O legado de Adam West

“As pessoas dizem que nunca devemos encontrar nossos heróis para não nos decepcionármos. Adam West não me decepcionou” – Travis Langley, autor do livro A Psicologia do Batman.

Considerado por muitos fãs (eu, inclusive!) como o Batman “que vale”, Adam West ficou conhecido por interpretar o personagem na série de TV dos anos 60.  Embora muitos artistas não gostem de ficar marcados por um único personagem, Adam West acabou abraçando sua condição e morreu aos 88 anos, em decorrência de uma leucemia, como o Batman mais divertido de todos os tempos.

A série, criticada por sua falta de seriedade, passava no Brasil no incício dos anos 80, por isso, quem tem mais de 30 anos, como eu, conheceu sua primeira referência de super-herói por meio dele. Lembro de pedir ao Papai Noel que me desse uma Bat-Caverna de natal, afinal,  era o lugar mais descolado da face da Terra, ao menos para uma criança.

Bat-Caverna

Referenciado em diversas obras, a série acabou dando origem a uma HQ de mesmo nome: Batman 66 e, apesar do personagem ser apresentado de forma mais caricata e divertida, lembraremos sempre que um super-herói não precisa ser mau-humorado e carrancudo para lutar contra o crime. Não à toa, até recentemente, West apareceu em diversos programas interpretando ele mesmo e foi homenageado em Lego Batman. Além de ter aparecido em alguns episódios de séries e desenhos, também emprestava sua voz ao Homem-Sereia, no desenho do Bob Esponja, referência facilmente reconhecível para os fãs, mesmo que o personagem se parecesse com o Aquaman, hehe!

Repelente de tubarão, uma das bat-bugigangas do seriado de 66

O que realmente fica para nós é o “sentimento de que Batman nunca estava brincando com a importância da lei e da ordem, honestidade e bondade. O mundo do Batman da TV era uma piada, mas para o Batman de West, a bondade não era motivo de risada. Quando Batman consolava uma criança assustada, ele era o pai amável que muitos espectadores só podiam sonhar, alguém que realmente se importava. Hippies e artistas do centro da cidade podiam falar no show tudo o que eles queriam e falar sobre isso como arte pós-moderna ou uma sátira sobre os valores americanos”*, pois, embora nós não percebessemos algumas nuances, a série trazia uma série de críticas e questionamentos sobre o momento político e social dos EUA.

Então, que melhor maneira de ser lembrado do que um herói que além de salvar o dia, ainda fazia isso com muito bom humor?

*http://www.vulture.com/2017/06/adam-west-batman-legacy.html

 



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Dani Marino

Dani Marino é pesquisadora de Quadrinhos, integrante do Observatório de Quadrinhos da ECA/USP e da Associação de Pesquisadores em Arte Sequencial – ASPAS. Formada em Letras, com habilitação Português/Inglês, atualmente cursa o Mestrado em Comunicação na Escola de Artes e Comunicação da USP. Também colabora com outros sites de cultura pop e quadrinhos como o Iluminerds, Quadro-a-Quadro, entre outros.