Como escrever uma redação?

Compartilhamos recentemente temas que podem ser sugeridos na redação do ENEM 2017. Porém, nem todo mundo está familiarizado com a confecção de redações. Entre os hábitos fundamentais para escrever bem, estão, obviamente, o da leitura e o da escrita. Escrever bem, assim como qualquer outra habilidade, exige prática, de preferência, diária.

No entanto, não é possível escrever bem sem o mínimo de repertório e só adquirimos repertório consumindo diversos tipos de narrativas, desde matérias jornalísticas a livros de ficção, filmes e observação do cotidiano.

A coesão e a coerência de seu texto irão depender da sua capacidade de relacionar o seu repertório adquirido por meio da leitura de diversas fontes com o tema sugerido, ou seja, sua capacidade de articulação depende muito de tudo que você tiver feito e aprendido até o dia da prova.

Um bom exercício para checar sua argumentação e capacidade de entregar uma mensagem é o de escolher um determinado tema, estuda-lo e expô-lo a colegas ou parentes, pedindo que lhe façam perguntas. Se você conseguir responder às perguntas de forma convincente, provavelmente conseguirá organizar suas ideias em um texto sobre o mesmo assunto.

Escrever uma pequena redação não é nenhum bicho de sete cabeças! Seguindo algumas dicas, podemos confeccionar um texto coeso e objetivo. Vamos lá?

Uma redação com 4 ou 5 parágrafos, cada um com 3 a 5 linhas, seguindo essa estrutura:

1º Parágrafo: Apresentação do tema de forma superficial, citando 2 ou 3 tópicos que você possa desenvolver nos próximos parágrafos;

2º parágrafo: Desenvolvimento de um dos tópicos citados no 1º parágrafo;

3º parágrafo: Desenvolvimento de outro tópico citado no 1º parágrafo;

4º parágrafo: Conclusão baseada em leituras prévias e no que foi apresentado anteriormente.

O uso das abreviações

Muito se discute sobre o uso excessivo de abreviações na confecção de mensagens de texto instantâneas e como essa modalidade de comunicação influencia a produção de outros textos como e-mails, relatórios profissionais e composições acadêmicas.

“Quem prega a abreviação alega que o objetivo é dinamizar a comunicação” diz Arnold Gonçalves do site do escritor. Embora o uso de abreviações possa mesmo tornar a troca de informações mais dinâmica, é preciso lembrar que seu uso não é adequado em e-mails e relatórios profissionais.

Em relação aos textos acadêmicos, vale frisar que essas abreviações mudam com a mesma velocidade dos avanços tecnológicos, por isso, uma mensagem que apresenta muitas abreviações pode não ser compreendida por seu leitor. Um bom exemplo é SDS no final de uma mensagem: uns interpretam como “saudades”, enquanto outros poderiam entender “saudação”.

Apesar dos argumentos que muitas pessoas apresentam em favor do uso dessas abreviações devemos ter em mente que textos acadêmicos e relatórios profissionais são, acima de tudo, documentos cuja principal intenção é armazenar, difundir determinada informação de forma clara e, se possível, atemporal.

Portanto, o uso excessivo de abreviações pode comprometer a função do texto escrito bem como a mensagem que ele pretende transmitir.

As dicas abaixo foram compartilhadas pela internet em tom de brincadeira, mas são extremamente úteis:

 

DICAS DIVERTIDAS PARA ESCREVER BEM (extraídas de correntes enviadas por e-mail ou viralizadas em sites de redação):

1. Evite repetir a mesma palavra, porque essa palavra vai se tornar uma palavra repetitiva e, assim, a repetição da palavra fará com que a palavra repetida diminua o valor do texto em que a palavra se encontre repetida!

2. Fuja ao máx. da utiliz. de abrev., pq elas tb empobrecem qquer. txt ou mensag. que vc. escrev.

3. Remember: Estrangeirismos never! Eles estão out! Já a palavra da língua portuguesa é very nice! Ok?

4. Você nunca deve estar usando o gerúndio! Porque, assim, vai estar deixando o texto desagradável para quem vai estar lendo o que você vai estar escrevendo. Por isso, deve estar prestando atenção, pois, caso contrário, quem vai estar recebendo a mensagem vai estar comentando que esse seu jeito de estar redigindo vai estar irritando todas as pessoas que vão estar lendo!

5. Não apele pra gíria, mano, ainda que pareça tipo assim, legal, da hora, sacou? Então joia. Valeu!

6. Abstraia-se, peremptoriamente, de grafar terminologias vernaculares classicizantes, pinçadas em alfarrábios de priscas eras e eivadas de preciosismos anacrônicos e esdrúxulos, inconciliáveis com o escopo colimado por qualquer escriba ou amanuense.

7. Jamais abuse de citações. Como alguém já disse: “Quem anda pela cabeça dos outros é piolho”. E “Todo aquele que cita os outros não tem ideias próprias”!

8. Lembre-se: o uso de parêntese (ainda que pareça ser necessário) prejudica a compreensão do texto (acaba truncando seu sentido) e (quase sempre) alonga desnecessariamente a frase.

9. Frases lacônicas, com apenas uma palavra? NUNCA!

10. Não use redundâncias, ou pleonasmos ou tautologias na redação. Isso significa que sua redação não precisa dizer a mesmíssima coisa de formas diferentes, ou seja, não deve repetir o mesmo argumento mais de uma vez. Isso que quer dizer, em outras palavras, que não se deve repetir a ideia que já foi transmitida anteriormente por palavras iguais, semelhantes ou equivalentes.

11. A hortografia meresse muinta atensão! Preciza ser corrijida ezatamente para não firir a lingúa portuguêza!

12. Não abuse das exclamações! Nunca!!! Jamais!!! Seu texto ficará intragável!!! Não se esqueça!!!

13. Evitar-se-á sempre a mesóclise. Daqui para frente, pôr-se-á cada dia mais na memória: “Mesóclise: evitá-la-ei”! Exclui-la-ei! Abominá-la-ei!”

14. Muita atenção para evitar a repetição de terminação que dê a sensação de poetização! Rima na prosa não se entrosa: é coisa desastrosa, além de horrorosa!

15. Fuja de todas e quaisquer generalizações. Na totalidade dos casos, todas as pessoas que generalizam, sem absolutamente qualquer exceção, criam situações de confusão total e geral.

16. A voz passiva deve ser evitada, para que a frase não seja passada de maneira não destacada junto ao público para o qual ela vai ser transmitida.

17. Seja específico: deixe o assunto mais ou menos definido, quase sem dúvida e até onde for possível, com umas poucas oscilações de posicionamento.

18. Como já repeti um milhão de vezes: evite o exagero. Ele prejudica a compreensão de todo o mundo!

19. Por fim, Lembre-se sempre: nunca deixe frases incompletas. Elas sempre dão margem a
Fontes: http://www.abnt.org.br/

http://www.valdiraguilera.net/bem-escrever.html

http://www.sitedoescritor.com.br/sitedoescritor_sob_encomenda_redacao_00056.html

Tipo de parágrafo: alinhamento – justificado / primeira linha com

espaçamento de 1,5. Fonte : Arial 12.


Os artigos aqui publicados são de total responsabilidade de suas autoras e editoras.

Dani Marino

Dani Marino é pesquisadora de Quadrinhos, integrante do Observatório de Quadrinhos da ECA/USP e da Associação de Pesquisadores em Arte Sequencial – ASPAS. Formada em Letras, com habilitação Português/Inglês, atualmente cursa o Mestrado em Comunicação na Escola de Artes e Comunicação da USP. Também colabora com outros sites de cultura pop e quadrinhos como o Iluminerds, Quadro-a-Quadro, entre outros.