuras de RPG para jogar com os amigos. Até hoje as edições de D&D são publicadas nesse formato.

Ao contrário das edições posteriores, que acabariam trazendo para os fãs um grande números de possíveis raças e classes para serem escolhidas, a primeira edição, que ficou conhecida como Original Dungeons & Dragons (OD&D), trazia apenas três opções de classe (mago, guerreiro e clérigo) e quatro raças (humano, anão, elfo e halfling).

Em 1977, ocorreu uma ruptura na ideologia dos criadores que levou Gygax a publicar uma nova versão do jogo, pela mesma editora, chamada de Advanced Dungeons & Dragons, que teve duas edições. Gygax buscava apresentar aos jogadores regras mais complexas e detalhadas. Sistemas de habilidades, como as proficiências, foram reescritos e aprofundados, aumentando consideravelmente a “dificuldade” do jogo. Também foram adicionadas novas classes, como Bardo e Ladrão, além de subclasses.

Em 2000, o jogo voltou a uma única linha, com sua terceira edição, e perdeu o nome de “Advanced”. Dessa vez ele foi publicado pela editora Wizards of the Coast, que continua responsável pelas edições do RPG. A 3ª edição ficou famosa por utilizar o sistema de jogo d20 com licença livre, o que permitiu que desenvolvedores e colaboradores lançassem seus próprios complementos do jogo. Já a edição seguinte, publicada em 2007, modificou diversos sistemas do D&D a ponto de ser considerada por muitas pessoas como um jogo completamente novo. Muitos dos sistemas foram simplificados e as classes foram reescritas para atuar em determinados papéis dentro do combate. As mudanças no sistema fizeram com que diversos jogadores preferissem  continuar jogando edições antigas ou outros jogos, como o Pathfinder (feito com o sistema d20 da 3ª edição).

A quinta edição recupera elementos da terceira e foi publicada em 2012. É a versão mais atual da série. Muitas das mecânicas dos primeiros D&D foram resgatadas, permitindo customizar os personagens e tornar o jogo mais flexível. A publicação também buscou resgatar a experiência da 3ª edição, de certa forma abandonando o trabalho feito no D&D 4. Nas regras, a novidade ficou por conta da implementação do sistema de vantagem e desvantagem, que consiste em rolar dois dados e pegar o maior resultado para situações de “vantagem” e o menor para situações de “desvantagem”. A Wizards of the Coats lançou também um PDF gratuito com regras básicas, para que interessados possam aprender a jogar mesmo sem possuir os livros básicos.

Minha experiência jogando Dungeon & Dragons

Apesar de ter escutado vários de meus amigos contarem suas experiências com edições diferentes e de ouvir seus argumentos do porque preferem uma ou outra edição, eu mesma só joguei a 2ª edição do Advanced D&D e D&D 5 e gostei muito dos dois, apesar deles terem estilos diferentes.

A quinta edição, a mais recente de todas, trouxe uma simplicidade nas regras para pessoas que estão começando a jogar a série. No jogo, você já começa com um personagem heroico, mesmo no nível 1. O que eu quero dizer com isso é que, mesmo um personagem iniciante é mais forte, esperto e rápido do que a “média” da população do cenário. Apesar de existirem muitos monstros mais fortes do que os personagens, a maioria dos monstros iniciantes é derrotada facilmente e você nunca fica realmente com medo de seu personagem morrer, já que existem regras que dificultam que isso aconteça. A 5ª edição cria histórias “épicas” em que você se sente um grande herói desde o início, sendo respeitado nos lugares em que passa.

Jogar a 2ª edição de D&D foi uma experiência bem diferente. As regras são complexas, cheias de variáveis e difíceis de entender, pelo menos para alguém que era iniciantes como eu. A complexidade das regras não é totalmente negativa, entretanto. Ela torna os personagens mais “próximos” dos outros meros mortais existentes no jogo. Você não é mais forte do que a média. A qualquer momento um monstro, mesmo fraco, pode te matar, ou você pode morrer envenenado, ou mesmo de fome. Isso faz com que você pense mais antes de entrar em qualquer batalha e procure saídas alternativas para os problemas que enfrenta. É também prazeroso ver o seu personagem ganhar força conforme passa de nível, tornando-se um herói mesmo com apesar das dificuldades.

 


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