7 canções feministas pioneiras

A música pop contemporânea está cheia de hinos poderosos sobre a independência e força das mulheres. Mas, antes do  movimento Riot Grrl , o pop chiclete de rádio, o funk e o sertanejo com letras empoderadas invadirem as paradas, um dia, já foi  algo bastante corajoso – e controverso – cantar sobre a igualdade de gêneros nesse nosso mundinho misógino hostil.

Que tal a gente conhecer um pouco mais sobre a história dessas canções, intérpretes, compositoras que estiveram à frente do seu tempo declarando a capacidade,  competência e todas as dores e delícias de ser mulher ?

“Just Because I’m a Woman” – Dolly Parton

“Yes I’ve made my mistakes, but listen and understand, my mistakes are no worse than yours just because I’m a woman.”

“Sim, cometi meus erros, mas escute e entenda: meus erros não são piores do que os seus, só porque sou mulher”.

Em 1968, Dolly Parton  atingiu em cheio os sexistas com  com seu álbum solo Just Because I’m A Woman. A canção foi um hino anti slut-shamming antes mesmo da expressão sequer existir.

 

“Four Women” – Nina Simone

“Minha pele é amarela, meu cabelo é longo. Vivo entre dois mundos. Mas meu pai era rico e branco. Forçou minha mãe numa noite. E como me chamo? Meu nome é Saffronia”.”

A Quatro Mulheres, de Nina Simone, detalha diferentes arquétipos femininos e aborda questões de identidade de  mulheres negras em uma América pós-emancipação. Uma poderosa música feminista negra, Four Women, tão poderosa quanto outras músicas de Nina Simone, como Young Gifted and Black e I got a Life.

 

“You Don’t Own Me” – Lesley Gore

“And don’t tell me what to do. Don’t tell me what to say. And please, when I go out with you, don’t put me on display.”

“E não me diga o que fazer. Não me diga o que dizer. E, por favor, quando eu sair com você, não me exiba como se eu fosse um troféu”

Considerado  um “hino feminista”, na época, essa música ressurgiu recentemente nas paradas com uma versão da cantora australiana Grace e faz parte da trilha sonora do filme Esquadrão Suicida, sendo a música-tema da vilã Arlequina.

 

“Sisters, O Sisters” –  Yoko Ono

“Freedom, O freedom, thats what we fight for. And yes, my dear sisters, we must learn to fight.”

“Liberdade, oh  liberdade de, é por isso que lutamos. E sim, minhas queridas irmãs, devemos aprender a lutar”.

Nesta música feminista um pouco otimista, Yoko Ono convida as suas companheiras privilegiadas para se levantarem e ajudar suas irmãs oprimidas. “Irmãs,oh irmãs”, apareceu em seu álbum com John Lennon,  de 1972  Some Time in New York City.

 

You Let Me Down”  – Billie Holiday

“You told me that I was like an angel. Told me I was fit to wear a crown. So that you could get a thrill. You put me on a pedestal. And then you let me down, let me down.”

“Você me disse que eu era como um anjo. Me disse que eu era feita para usar uma coroa. Para que você pudesse se sentir excitado. Você me colocou em um pedestal. E então você me decepcionou, me decepcionou”.

Enquanto a música é ostensivamente sobre uma mulher desprezada por seu amante, análises mais profundas por estudiosos, como Angela Davis, sugerem que ela é de fato sobre a opressão sistêmica no racismo e no sexismo. Billie Holyday, essa mulher incrível.

 

“No More Tears (Enough Is Enough)” – Donna Summer and Barbra Streisand

“If you’ve had enough, don’t put up with his stuff, don’t you do it. If you’ve had your fill, get the check pay the bill, you can do it. Tell him to just get out. Nothing left to talk about. Pack his raincoat show him out. Just look him in the eye and simply shout: Enough is enough”

“Se você já passou por coisas demais, não aguente mais essas coisas, não faça isso. Diga-lhe para sair Nada mais precisa ser falado. De o caso de chuva pra ele e diga-lhe para sair. Apenas olhe-o nos olhos e simplesmente grite: Chega “.

Este dueto empoderadtor de Donna Summer e Barbra Stresiand dá ás mulheres a coragem de deixar relacionamentos abusivos e as faz entender que não precisamos de homem algum para o que quer que seja.

 

“Do Right Woman, Do Right Man”  – Aretha Franklin

“A woman’s only human. You should understand. She’s not just a plaything. She’s flesh and blood just like her man.”

“Uma mulher é apenas um ser humano. Você precisa entender. Ela não é  um brinquedo. Ela é carne e sangue, assim como seu homem”.

O single de Franklin em 1967, Do Right Woman, Do Right Man, encoraja os homens a respeitar as mulheres e tratá-las como iguais ao invés de usá-las. Não precisa dizer mais nada, né?


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Gabriela Franco

Jornalista especializada em cultura pop, produtora, cineasta e mãe da Sophia e da Valentina

Criadora do MinasNerds.