Guardiões da Galáxia Volume II – Laços intergaláticos de ternura

Estréia AMANHÃ (27 de abril de 2017) em circuito nacional Guardiões da Galáxia volume II de James Gunn, (Guardians of The Galaxy volume II – James Gunn – Disney/Marvel  EUA 2016) que apadrinhou a franquia e só tem acertado com ela. Com esse segundo filme, ele alcançou a perfeição.

Guardiões da Galáxia vol II voltou com força total e ainda mais arrasador, mais cheio de referências pop oitentista (pergunte para seus pais! rs) com efeitos especiais, monstros, enquadramentos e movimentações de câmera ainda mais vertiginosos do que os do primeiro, mas apesar de toda essa maravilhosidade, não é isso que faz do filme o grande trunfo que ele é.

E James Gunn (que graças aos Celestiais  também atua como roteirista) sabe disso. O que move uma platéia, ainda mais uma que acabou virando fã de Peter Quill (Chris Pratt), Gamora (Zoe Saldana), Drax (David Bautista), Rocket (Bradley Cooper) e, é claro, Groot (que nesse filme está “crescendo” novamente, então está ainda mais fofo como Baby Groot – dublado por Vin Diesel) é uma BOA HISTÓRIA. Uma história que crie identificação, referência, laços com o público. E os laços de Guardiões da Galáxia II nos prendem por inteiro.

Depois de salvar o Universo no primeiro filme, a trupe conhecida como Guardiões da Galáxia atua como mercenária “frilando” pelo Cosmos, ou seja, pegando serviços aleatórios para levar comida para a nave Milano. O grande plot do filme na verdade se desenvolve quando, em meio a uma batalha, eles são abordados por um ser que mais tarde se revela finalmente como sendo o misterioso pai do Senhor das Estrelas. Na San Diego Comic Con de 2016 o diretor já havia revelado que ele seria Ego, o Planeta Vivo, que na película é interpretado por Kurt Russell, galã dos anos 80, nosso eterno Cobra Plissken (Fuga de Nova York/1981) nosso querido Jack Burton (Os Aventureiros do Bairro Proibido/1986), que está fenomenal no papel. Essa revelação  acaba gerando abalos em toda equipe, mas principalmente em Quill, para quem a figura paterna sempre fora uma incógnita.

Outro ponto abordado no filme é o conturbado relacionamento entre as irmãs de criação Nebulosa (Karen Gillan, cada vez melhor) e a heroína Gamora, filhas adotivas do grande déspota Thanos. A ligação entre ambas mostra diversas camadas que não foram sequer abordadas no primeiro filme, mas são expostas neste, tornando a convivência entre ambas muito mais rica e complexa. A amizade entre Rocket e Groot apesar de ser o grande alívio cômico (e fofo) do rolê, também sofre algumas mudanças, já que os papéis se invertem: agora Rocket é quem passa a ser o protetor de Groot, que age como um bebê, arrancando vários “OUNNN” de fofura do público.

Como todo filme de superequipe existe sempre a dificuldade em abrir espaço para todos os personagens interessantíssimos que fazem parte do universo original do título nas HQs, mas até nisso James Gunn acerta.

Youndu (Micheal Rooker), que era coadjuvante no primeiro filme é muito mais desenvolvido e surpreendente neste. Mantis (Pom Klementieff), que tem origem completamente diferente das HQs é encaixada com maestria na trama, e por último, mas não menos importante, muito pelo contrário, vale a menção a Stakar Ogord, que nas HQs é mistura genética entre raças alienígenas conhecido como Águia Estelar e que tem uma participação muito importante nas histórias dos Guardiões, e caiu como uma luva (de boxe? rs) no ícone Sylvester Stallone.

Isso sem falar é claro, na INCRÍVEL trilha-sonora  que é quase parte do elenco, nesse caso. Recheada de clássicos dos anos 70/80 tão maravilhosa (mas menos pop, dessa vez) quanto o primeiro Awesome Mix, de Peter Quill.

Hoje os Guardiões da Galáxia caíram nas graças do grande público, rendem milhões no cinema e em merchandising, mas é muito difícil acreditar que um dia, personagens obscuros e  fantasticamente interestelares criados há 50 anos por Arnold Drake e Gene Colan ganhariam tamanho destaque. É para encher os olhos de qualquer nerd.

Drax, Mantis e Ayesha, essas últimas personagens das HQ , agora no cinema

No final das contas, Guardiões é muito mais do que um filme sobre ficção científica farofa e referências cômicas à cultura pop. É um filme tocante sobre relacionamentos. Sobre a importância de pessoas (er…alienígenas, no caso) em nossas vidas, o papel delas e a transformação que essa convivência promove. Vale muito, muito a pena. Leve toda a família, assista com amigos, é um filme para todos. Totalmente Excelente.
PS: Muitas cenas pós-crédito e fan-service NA CARUDA sobre o próximo GRANDE personagem da sequência. Mas ainda assim, o MEIO do filme revela uma grata surpresa. Principalmente para quem tem mais de 30 anos e curtia Sessão da Tarde 🙂 fique ligadinhx

PS2: Não se esqueçam: WE ARE GROOT <3

 


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Gabriela Franco

Jornalista especializada em cultura pop, produtora, cineasta e mãe da Sophia e da Valentina Criadora do MinasNerds.