DEU LIGA – Liga da Justiça é bom, sim!

Estreia hoje, em circuito nacional, Liga da Justiça (EUA – Justice League – Zack Snyder 2017), talvez  um dos filmes mais esperados de nossa infância nerd.

Ele vem na sequência de Batman Vs Superman, mas dessa vez acerta.  🙂

Nele, Mulher-Maravilha, Batman, Flash, Cyborg e Aquaman precisam livrar o mundo do novo ataque alienígena, proveniente das Caixas Maternas, que têm o poder tanto de criar quanto destruir planetas. O vilão Lobo da Estepe (Steppenwolf-  personagem criado por Jack Kirby nos anos 70 para “o Quarto Mundo” – que pega os fãs de surpresa, pois muitos apostavam, que o vilão da vez seria Darkseid) é o responsável por juntar os 3 elementos das caixas maternas que estavam espalhadas sob o cuidado das amazonas, dos atlantes e dos homens, potencializar seu alcance e assim, instaurar o apocalipse na Terra. Parece uma tarefa fácil, mas o cara é bem durão na queda e tem como aliados demônios cibernéticos (parademônios) que se alimentam de MEDO e que foram atraídos à Terra justamente por ela estar mergulhada em trevas e pavor, após a morte de Superman.

E já que estamos falando de MEDO…

Antes de qualquer coisa, vamos nos lembrar de que, depois de Batman vs Superman, outro filme muito esperado por fãs e que mais pareceu uma colagem aleatória de cenas, sendo que algumas eram interessantes outras completamente desnecessárias, o medo de que Liga da Justiça fosse outro grande fiasco era ENORME. Mas bem, podem respirar aliviados. O filme não é uma obra-prima, mas também não faz feio de jeito nenhum.

Como em todo filme de equipe, ele é bem dividido e competente ao introduzir todos os personagens ao público, seu ambiente, seus poderes e personalidade. Batman segue sendo o líder da equipe , tentanto juntar seres com poderes excepcionais para proteger a Terra na ausência de seu grande e maior protetor : Superman. Ele também enxerga a terefa como uma missão e um dever, já que é movido pela culpa. E bem, o Batman é o Batman, o cavaleiro das trevas, a noite escura de nossa alma que tanto amamos: é soturno, é pesado, é distante, frio, analítico, calculista e está muito muito bem retratado por Ben Affleck, que interpreta um Batman muito menos carismático que o de Christian Bale, por exemplo.

Aquaman poderia ter sido melhor aproveitado, mas no final das contas ficou bem divertido e descolado.  Foi claramente inspirado no Aquaman de Novos 52, (fase das HQs anterior ao Renascimento) que gerou alguma das melhores histórias e uma espécie de renovo do personagem criado por Paul Norris e Mort Wesinger nos anos 40. A sensação é a de que Jason Momoa está sendo ele mesmo. O que não é de todo  ruim, pois o ator tem o physique du role (e que physique, pelo amor de Poseidon) e as coisas acabam se encaixando e fazendo jus a um ótimo personagem, que foi achincalhado e subaproveitado durante muito tempo.

Cyborg  (Ray Fisher) tem um desempenho mediano e pouco carismático, mas no entanto, tem um papel crucial para a trama e suas interações com Flash e Aquaman sâo divertidas.

Mulher-Maravilha (Gal Gadot) está bem descaracterizada, em comparação ao seu filme solo, que foi dirigido por Patty Jenkins. O que nos mostra a diferença gritante entre um  homem e uma mulher, dirigindo a heroína.  Está mais retraída, mais reticente, mais feminilizada, Apesar do roteiro apontar uma espécie de “justificativa” pelo seu comportamento diferenciado, o que parecia ser sua marca registrada: sua ferocidade e liderança, não estão ali. E ainda há uma sugestão de flerte com Batman, Vai vendo.  Mas, como sempre, continua roubando a cena lindamente e salvando a DC.

As cenas com as amazonas sâo MUITO BOAS, talvez algumas das melhores cenas de batalha do filme e sobre a questão das roupas, a maioria delas aparece bem coberta, como em MM, MAS, existem sim, alguns closes em amazonas de top exibindo suas barrigas tanquinho, apesar de serem rápidos. Mas estão lá, sim.

Flash (Ezra Miller) é claramente o alívio cômico do rolê. Mas pareceu muito pueril e bobo. Poderia ter sido retratado como sendo um pouco mais inteligente, com um humor um pouco mais sofisticado e não tão infantil, o que acaba sendo um desperdício frente a capacidade dramática de Ezra Miller, um ÓTIMO e brilhante ator. Mas com certeza, as melhores tiradas do filme são dele. A impressão que fica é de que o personagem foi francamente baseado no Flash das animações da DC, com um apelo mais infantil e fanfarrão.

O roteiro FINALMENTE faz sentido, graças a Joss Whedon que dá coerência à trama e ainda a conecta com fatos do filme anterior (Batman vs Superman) e deixa ganchos para boas histórias sequenciais. Ele é RECHEADO de fanservice e os nerds graduados vão sair com olhos marejados em algumas cenas. A direção de Zack Snyder não parece tão problemática, os slow motions estão comedidos e nos momentos certos, a movimentação de câmera é vertiginosa e precisa, muito bem trabalhada em closes e supercloses e as cores, uau, melhoraram, apesar de que as cenas em Atlântida poderiam ter sido mais vívidas.

O que notamos e não gostamos de verdade, foram de alguns closes desnecessários no corpo de Gal Gadot, em algumas cenas, o que claramente deixa a diferença entre uma direção masculina e feminina bem pontuada.

Câmeras vindo de baixo pra cima quando a atriz estava dependurada em algum lugar e uma cena com a câmera vindo por trás onde a bunda da atriz acaba ocupando metade da tela. O figurino de Diana também está bem diferente do filme solo da heroína, obviamente eram épocas diferentes, mas ela está muito mais sexy agora, mas isso não chega a ser  um problema como no caso dos closes, evidente objetificação e uso sexualizado do corpo da atriz.

Liga da Justiça funciona. Não é uma primazia de filme digno de Oscar, mas funciona. A construção da intimidade e da interação da equipe é muito gostosa de acompanhar, os diálogos e piadas estão ficando cada vez mais rápidos e inteligentes, as particularidades de cada membro são respeitadas e bem trabalhadas e olha só, a DC colocou DUAS CENAS pós-créditos que vão mexer com o coração dos fãs.

Em suma, é um filme divertido. Tem alguns erros sim, a DC é BEM PIEGAS na abordagem de certos temas. Por lidar com um universo muito mais fantástico do que o da Marvel, por exemplo, a sensação que fica é a do uso exacerbado do deus ex machina para resolver a trama  e isso incomoda muito alguns, mas no geral, é um filme que cumpre seu papel: conta uma história com começo, meio e fim, diverte e  entretém toda a família.

E retrata os heróis que fizeram parte de nossa infância e formação, em carne e osso nas telas. E isso é maior do que qualquer critica ou suposta falha técnica que ele possa vir a ter. Isso é paixão.

Continua DC. O caminho se mostra maravihoso.

 


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Gabriela Franco

Jornalista especializada em cultura pop, produtora, cineasta e mãe da Sophia e da Valentina

Criadora do MinasNerds.