Girl’s Talk! Dando voz às mulheres da periferia

 O CEU Capão Redondo, na Zona Sul, periferia de São Paulo, foi palco para um encontro que reuniu 10 mulheres e  meninas que estão ajudando a transformar o mundo e empoderar outras garotas compartilhando suas histórias. O Girl´s Talk, organizado pela Plan Internacional Brasil foi o primeiro talk para garotas da periferia. Bem ali, onde mora tanta garra, arte e resistência – endereço que tantas vezes é esquecido pela mídia (ou apontado apenas como cenário de violência e exclusão). Após o sucesso dessa edição a Plan International Brasil quer levar o talk para outras periferias.

 O evento aconteceu em celebração ao Dia Internacional da Menina, 11 de outubro, instituído pela ONU, com objetivo de evidenciar a desigualdade de gênero e promover os direitos das meninas. Agora, toda a vivência compartilhada no Capão Redondo pode ganhar tantas outras meninas pelo país, que compactuam das mesmas realidades. Os vídeos, verdadeiras aulas de empoderamento feminino, estão disponíveis no YouTube e prontos para estimular a reflexão de toda a sociedade e chegar em tantos outros endereços esquecidos desse Brasil. 

10 mulheres, 10 histórias:

Eliane Dias é moradora do bairro Capão Redondo, advogada, empresária e coordenadora do SOS Racismo na Assembleia Legislativa de São Paulo (ALESP). Fundadora da produtora Boogie Naipe, com o companheiro Mano Brown, hoje ela é responsável pela carreira dos Racionais MC’s. Eliane traz à imprensa nacional debates sobre ser mulher e mirar em seus objetivos para realiza-los independentemente da sua cor, raça e classe social – com um exemplo vivo de vitória, sua história. Destacou a importância, a necessidade da união das mulheres para irem mais longe. Sororidade é a palavra. Sobre independência, afirmou que “filho não segura homem e casamento não é aposentadoria”, realizando um discurso empoderado, forte e realista. Link: 

Jéssica Moreira é cofundadora do coletivo “Nós, Mulheres da Periferia”, que visa construir novas narrativas a partir da voz de mulheres periféricas. A iniciativa venceu os prêmios de mídia negra Almerinda Farias Gama e Antonieta de Barros. Também colabora na “Agência Mural de Jornalismo das Periferias” e na “Rede Jornalistas das Periferias”. Ela relatou sua experiência emocionante de, enquanto garota periférica, unir toda a família em torno de um sonho: “ir para o estrangeiro”, como seu pai dizia pouco antes de falecer. Link:

A divertida Buh D’Angelo é fundadora da InfoPreta, empresa de reparos e serviços de tecnologia que emprega exclusivamente mulheres negras. Formada em eletrônica, automação industrial e robótica, desenvolveu o negócio para dar oportunidade de trabalho a pessoas que estão à margem do mercado. Ela também desenvolve workshops ligando diversidade e tecnologia. Buh faz a seguinte pergunta: onde estão as mulheres na tecnologia? Na literatura, elas estão. Link:

Carolina Peixoto é poetisa, pedagoga e agente cultural. É uma das criadoras do Slam das Minas SP, batalha de poesias só para mulheres, e integrante do coletivo “Poetas Ambulantes”, história inspiradora que há cinco anos declama e distribui poesias nos transportes públicos. Carol tem dois livros: o infantil “Bola, Lápis e Papel” (2013) e o de poemas “DEZluas” (2017). Link: 

Mel Duarte também integra o coletivo “Poetas Ambulantes”, é poeta e produtora cultural. Uma das organizadoras da batalha de poesias “Slam das Minas SP”. Em 2016 ela foi destaque no sarau da Feira Literária Internacional de Paraty e a primeira mulher a vencer o Rio Poetry Slam. Publicou os livros “Fragmentos Dispersos” em 2013 e “Negra Nua Crua” em 2016. Com palavras cheias de vitalidade e empatia, arrepiou as garotas que puderem conhecer a força da poesia. Link: 

Alice Juliana é fundadora do grupo “Juventude em Ação Social Comunitária”, cuja missão é levantar a discussão sobre gênero e direitos reprodutivos com meninas e mulheres na cidade de Timbiras, no Maranhão. O objetivo é convidá-las a explorarem e entenderem seus corpos, em nome de sua autonomia, saúde e segurança. Após a gravidez na adolescência numa pequena cidade do Maranhão – repleta de outros obstáculos – sua auto estima e vontade de vencer aumentaram ainda mais. Ela é um exemplo vivo que essa situação, por mais difícil que seja, não deve calar a voz e os sonhos de uma garota. Link: 

Gabi Oliveira é a criadora do canal DePretas no YouTube, e uma das youtubers negras mais influentes do Brasil. Com mais de 100 mil inscritos e outros milhares de seguidores nas redes sociais, Gabi aborda assuntos que vão de racismo e feminismo até maquiagem e cuidados para cabelos crespos, sempre de forma didática e despojada. Seu depoimento sobre transição capilar é encorajador e reforça a aceitação da beleza natural existente em todas as mulheres. Link:

Maria Clara Araújo é uma ativista afrotransfeminista, estudante de pedagogia e idealizadora do projeto “Pedagogia da Travestilidade”, que coloca em diálogo a educação e a experiência vivenciada por mulheres trans. Maria Clara escreve para os sites Blogueiras Negras e Transfeminismo.com e espera, com a ajuda de sua profissão, amenizar o sofrimento das meninas trans no trajeto educacional. Link:

Viviana Santiago, gerente técnica de gênero na Plan Internacional Brasil e militante pelos direitos das meninas e da população negra apontou dados sobre o matrimônio infantil. “o casamento é colocado de forma tão natural na vida dessas meninas… a gente não consegue perceber toda a violência desse processo”, conta. Mulher, nordestina, professora e mãe, levantou pontos imprescindíveis sobre a realidade do casamento infantil e as inúmeras violências que se impõe como consequência dessa prática e da educação da sociedade no Brasil. Link:

Anná é cantora e compositora da Moóca (SP), com seu batuque, cantou a gordofobia. “não é sobre ser gorda, é sobre o peso de se estar acima de um peso”, dizia uma das faixas que abordam temas como a ditadura dos padrões de beleza e a violência de gênero. Link:

 

Sobre a Plan International
A Plan International Brasil está há 80 anos no mundo e 20 anos em território brasileiro lutando pela defesa dos direitos das crianças e adolescentes – lutando por um mundo mais justo que promova os direitos das crianças e igualdade para as meninas. Os programas beneficiam 1,5 milhões de crianças em 71 países. No Brasil organização possui hoje mais de 20 projetos, impactando aproximadamente 70 mil crianças e adolescentes começando a partir da primeira infância e continuam com foco no desenvolvimento integral de crianças, adolescentes e jovens, o que inclui promover a formação política e cidadã de meninas e meninos, melhorar a qualidade de ensino nas escolas e oferecer qualificação profissional e habilidades para a vida com foco no ingresso de jovens no mercado de trabalho.

(Via release)


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Gabriela Franco

Jornalista especializada em cultura pop, produtora, cineasta e mãe da Sophia e da Valentina

Criadora do MinasNerds.