Cris Camargo representa o quadrinho indie brasileiro na Fête de la BD

Autora de “O Último Maranishi”, a quadrinista brasileira Cris Camargo será a única da cena independente no estande da Embaixada do Brasil em Bruxelas na Fête de la BD, considerada por muitos a mais importante feira de quadrinhos do mundo, que acontece de 1 a 3 de setembro de 2017.

Esta será a primeira participação do Brasil na feira, com um estande feito em parceria com a Oca ASBL, ONG dedicada à difusão da cultura lusófona na Bélgica. Será realizada uma exposição de quadrinhos infanto-juvenis e o evento contará também com a participação dos quadrinhistas brasileiros Adão Iturrusgarai e Cyntia Bonacossa.

Conversamos um pouco com a Cris Camargo, que nos falou sobre o evento e um pouco mais sobre o seu trabalho.

Como surgiu o convite para participar do estande na Fête de la BD?

Tudo começou quando a presidente da ONG Oca ASBL – que divulga a cultura brasileira em Bruxelas – foi contatada pelo setor cultural da Embaixada do Brasil para apresentar o acervo de quadrinhos infanto-juvenis que eles têm na biblioteca. Eles não tinham nenhum quadrinho independente para mostrar no evento. Ela já conhecia meu trabalho, e então me contatou.

Que outros artistas que produzem para o público infantil estarão expondo?

No segmento infanto-juvenil terá quadrinhos do Maurício de Sousa e do Rafael Coutinho. Na literatura, a exposição contará com trabalhos do Ziraldo.

Cartaz da participação do Brasil no evento

 

Qual a importância desse tipo de divulgação para o quadrinho brasileiro?

Considero muito importante porque ainda há poucos quadrinistas brasileiros conhecidos lá fora. E aqui não me refiro aos artistas que trabalham para grandes editoras, mas sim aos que produzem seus próprios títulos, tiras e webcomics. O pessoal da ONG me disse que quando o assunto é quadrinho brasileiro, o primeiro nome que o público europeu cita é o Maurício de Sousa, por isso acho muito importante ajudar a mostrar lá fora o quanto a produção brasileira de HQ é vasta e diversificada. Infelizmente, por parte de alguns quadrinistas brasileiros, ainda existe uma mentalidade bairrista e provinciana que chama de “colonizado” todo autor que valoriza a atenção do mercado internacional ao seu trabalho. Estas pessoas parecem esquecer que quanto mais um autor investir no mercado internacional, maior será a divulgação do quadrinho brasileiro e da cultura do nosso país lá fora. A representante do setor cultural da Embaixada do Brasil em Bruxelas já me convidou para participar presencialmente da Fête de la BD de 2018. Se tudo der certo, pretendo levar vários quadrinhos independentes brasileiros para a próxima exposição. Principalmente quadrinhos de minas. No que for possível, pretendo ajudar nessa divulgação.

Ainda há pouco destaque para autores brasileiros da cena independente que produzem para crianças. Como foi para você o processo de começar a fazer quadrinhos dirigidos também para esse público?

Quando resolvi começar a publicar meus quadrinhos ainda não tinha bem definido na minha cabeça qual público eu pretendia atingir. À medida que a história foi tomando forma, vi que todas as referências que me encantaram dos sete aos quinze anos apareciam ali. Então foi um processo bem espontâneo. O que não quer dizer que a história não agrade também a adultos, muito pelo contrário. Tenho recebido um feedback bastante positivo de leitores da minha geração.

Página de “O Último Maranishi”

Você tem um bom retorno de crianças?

“O Último Maranishi” tem classificação indicativa para doze anos, de acordo com as diretrizes “oficiais”, mas a HQ chama bastante a atenção de crianças de todas as idades que gostam desse tipo de aventura envolvendo extraterrestres e monstros gigantes. Nos eventos, muitas crianças pedem para os pais comprarem. E sempre fico muito feliz quando uma criança me diz que gostou da história. O retorno desse público me animou a investir em um projeto paralelo: um livro infantil a ser lançado no ano que vem, em parceria com uma escritora.

Onde podemos encontrar seu trabalho?

“O Último Maranishi” está à venda em lojas especializadas em quadrinhos de São Paulo, Belo Horizonte, Salvador, Porto Alegre, Curitiba e Recife. Também é possível adquirir diretamente comigo na área dos artistas de alguns eventos, pelo correio, ou acompanhar online em www.oultimomaranishi.com.br

(Facebook: www.facebook.com/maranishi )


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Roberta AR

Gosto de escrever (o que acabou virando trabalho) e de café. Participo da cena de quadrinhos independentes desde 2007, atuando principalmente na divulgação e na produção. Também sou zineira e escritora.