Mães nada convencionais do cinema

Você já parou pra pensar na influência que a figura materna exerce em sua vida? E já pensou como os estereótipos de maternidade geralmente remetem a um modelo de mãe que na verdade nem existe mais? Afinal, a vida moderna exige das mães a mesma flexibilidade e jogo de cintura que exige de nós: é preciso trabalhar, estudar, dar conta de centenas de compromissos, filhos, contas…

Pensando nisso, selecionamos alguns filmes que apresentam mães um pouco fora do padrão que estamos mais acostumadas a imaginar. Elas quebram tudo, deixam os filhos malucos ou simplesmente arrasam na banda de rock! Confira:

Cher em Minha mãe é uma sereia (Mermaids, 1990)

Com Cher no papel da mãe (Sra. Flax) e Winona Ryder como a filha adolescente Charlotte, a história trata da relação delicada entre a mãe super descolada, independente e sexy com a filha que é praticamente uma beata. Cristina Ricci é Kate, a irmã mais nova, com 9 anos e que acaba ficando no meio da relação conturbada entre as duas. Com diálogos muito verossímeis e cenas que representam muito bem as mudanças que as três enfrentam para se adaptarem à vida em uma nova cidade, a história tem algumas cenas mais marcantes que servem como ponto de partida para algumas discussões. Com atuação impecável de três grandes atrizes, é uma película imperdível.

 

Meryl Streep em Mamma Mia (Mamma Mia, 2008)

Um musical com as melhores canções do grupo ABBA interpretadas por ninguém menos que Meryl Streep. Qualquer filme com ela já é praticamente garantia de ser um sucesso, mas em Mamma Mia, como mãe de Sophie (Amanda Seyfrield), conhecemos uma mulher que cria sua filha sozinha em uma ilha afastada do litoral grego. O motivo para que Donna (Meryl) tenha fugido da civilização é o fato de não saber qual dos três namorados que ela teve, quando vivia o verão do amor hippie, seria o pai de sua filha. Mas Sophie está prestes a se casar e quer conhecer seu pai, então convida os três possíveis candidatos para o casamento.  A confusão está armada, mas ao som da trilha sonora que acompanha perfeitamente a narrativa, acabamos nos emocionando e torcendo para que tudo dê certo no final, ainda que a chegada das amigas de Donna deixe tudo ainda mais atrapalhado na pacata ilha. Me julguem, mas eu sou dessas que choram quando a Meryl Streep canta Slipping Through my fingers, ao se dar conta que sua filha cresceu e já não é mais sua menininha… E em The Winner takes it all.

 

Ashley Judd em Divinos Segredos (Divine Screts of the Ya-Ya Sisterhood, 2002)

Em Divinos Segredos, Siddalee (Sandra Bullock) precisa superar e perdoar sua mãe (Ashley Judd) para que possa seguir em frente com sua vida e entender alguns de seus comportamentos. Depois de escrever um livro ressentido em que sua mãe é mencionada como uma mulher ausente e excêntrica, as amigas mais antigas de Vivi (Ashley) resolvem intervir de forma não muito comum e sequestram Siddalee para que ela possa conhecer a verdade que lhe havia sido negada durante toda vida e que em nada se parece com a ideia que tinha do passado.  Com atuação tocante de Ashley Judd como uma mulher com transtornos psiquiátricos e que se vê sozinha diante da criação de três filhos, vamos descobrindo que, apesar da verdade ser mais pesada do que Siddalee imaginava, era algo que ela precisava saber para mudar a ideia de que sua mãe a havia abandonado. É um filme sensível, sobre amor, perdão, ressentimento e as complicações da maternidade com o qual muitas mães e filhas irão se identificar.

 

Julie Walters em Harry Potter ( todos eles!)

A sra. Weasley é definitivamente a mãe que todo mundo gostaria de ter! Ela dá conta de um monte de filhos, 7 no total, de uma casa mágica e de um marido atrapalhado, tudo isso com o maior bom-humor do mundo e sempre com dicas inprescindíveis a todos que a ela recorrem. Figura importante em todos os filmes da série, acolheu Harry Potter e quem mais precisasse de um esconderijo seguro na divertida casa. Bruxa de mão cheia, é ela quem dá a palavra final nas decisões da família, sempre agindo de forma que consiga equilibar o amor que sente pelos filhos, com a severidade que precisa em algumas situações.

 

Linda Hamilton em O Exterminador do Futuro (Terminator, 1984)

Sarah Connor! Esse é o nome da mãe mais poderosa que você respeita! Linda Hamilton imortalizou a personagem no primeiro filme da série em 1984, tornando-se uma referência de mulher forte, decidida e implacável. Ao saber que um exterminador do futuro está atrás de seu filho para impedir que ele se torne o líder da rebelião contra as máquinas, Sarah se mune de coragem e fibra e o que mais estiver ao seu alcance para lutar e garantir que John continue vivo.

Sigourney Weaver em A Vila ( The Village, 2004)
A vila é um suspense psicológico que aborda as relações dos jovens de uma vila e os adultos, entre eles Alice Hunt (Sigorney), sobre decisões que envolvem a segurança de todos os habitantes do lugar que é isolado do resto do mundo. Ao longo de toda história, sabemos que existem monstros na floresta que cerca a vila e que os anciãos (adultos) tomam as decisões em relação à busca de mantimentos e outros assuntos, de forma que não sabemos exatamente porque tudo acontece, mas é notavel que os anciãos escondem algo. Na medida que a narrativa se desenrola e chegamos às conclusões do filme, a reflexão que se dá é: levando em conta tudo que Alice viveu e toda violência do mundo moderno, você como mãe, não teria tomado as mesmas decisões que ela?
Annette Bening em Correndo com Tesouras (Running with Scissors, 2006)
Annette Bening interpreta Deidre, uma mulher que sofre com transtorno bipolar do humor e que coloca o filho em situações bizarras em decorrência da sua falta de noção em determinadas ocasiões. O filme é narrado na perspectiva de Augusten, filho de Deidre, já que se baseia no relato autobiográfico do escritor homônimo, Augusten Bourroughs. Por mais excêntrica que Deidre seja, Augusten percebe que ela é muito “normal” quando ela o coloca em tratamento com um psiquiatra cuja família é completamente maluca. Não só isso, Deidre decide que o melhor para Augusten é morar com esse psiquiatra e a partir daí a vida dele se torna um festival de bizarrices dignos de shows de horror. É um desses filmes que nos faz pensar no quanto as mães determinam muitas de nossas decisões e comportamentos e no quanto a sociedade não sabe lidar com mães que sofrem com transtornos psiquiátricos. Apesar de ser classificado como comédia, se pararamos pra pensar em tudo que Deidre e Augusten passaram, não há muitos motivos para rir.
Katheleen Turner em Mamãe é de Morte (Serial Mom, 1994)

Essa é a mãe que ninguém vai querer contrariar! Bervely Suthphin (Katheleen) é a dona de casa “perfeita” até que uma professora resolve implicar com um de seus filhos e ela desenvolve um gosto peculiar por assassinatos em série. A partir daí, Bervely perde o controle e passa a querer eliminar qualquer um que a contrarie, de forma que o pavor de quem se coloca em seu caminho chegue a ser cômica.

 

Meryl Streep em Ricki and The Flash (Ricki and The Flash)

Sim, ela de novo porque esse filme tem tudo a ver com o assunto. Em Ricki and The Flash, Meryl interpreta uma mãe rockeira que largou a família para seguir seu sonho de rock star. Mas às vésperas do casamento da filha, ela tem que lidar com assuntos pendentes e com o ressentimento do ex-marido e da filha que se sentiram abandonados, e eles precisam lidar com o fato de que ela não é exatamente uma pessoa que passaria despercebida em uma festa de casamento chique. Ao longo da história os diálogos que se estabelecem falam muito sobre a dificuldade de nos adequarmos a certos padrões e como os filhos sempre possuem certas expectativas que nem sempre as mães conseguem dar conta.

 

Michelle Pfeiffer em Nunca é tarde para amar (I could never be your woman, 2007)

Apesar do nome em português ser bem piégas, Nunca é tarde para Amar é um desses filmes que você assiste sem pretensão, com ares de Sessão da Tarde, mas que surpreende pelo enredo recheado de sarcasmo e críticas aos relacionamentos. Rosie (Michelle) acabou de se divorciar e tem uma filha adolescente que é bem questionadora, Entre crises de autoestima e a busca para se reencontrar após o fim de seu casamento, Rosie tem que lidar com o ex-marido tentando viver a adolescência perdida, andando com roupas de academia e namorando meninas mais novas, e com suas inseguranças ao se envolver com um rapaz mais novo, Paul Rudd. Mas o inusitado do filme se dá na presença de uma outra mulher, uma figura imaginária que representa a mãe natureza, que funciona como uma conselheira para Rosie, proporcionando diálogos divertidíssimos, cheios de contestação aos padrões vigentes.


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Dani Marino

Dani Marino é pesquisadora de Quadrinhos, integrante do Observatório de Quadrinhos da ECA/USP e da Associação de Pesquisadores em Arte Sequencial – ASPAS. Formada em Letras, com habilitação Português/Inglês, atualmente cursa o Mestrado em Comunicação na Escola de Artes e Comunicação da USP. Também colabora com outros sites de cultura pop e quadrinhos como o Iluminerds, Quadro-a-Quadro, entre outros.