As Cientistas: 50 mulheres que mudaram o mundo

Para começarmos, considero importante destacar o título original da obra que vamos tratar: Woman in Science: 50 fearless pioneers who changed the world. Em português, uma tradução literal ficaria mais ou menos assim: Mulheres na ciência: 50 pioneiras destemidas que mudaram o mundo. E sim, acreditem. É preciso muita coragem pra fazer o que essas mulheres fizeram. Da filosofia à física quântica, se hoje nós temos alguma dose de representatividade nas diversas áreas do conhecimento, foi devido ao esforço delas.

Aliás, as próprias áreas do conhecimento não seriam as mesmas sem as suas contribuições. A ciência da computação, por exemplo, hoje um campo predominantemente masculino, tanto no mercado de trabalho, quanto na academia, teve seu desenvolvimento favorecido pelo trabalho de mulheres. Ada Lovelace foi a primeira pessoa a criar um programa de computador, inspirado nos cartões perfurados usados nos teares mecânicos. Grace Hopper criou o primeiro compilador e a Cobol, a primeira linguagem complexa de computação. Graças a ela, praticamente todas as pessoas podem aprender a codificar.

Katherine Johnson, física e matemática

Mas não fica só na computação. Lilian Gilbreth, psicóloga e engenheira industrial, prestava consultorias com seu marido em indústrias, analisando questões de ergonomia para tornar o trabalho dos operários mais fácil e rápido. Quando seu marido morreu ela não conseguia mais ser contratada, porque os empresários não queriam receber ordens de uma mulher. Diziam que o lugar da mulher era na cozinha. E ela decidiu ir para a cozinha então! Passou a aplicar os estudos de ergonomia e movimento nas tarefas domésticas, criando ferramentas e layouts que diminuíram o tempo de trabalho e permitiram às donas de casa explorar interesses mais estimulantes. Ela reinventou o espaço da cozinha moderna e criou ferramentas que utilizamos ainda hoje, como as prateleiras nas geladeiras e os pedais nas latas de lixo.

Tudo isso em apenas 3 exemplos. Imaginem a quantidade de contribuições que estão compiladas nessas 50 mini biografias ricamente ilustradas e escritas com uma linguagem fácil, que cativa na primeira página. O livro conta ainda com um glossário ilustrado de algumas palavras mais técnicas e um conjunto de ilustrações de ferramentas de laboratório, ideal para os pequenos que se interessam pela ciência. De Hipátia, nascida em Alexandria, até Maryam Mirzakhani, que trabalha atualmente em Stanford, estão presentes mulheres de diversas áreas, incluindo psicologia, biologia, física e engenharia. Que elas sirvam de inspiração para a nova geração e para nós mesmos na busca de fazer melhor a cada dia, sem perder de vista nossos sonhos. Independente do quanto o patriarcado nos oprima.

Rosalind Franklin, química e técnica em cristalografia de raios x

A autora, Rachel Ignotofsky é natural de New Jersey e mora atualmente em Kansas City, Missouri. Formada em Design Gráfico, acredita que a ilustração é um recurso poderoso para tornar a aprendizagem empolgante. Ela usa seu trabalho para difundir sua mensagem sobre educação, aprendizagem científica e poder feminino. E bota poder feminino nisso. As cientistas: 50 mulheres que mudaram o mundo é seu primeiro livro, publicado no Brasil pela editora Blucher. O segundo, Woman in sports: 50 Fearless Athletes Who Played to Win, ainda sem versão em português, é dedicado às mulheres que fizeram bonito no esporte ao longo dos anos.

 

Ficha técnica

Livro: As cientistas: 50 mulheres que mudaram o mundo

Autora: Rachel Ignotofsky

Editora: Blucher

Ano: 2017

Páginas: 127


Os artigos aqui publicados são de total responsabilidade de suas autoras e editoras.

Bianca Ferreira

Psicóloga, mestranda em psicanálise e dona da Bianqueria.