Bem-vindo ao lar, Spidey!

O ano era 2002 e Homem Aranha: o filme, de Sam Raimi, com Tobey Maguire como o cabeça de teia, tinha acabado de sair no cinema. Como nerd/ louca por super-heróis desde o berço e fã do Aranha, não pude deixar de conferir, cheia de expectativas. Saí do cinema encantada, com olhos marejados por ter visto o meu herói finalmente retratado com fidelidade nas telonas, e previ uma onda de filmes de quadrinhos inundando Hollywood.

Bem, acertar na loteria não acerto, mas, dito e feito. Estamos vivendo o auge dessa febre. E se eu me emocionei com o Homem-Aranha de  Reimi, meu coração de aracnofã não estava  NADA  preparado para HOMEM-ARANHA – DE VOLTA AO LAR – Jonh Watts – EUA 2017 – da Marvel Studios.

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Ok, já sabemos do imbróglio envolvendo o triângulo Marvel Homem-Aranha-Sony, certo? Nos anos 90 Marvel estava falindo quando se desmembrou em vários Horcruxes (leia-se: vendeu direitos de exibição no cinema de vários personagens seus para diversos outros estúdios) e um desses estúdios foi a Sony, que ficou com um pilares da Marvel, um de seus personagens mais carismáticos, a cereja do bolo: Spider-man. Portanto o que se sabe, os direitos do personagem são da Sony ainda, mas a Marvel o “pediu emprestado” para o filme.

Peter Parker, Spider-man, Homem-Aranha, foi uma das MELHORES criações da dupla Stan Lee e Steve Ditko, nos anos 60 e carrega em si a epítome clássica do herói, aquela que enche nosso coração de alegria e contentamento: é um adolescente nerd, incrivelmente inteligente, bondoso, altruísta, o amigão da vizinhança, que só se dá mal, no afã de tentar provar para si e para o mundo que ele pode ser melhor: melhor do que o mundo o julga, melhor do que ele mesmo se enxerga.

A Sony, vamos lá, não fez TÃO FEIO assim com o herói: dos três filmes dirigidos por  Raimi, o primeiro e o segundo se destacam, tanto em interpretação quanto pelo elenco e roteiro e, mais tarde, Marc Webb assumiu a sequência com Espetacular Homem-Aranha, 1 e 2, trazendo um Peter Parker ainda MAIS próximo das HQs da época, mais piadista,  mais leve, mais moderno, vivido por Andrew Garfield. E então, logo após a tão esperada aparição do escalador de paredes no filme Capitão América: Guerra Civil, a Marvel anunciou o filme solo do herói,  produzido finalmente pela MARVEL STUDIOS, estrelado pelo incrível Tom Holland. Alea Jacta Est. Foi um alvoroço.

O público já estava revirando os olhos quando soube que haveria um outro filme do Aranha:. “MAIS UM FILME DE ORIGEM? AH NÃO!” – Aviso:  De Volta ao Lar NÃO É um filme de origem. Mas a alusão do título não é nada sutil e é sim, um filme criado pela casa que deu origem ao herói, é um filme finalmente feito POR fãs e PARA fãs do Aranha. É o filme que a Marvel SEMPRE QUIS fazer sobre o Aranha. E é maravilhoso.

Logo depois do grande evento que dividiu os Vingadores e destruiu várias cidades ao redor do mundo com Capitão América: Guerra Civil, o jovem Peter Parker (Tom Holland) com a ajuda de seu atual mentor Tony Stark (Robert Downey Jr)  tenta equilibrar sua vida como estudante do ensino médio em Queens, Nova York enquanto luta contra o crime na vizinhança com seu alter-ego Homem-Aranha. Peter espera, ANSIOSAMENTE, participar de outra GRANDE MISSÃO, e finalmente se juntar aos Vingadores. Isso, quando uma ameaça, vinda do crime organizado chamada ABUTRE, coloca em xeque tudo o que Peter mais preza: seus amigos, seu bairro, sua escola, seu caráter.

O que você vê em De Volta ao Lar é a ESSÊNCIA do Homem-Aranha. Um adolescente  totalmente conectado ao nossos tempos: gravando vídeos no celular, se comunicando por whatsapp, sendo famoso no Youtube. Tentando encontrar sua identidade, como garoto e como herói. Tentando equilibrar a experiência de ter lutado ao lado dos Vingadores e de conhecer Tony Stark, com a tentativa de ainda ser aceito por sua turma na escola, tirar notas boas, obedecer sua tia, se declarar para amiga de classe gatinha e ajudar a todos a seu redor. Isso sem NUNCA perder a rapidez de pensamento, as sacadas e bom-humor afiado que fizeram do Aranha um dos personagens mais magnéticos da Marvel.

O filme tem tudo isso e é praticamente um GRANDE FANSERVICE de fazer marvete chorar: Tem Aranha tentando se adaptar ao novo uniforme feito por Stark, Tem Aranha em poses IDÊNTICAS às do gibi, tem Aranha com face dividida de Ditko (famosa nos 60! Sempre que o sentido aranha era aguçado)  tem MONTES de personagens coadjuvantes, organizações e easter eggs  que aparecem nas HQs e que vão fazer fãs vibrarem com referências. Tem inclusive uma grande homenagem ao diretor de filmes adolescentes dos anos 80, John Hugues <3

E tem os vilões, a gangue do Abutre (vivido pelo IN-CRÍ-VEL Michael Keaton) com a presença de alguns vilões menores no filme, mas que poderão vir a ser aproveitados posteriormente, como Shocker, Escorpião e Construtor, por exemplo.

Michael Keaton faz um Abutre TOTALMENTE verossímil. Com peso, gravidade, maldade dignas de um vilão de HQ, mas em nada caricato. Um cara que existiria totalmente dentro do contexto tecnológico que vivemos. Me lembrou um pouco a igualmente notável interpretação de Alfred Molina como Dr Octopuss, nos filmes de Sam Raimi,  mas ainda assim, mais plausível.

Fiquei um pouco chateada com a presença (ou a falta dela) das MULHERES no filme. Elas quase não aparecem. Quando o fazem, são totalmente pontuais, apesar de terem falas importantíssimas e cruciais, nada degradantes ou estereotipadas, ainda faz falta uma mina de presença.. Tia May (Marisa Tomei) ainda carrega a pecha de “tia gostosa do Peter” e isso rende várias piadas, vindas de Tony Stark e do tiozinho da venda que achei  totalmente desnecessárias,  feitas para garotinhos de 5ª Série B (mais conhecida como a faixa etária masculina que vai dos 5 aos 50 anos) darem risada. Fica aqui meu protesto.

De resto, os pontos negativos ficam com o CGI que deixa a desejar em alguns momentos e algumas cenas nada plausíveis ou verossímeis, que forçam um pouco os limites da Física. 

Mas até aí, estamos falando de um filme de super-herói que sobe em paredes, portanto, desconsiderem. No mais, Ah, também tem um FURO CRONOLÓGICO bem grande com relação à filmes do  MCU, não entendi como deixaram isso passar, mas fãs vão notar.

Enfim, De Volta ao Lar é perfeito. É Spider-man puro, incrível e apaixonante. E Tom Holland é o Homem-Aranha como Hugh Jackman era o Wolverine e Robert Downey Jr é o Homem de Ferro. É o papel da vida dele. É um filme DIVERTIDÍSSIMO, onde você ri, gargalha, se emociona, um filme que o Homem-Aranha merecia.

Pra quem pensou que “santo de casa não faz milagres” Homem-Aranha: De Volta ao Lar, prova que sim. Vai ser MUITO BEM recebido, fazendo o milagre da multiplicação de fãs e cifrões pra Marvel (e Sony) ao redor do globo. Welcome back, Spidey.

PS: AS CENAS PÓS-CRÉDITO SÃO AS MELHORES DA MARVEL, EVER!


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Gabriela Franco

Jornalista especializada em cultura pop, produtora, cineasta e mãe da Sophia e da Valentina

Criadora do MinasNerds.