As mulheres são destaque em Punho de Ferro

Punho de Ferro (Iron Fist) é a nova série criada para a Netflix produzida por Scott Buck,  baseada no personagem homônimo das HQs da Marvel e que estreia mundialmente hoje, 17 de março.

A série está inserida no Universo Cinematográfico da Marvel (MCU) e vai compartilhar continuidade tanto com os filmes da editora quanto com as outras séries de heróis da Marvel que já estrearam no canal (Jessica Jones, Demolidor, Luke Cage), o que no futuro vai gerar um crossover entre as quatro, resultando no time de vigilantes urbanos: DEFENSORES.

Daniel “Danny” Rand foi criado por Roy Thomas e Gil Kane em 1974, auge dos filmes de Kung Fu e da onda Bruce Lee e “Kwai Chang Caine”, interpretado por David Carradine na série Kung Fu, sucesso dos anos 70. Roy Thomas também afirma que Homem Incrível, um herói esquecido da Era de Ouro também serviu de inspiração para a criação de Rand.

O menino Daniel Rand é filho do dono e um dos herdeiros do conglomerado de indústrias RAND. Aos 10 anos, em uma viagem de rotina no jato da família, enquanto sobrevoavam a região do Himalaia, sofrem um acidente, o avião cai nas geleiras e Danny fica orfão.

Mal sabe ele que fora resgatado pelos monges da cidade sagrada de Kun’Lun, cujo portal se abre para a Terra de 15 em 15 anos.

Lá, o menino é acolhido, tem uma vida monástica é  treinado incessantemente e tido como o escolhido e protagonista de uma profecia local, que dizia  que “Um menino dourado, tocado pelo fogo seria o Punho de Ferro e defenderia a cidade sagrada de Kun’Lun das forças do mal.”

Depois de 15 anos, tendo concluído seu treinamento, o portal para a Terra se abre novamente e Danny desemboca, com roupa de monge e uma mochila nas costas, na Manhattan de 2017 e tenta reaver sua parte nas empresas de seu pai. E a partir daí a trama se desenrola.

O poder do Punho de Ferro consiste em concentrar toda sua energia vital (CHI) em seus punhos, tornando-se impossível de ser derrotado. Na verdade a técnica é real, o CHI (pronuncia-se KI) existe no Kung Fu e o mestre e astro de artes marciais Bruce Lee ficou famoso justamente por seu lendário “Soco de uma Polegada”, onde era capaz de canalizar a energia de seu corpo para o seus punhos e lançar homens longe, apenas com um pequeno movimento de punho fechado.

O que esperar da série:

Toda a mitologia dos filmes de Kung Fu está ali: o caminho do guerreiro, o sofrimento e a superação dos limites físicos e espirituais, o encontro com a luz, a transcendência do ser iluminado sendo desafiado e lutando constantemente contra o apelo das trevas. Tudo ali. Se você (como eu) é fã de filmes de Kung Fu e artes marciais, vai amar a série. E se não for, também pode gostar, porque ela traz elementos incríveis que vão muito além das coreografias de lutas e mensagens esotéricas: traz conflitos e relações humanas, além da  ligação com as demais séries de heróis da Marvel na Netflix.

A série acabou entrando em evidência nos EUA por conta das inúmeras e variadas críticas que acabou recebendo, já que a Netflix liberou para alguns veículos de mídia 6 episódios para análise, antes da estreia. As críticas eram, ora pela produção, que diziam ter sido de baixo orçamento, ora por ter elementos que a diferenciavam das HQs, ora por terem escolhido mal o protagonista (Finn Jones de Game of Thrones), ora por acharem que, por se tratar de uma série de artes marciais, o protagonista precisava ser oriental. Etc.

Bem, ela não tem baixo orçamento, se tem isso não fica visível pois segue exatamente o mesmo padrão das outras exibidas até agora. O cenário não varia muito: NY, seus becos escuros, sujos e cheios de capangas, agora com a variação da máfia chinesa e um pouco de glamour dos arranha-céus de Manhattan. Os efeitos especiais são ok, totalmente dentro dos limites aceitáveis para uma série de super-heróis, nada de pessoas voando no estilo “O Tigre e o Dragão”, não. As lutas são totalmente possíveis e muito bem coreografadas. A linha mestra do roteiro são justamente as relações humanas. A dificuldade de Rand em se relacionar com um mundo totalmente automatizado e capitalista depois de passar 15 anos isolado em uma cidade sagrada, sua relação com antigos amigos e pessoas que acaba por conhecer. Todo o choque entre oriente e ocidente, valores, crenças e estilos de vida.

 

 

Referente às diferenças das HQs, temos MESMO que falar sobre isso? Trata-se de  uma ADAPTAÇÃO televisiva e nem todos os elementos que funcionam nas HQs vão funcionar nas telas. Tem diferenças sim, mas são mínimas e só fãs do personagem nos gibis vão notar. Nada que impacte o andamento da história.

Quanto ao protagonista ser oriental, bem, tal acusação é descabida nesse caso e falta um pouco de conhecimento da origem do personagem aí. Punho de Ferro nas HQs  é um herói LENDÁRIO, e assim como o Thor, alguns indivíduos são escolhidos para carregar essa alcunha e toda a dor e responsabilidade que advém dela. Danny Rand é um americano que foi escolhido para ser o Punho de Ferro, mas existiram e existirão outros. Nos quadrinhos SÓ DOIS foram americanos.(o outro foi Orson Randall), portanto, não faz sentido criticar a escolha de um ator ocidental justamente para viver o choque cultural entre Oriente e Ocidente

As mulheres têm bastante destaque em Punho de Ferro. A aparição e desenvolvimento da personagem de Colleen Wing (parceira de Misty Knight nas HQs com a equipe As Filhas do Dragão) é incrível. A atriz Jessica Henwick está totalmente aniquiladora no papel, representando uma mulher forte, independente, nada sexualizada, empoderada, exímia lutadora de karatê e seguidora do bushidô (código dos samurais).

A amiga de infância de Rand, Joy Meachum (Jessica Stroup) também merece menção por ser uma mulher de negócios a princípio inescrupulosa que parece não ter muita noção do porque é assim, além de Madame Gao e nossa querida Claire Temple.

Assim como em todas as outras séries da Marvel, ao que parece ser um padrão adotado pela equipe criativa, o começo é bem lento e introdutório e a ação começa a rolar mesmo a partir do 4º capítulo, porém, a tensão é crescente e a história se desenrola muito bem e de forma interessante, instigando o espectador a segui-la.

Os episódios não têm diretor fixo, sendo que um deles, o 4º, é dirigido pelo ator e rapper RZA.

 

Em suma: Punho de Ferro é uma ótima série e vem acrescentar e enriquecer o time dos Defensores. Agora é acompanhar para ver quando finalmente vão se encontrar, algo que fãs mais antigos de quadrinhos nunca poderiam imaginar. E é por isso mesmo que este encontro será tão especial. Bom divertimento!


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Gabriela Franco

Jornalista especializada em cultura pop, produtora, cineasta e mãe da Sophia e da Valentina

Criadora do MinasNerds.