Heroínas Negras Brasileiras em 15 cordéis: Basta de silenciamento!

Na última quinta-feira, primeiro de junho, Jarid Arraes lançou seu segundo livro Heroínas Negras Brasileiras em 15 cordéis. O evento aconteceu na Livraria Blooks do Shopping Frei Caneca. A obra alia a escrita em cordel com ilustrações que remetem à xilogravura, ambos elementos expressivos da cultura brasileira.

Conhecer essas histórias mostra como o heroísmo das mulheres negras está presente na história inteira e em várias áreas – Jarid Arraes

A autora conta que “conhecia poucas mulheres negras na história e isso incomodava muito, eu imaginava que elas existiram, mas que não tive acesso às suas histórias” A partir desse sentimento a cordelista de 26 anos começou a investigar por conta própria a biografia de mulheres negras que marcaram a história nacional.

Durante quatro anos de produção e pesquisa a autora escreveu 20 biografias em cordel. Os textos deram origem a coleção Heroínas Negras do Brasil. Superando as expectativas da escritora cearense, seus cordéis venderam mais 20 mil cópias e começaram a repercutir em estados vizinhos. O processo de pesquisa não foi fácil, Arraes conta que achar detalhes sobre a vida dessas mulheres foi uma tarefa árdua. Pois há poucos registros históricos sobre essas personagens e o número de fontes confiáveis também é escasso.

Livro explora a importância do protagonismo de mulheres negras na história | Foto: Divulgação

No livro, a história das líderes quilombolas Teresa de Benguela e Dandara dos Palmares está ao lado da trajetória das escritoras Carolina Maria de Jesus e Maria Firmina dos Reis. Há também a jornalista e primeira deputada negra Antonieta dos Reis e a fundadora do primeiro sindicato de empregadas domésticas Laudelina de Campos, além de muitas outras biografias. “Elas são bem diversas, não só nas regiões, e na época em que viveram, mas também nas trincheiras em que elas lutaram”, ressalta a escritora.

Jarid conta que seus cordéis começaram a ser usados em salas de aula, como parte do material didático. “Quando comecei a escrever não tinha essa pretensão, mas alguns professores começaram a usar meus cordéis, pedir material e também me dar retorno das atividades que faziam nas escolas, fiquei muito emocionada. Principalmente porque eu me imaginei como uma das crianças”.

Arraes explica que não imaginava que seu material seria usado como instrumento para o ensino de crianças. Isso porque fala abertamente sobre coisas como escravidão e abuso sexual. Mas acredita que a repercussão de seus cordéis está relacionada a uma carência do mercado editorial, pela falta de materiais que explorem o assunto principalmente pelo viés histórico.

O livro aborda a história tando de líderes quilombolas quanto de ativistas políticas do século XX | Foto: Divulgação

Quando questionada a respeito das histórias que mais a marcaram Arraes cita as duas escritoras presentes no livro. Carolina Maria de Jesus viveu no início do século XX, a escritora autodidata publicou poesias e romances de forma independente, foi fundadora da primeira escola mista brasileira com o objetivo de difundir o conhecimento que adquiriu. Já Maria Firmina viveu durante o século XIX, e apesar de seu conhecimento literário, caiu no esquecimento por recusar os estereótipos que o mercado editorial impunha a ela, afirma a escritora.

Para compor os 15 cordéis que estão no livro, a escritora escolheu mulheres de diferentes áreas de atuação e que viveram em diferentes épocas da história brasileira. Isso, para conscientizar que em todos os períodos históricos as negras lutaram por seus direitos e por seu reconhecimento. A obra foi publicada pela editora Pólen e ilustrada pela designer Gabriela Pires, a parceria das duas mulheres negras rendeu uma obra rica em história e cultura brasileira.

Heroínas Negras Brasileiras em 15 Cordéis

Editora Pólen

R$ 35,00


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