Advanced Style: o estilo depois dos sessenta anos

 

O projeto Advanced Style começou como um blog de moda em que o fotógrafo Ari Seth Cohen registra mulheres estilosas em Nova York, todas acima dos sessenta anos de idade. São mulheres lindas, maravilhosamente produzidas, caminhando com seus estilos originais pela cidade. O documentário, dirigido por Lina Plioplyte, registra a rotina das sete principais modelos do blog, que acabaram fazendo carreira como modelo ou na indústria da moda depois de virarem ícones fashion na internet.

Nos envolvemos com a vida dessas sete mulheres que usam o que vestem para se expressar no mundo. São momentos deliciosos, de mulheres que continuam vivendo plenamente e belas até o fim. E se divertem ao falar da morte, inevitável. Uma delas diz: “eu não posso mais comprar bananas verdes mais, não sei se estarei lá para comê-las”.

Cena de Advanced Style

Uma delas dá aulas de desenho, outra é dona de um butique, mas a rotina delas todas mudou depois do blog, pois viraram celebridades no mundo fashion e isso afetou suas rotinas. O documentário registra a participação de algumas delas para uma campanha de uma marca francesa, de outras para um programa de TV, a participação na semana de moda.

Cena de Advanced Style

A velhice é um tabu, associado a doenças, a decrepitude, mas será uma realidade para a maioria de nós, já que a expectativa de vida só tem crescido. É inspirador ver essas mulheres que decidiram não desistir da vida e esperar a morte, com muitas mulheres das suas gerações costumam fazer. Como outra das nossas queridas nos orienta: “para isso, é preciso deixar corpo e mente em boa forma”.

Cena de Advanced Style

Ari Seth Cohen diz, no começo do documentário, que começou a fotografar essas mulheres depois que sua avó morreu, para matar as saudades. De certa forma, também eu matei um pouco as saudades da minha avó, que não era fashionista, mas foi alguém com alegria de viver até os seus 102 anos de idade.

Cena de Advanced Style

Advanced Style está disponível na Netflix e é um sopro de energia ao mostrar que a velhice pode ser boa e o momento em que podemos parar de nos importar de vez com o que os outros pensam. Libertador, até.

 


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Roberta AR

Gosto de escrever (o que acabou virando trabalho) e de café. Participo da cena de quadrinhos independentes desde 2007, atuando principalmente na divulgação e na produção. Também sou zineira e escritora.