Como estudar cultura pop academicamente?

Quem frequenta o nosso grupo no Facebook já deve ter percebido que existe uma quantidade enorme de pesquisas e questionários realizados por lá. Os assuntos variam desde comportamento e gostos ao universo da cultura pop em geral.

Sendo assim, também é possível notar que muitas pesquisas possuem objetos e metodologias em comum, afinal, é natural que havendo a possibilidade, nós nos dediquemos a estudar algo que gostamos muito. É o que acontece com personagens muito populares como a Sailor Moon, a Mulher-Maravilha, as fanfics e os doramas.

Não à toa, existem duas situações bem recorrentes:  você começar a estudar algo sem ter consciência de tudo que já existe sobre o assunto, porque você está conhecendo este universo agora ou de se dar conta que algo é tão popular que já existem milhares de estudos pubicados em diversas áreas, o que pode indicar que um ou outro trabalho seja uma cópia, plágio mesmo, de algum outro.

Apresentando um trabalho nas 3ª Jornadas internacionais de quadrinhos

A verdade é que quando se trata de um artigo, um TCC, monografia ou dissertação de mestrado, nenhuma dessas produções têm a obrigação quanto ao ineditismo da pesquisa. Tanto, que uma busca rápida no Google acadêmico com as palavras “Mulher-Maravilha Sadomasoquismo” traz 45 resultados e “Mulher-Maravilha Feminismo” traz 307.

É preciso entender que o plágio é caracterizado quando há semelhança de trechos inteiros de um trabalho sem que a fonte original seja creditada por ele. Porém, é muito difícil garantir a exclusividade de um objeto quando este está inserido em uma cultura de massa que impossibilita seu acesso restrito. Ou seja, certas relações são óbvias e serão exploradas à exaustão, até que sua problematização se esgote, como é o caso de mangás e gênero, Mulher-Maravilha e feminismo, Guerra-Civil e política, X-men e homofobia ou racismo e por aí vai.

Uma dica para saber se o que você pretende estudar já tem muita publicação sobre é fazer a busca no Google Acadêmico e nos anais de eventos promovidos pelas universidades, principalmente nos cursos de letras, artes, audiovisual, comunicação, história, educação e ciências sociais. Na área de letras é comum que se explore a análise dos discursos de certas obras, a semiótica ou as traduções e versões para outras mídias de obras literárias. Em artes, costuma-se abordar muito o processo criativo dos artistas. Em história, as relações das produções com seu contexto. Em comunicação, os processos de comunicação e a recepção. Em ciências sociais, as questões sociais que se relacionam com o comportamento e com os valores vigentes em determinados períodos. Em educação há vários estudos sobre as aplicações e usos da HQ em sala de aula.

Capa de uma publicação acadêmica sobre quadrinhos. (Foto do dia da apresentação de palestra sobre gênero)
https://www.dropbox.com/s/5hd4kpea6fgmn80/Esquadrinhando%20Completa.pdf?dl=0

Eu sou pesquisadora de histórias em quadrinhos, então, posso deixar aqui algumas dicas de páginas e livros que podem ser usados para iluminar essas questões relacionadas ao que já foi ou não publicado e sobre onde se inteirar mais sobre o assunto.

Uma boa dica, além de participar de grupos de estudos nas redes sociais é conhecer grupos presencias na sua região. É bem provavél que haja um bem perto de você. Eu faço parte da ASPAS – Associação de Pesquisadores em Arte Sequencial, que tem sede em Leopoldina, MG, mas é formada por pesquisadores de todos os cantos do país, já que os fóruns internacionais são intinerantes e acontecem a cada dois anos, então, é possível se associar de qualquer parte do Brasil, independentemente da sua área de atuação com os quadrinhos. Hoje, com cerca de 70 associados, há biólogos, geógrafos, historiadores,pedagogos, enfim, literalmente, gente de todas as áreas.

A Natania Nogueira e a Valéria Fernandes são duas das minhas colegas da Aspas e ambas mantém blogs sobre quadrinhos e mangás que, embora não sejam exclusivamente focados em pesquisas acadêmicas, grande parte de seus textos são resultantes de estudos sobre temas diversos relacionados ao universo das HQ. Vale a pena acompanhar o HISTÓRIA E ENSINO SEM FRONTEIRAS e o SHOUJO CAFÉ.

Então, fica de olho aqui nesses links e boa pesquisa!

Jornadas Internacionais de Histórias em Quadrinhos 

Acontecem a cada dois anos na USP, sempre nos anos ímpares e em agosto. Pesquisadores do país e de outras partes do mundo apresentam comunicações sobre HQ em 3 dias. Ao final de cada dia, há palestras com autores ou outros pesquisadores renomados.

Observatório de Histórias em Quadrinhos da ECA- USP

Um dos grupos mais antigos de estudos de HQ do mundo, se reúne nas primeiras sextas-feiras de cada mês,no prédio central da Escola de Comunicação e Artes. Sempre das 20:00 às 22:00, nos colóquios são discutidos livros e trabalhos sobre quadrinhos. As reuniões são abertas ao público e são gratuitas. Todos são sempre bem-vindos.

Nona Arte

Periódico dedicado à publicação de artigos e resenhas acadêmicas sobre HQ

Grupos e páginas de pesquisa no Facebook

Jab POP
Pesquisa em Histórias em Quadrinhos
Educação e Quadrinhos
CultdeCultura
Grupo de Estudos de Histórias em Quadrinhos (GEHQ) – Franca

Livros

RAMOS, Paulo Eduardo (Org.) ; VERGUEIRO, W. C. S. (Org.) ; FIGUEIRA, D. (Org.) . Quadrinhos e literatura: Diálogos possíveis. 1. ed. São Paulo: Editora Criativo, 2014. v. 1. 264p .

VERGUEIRO, W. C. S. (Org.) ; RAMOS, P. E. (Org.) ; CHINEN, N. (Org.) . Os pioneiros no estudo de quadrinhos no Brasil. 1a. ed. São Paulo: Editora Criativo, 2013. v. 1. 80p .

VERGUEIRO, W. C. S. (Org.) ; RAMOS, Paulo Eduardo (Org.) ; NOBUIOSHI, Chinen (Org.) . Intersecções acadêmicas: Panorama das 1as Jornadas Internacionais de Histórias em Quadrinhos. 1. ed. São Paulo: Editora Criativo, 2013. v. 1. 327p .

VERGUEIRO, W. C. S. (Org.) ; SANTOS, Roberto Elísio dos (Org.) . A história em quadrinhos no Brasil: Análise, evolução e mercado. 1. ed. São Paulo, SP: Editora Laços, 2011. v. 1. 272p .

RAMA, Angela (Org.) ; VERGUEIRO, W. C. S. (Org.) ; BARBOSA, Alexandre (Org.) ; RAMOS, Paulo Eduardo (Org.) ; VILELA, T. (Org.) . Como usar as histórias em quadrinhos na sala de aula. 4. ed. São Paulo: Contexto, 2010. v. 1. 155p .

VERGUEIRO, W. C. S. (Org.) ; RAMOS, Paulo Eduardo (Org.) . Quadrinhos na educação: da rejeição à prática. 1. ed. São Paulo: Editora Contexto, 2009. v. 01. 224p .

VERGUEIRO, W. C. S. (Org.) ; RAMOS, Paulo Eduardo (Org.) . Muito além dos quadrinhos: análises e reflexões sobre a 9a arte. 1. ed. São Paulo: Devir, 2009. v. 1. 207p .

VERGUEIRO, W. C. S. (Org.) ; RAMA, Angela (Org.) . Como usar as histórias em quadrinhos na sala de aula. 3. ed. São Paulo: Contexto, 2006. v. 1. 155p .

CALAZANS, Flávio Mário de Alcântara. História em quadrinhos na escola. São

Paulo: Paulus, 2004.

LUYTEN, Sonia.Histórias em Quadrinhos e Leitura Crítica. São Paulo, Editora Paulinas, 1989

sites

http://sonialuyten.blogspot.com.br/

https://www.dropbox.com/s/5hd4kpea6fgmn80/Esquadrinhando%20Completa.pdf?dl=0

http://blogdosquadrinhos.blog.uol.com.br/

 

http://tesegazy.blogspot.com.br/

http://www.uscs.edu.br/posstricto/comunicacao/dissertacoes/2012/pdf/dissertacao_osvaldo_da_silva_costa_ovelha_negra2.pdf

http://ciberpaje.blogspot.com.br/

https://www.youtube.com/watch?v=auCie_T6Mec

http://nacao.net/2010/10/27/quadrinhos-na-academia-paulo-ramos-2010/

http://intranet.fainam.edu.br/acesso_site/fia/academos/revista5/1.pdf

http://www.academia.edu/1991063/O_Papel_do_Acad%C3%AAmico_nos_Quadrinhos_Estudos_de_Caso

 

 

 

 


Os artigos aqui publicados são de total responsabilidade de suas autoras e editoras.

Dani Marino

Dani Marino é pesquisadora de Quadrinhos, integrante do Observatório de Quadrinhos da ECA/USP e da Associação de Pesquisadores em Arte Sequencial - ASPAS. Formada em Letras, com habilitação Português/Inglês, atualmente cursa o Mestrado em Comunicação na Escola de Artes e Comunicação da USP. Também colabora com outros sites de cultura pop e quadrinhos como o Iluminerds, Quadro-a-Quadro, entre outros.