5 livros de terror escritos por mulheres

É quase inacreditável que, em pleno século 21, ainda tenhamos que lutar por igualdade de salários e de oportunidades no mercado trabalhista. No meio artístico, talvez, essa situação seja ainda mais acentuada. Segundo pesquisa do coletivo editorial independente Alpaca, desde as escolhas feitas pelas grandes editoras, até as opções de consumo de cada leitor, existe um sistema que exclui das possibilidades as autoras e artistas mulheres.

J. K. Rowling, autora da saga Harry Potter, foi aconselhada por sua editora a utilizar apenas suas iniciais, com a intenção de não afastar o público masculino de suas obras. Este é apenas um exemplo, mas que ilustra bem como a literatura escrita por mulheres possui uma recepção diferente, tanto das editoras, quanto dos leitores.

Esse é um dos motivos que explica a importância da valorização e da divulgação de obras femininas. O MinasNerds não se exclui dessa responsabilidade e traz agora uma lista super especial: 5 livros de terror escritos por mulheres. Porque sim, existem mulheres fazendo bonito em qualquer área, nós só precisamos apurar um pouco o olhar pra perceber.

1) A mulher de preto – Susan Hill

Sinopse: O jovem advogado Arthur Kipps, foi enviado a cidade mercante de Crythin Gifford para verificar os documentos e os papéis particulares da recém-falecida Sra. Alice Drablow, uma viúva idosa que vivia sozinha na solitária e afastada Casa do Brejo de Enguia. Enquanto trabalha na casa, Kipps começa a descobrir seus trágicos segredos. A situação piora quando ele entende que o vilarejo é refém do fantasma de uma mulher magoada, em busca de vingança.

Curiosidades: O livro deu origem ao filme, de mesmo nome, contando com Daniel Radcliffe no papel principal. Lançado em 2012, com direção de James Watkins, foi o primeiro longa que Radcliffe atuou após o longo período como Harry Potter nos cinemas.

Editora: Record

Páginas: 208

2) Entrevista com o vampiro – Anne Rice

Sinopse: Este romance começa com um jovem repórter entrevistando Louis de Pointe du Lac, nascido em 1766 e transformado em vampiro por Lestat. Luis conta sua história aos ouvidos atentos do repórter, revelando segredos do mundo dos vampiros.

Curiosidades: Anne é conhecida pela série sobre vampiros chamada Crônicas Vampirescas. Desta série, nasceu Entrevista com Vampiro, que ganhou uma versão cinematográfica com os atores Brad Pitt e Tom Cruise, em 1994. Rice acompanhou de perto a adaptação no cinema, escreveu o roteiro e ficou em cima da produção. A tradução para o português da obra original foi realizada por ninguém menos que Clarice Lispector. Atualmente a versão brasileira se encontra em sua décima edição, demonstrando o sucesso dessa dobradinha mais que especial.

Editora: Rocco

Páginas: 309

3) A assombração na casa da colina – Shirley Jackson

Sinopse: Conta a expedição organizada por um doutor chamado Montague, para comprovar a existência de eventos sobrenaturais em uma casa amaldiçoada, construída por um milionário excêntrico chamado Hugh Crane. Existem quatro pessoas na expedição, mas o livro é focalizado em Eleanor Vance, uma solteirona completamente narcisista, de imaginação fértil e um poço de rancor e ódio reprimido. A casa começa a enviar sinais, que no início atingem a todos e depois se direcionam a ela especificamente. Eleanor pensa suspeitar que a casa a quer muito próxima, e que não vai deixá-la ir embora. O que a aterrorizava no início agora a atrai. Ou será tudo um produto de sua imaginação?

Curiosidades: Esta obra de 1959 já deu origem a dois filmes, Desafio do Além (1963) e A Casa Amaldiçoada (1999). Segundo notícias recentes, a Netflix está produzindo uma série baseada na obra. A expectativa é que o programa tenha dez episódios e Mike Flanagan, diretor de longas como Ouija: A Origem do Mal e Hush: A Morte Ouve, está por trás do projeto. A versão brasileira do livro é extremamente rara, chegando a custar algumas centenas de reais a quem deseja realizar sua aquisição.

Editora: Fracisco Alves

Páginas: 200

4) Frankenstein – Mary Shelley

Sinopse: Victor é um cientista que dedica a juventude e a saúde para descobrir como reanimar tecidos mortos e gerar vida artificialmente. O resultado de sua experiência, um monstro que o próprio Frankenstein considera uma aberração, ganha consciência, vontade, desejo, medo. Criador e criatura se enfrentam: são opostos e, de certa forma, iguais. Humanos! Eis a força descomunal de um grande texto.

Curiosidades: Mary Shelley escreveu a história quando tinha apenas 19 anos e a obra foi primeiramente publicada em 1818, sem crédito para a autora na primeira edição. A primeira adaptação para o cinema foi feita pelos Edison Studios em 1910. Foi produzida por Thomas Edison e trazia Charles Ogle no papel da criatura. Uma das mais famosas transposições do romance para as telas é a realizada no filme Frankenstein (1931) pela Universal Pictures, dirigida por James Whale, com Boris Karloff como o Monstro. Esta adaptação deu a aparência mais conhecida do monstro, com uma cabeça chata, eletrodos no pescoço e movimentos pesados e desajeitados.

Editora: Darkside

Páginas: 304

5) O Conto da Aia – Margaret Atwood

Sinopse: Narrado em um tempo onde ninguém tinha direito à defesa, onde não existia mais liberdade, respeito; onde jornais, revistas e filmes foram queimados, onde o conhecimento ficava restrito a um segmento mínimo e as mulheres só tinham valor quando geravam filhos, ‘O Conto da Aia’, de Margaret Atwood, acaba se transformando em uma ficção científica dolorosamente real. Estamos em Gilead, mas daria para contar a mesma história de qualquer canto do planeta. Offred, uma das aias do principal governante, pode sair para comprar comida nos mercados. Mas também é obrigada a ajoelhar-se e orar para que o comandante a engravide, uma vez que, junto a todas as outras, as aias passam a existir apenas se tiverem os ovários férteis.

Curiosidades: A obra é considerada uma ficção científica que incide sobre o papel da mulher na sociedade. Foi adaptada para o cinema em 1990, recebendo no Brasil o título de “A decadência de uma espécie”.

Editora: Rocco

Páginas: 368


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Bianca Ferreira

Psicóloga, mestranda, nerd, cosplayer, esquerdista, feminista e "defensora de bandido". Ama Frozen, Masterchef, Locoroco, Alan Moore, Nana e Zizek. Acredita que a vida é muito mais do que uma simples definição.