A comunhão entre passado e presente em Samurai 7

Samurai 7 é um mangá lançado pela Editora JBC em dois volumes, de cerca de 208 páginas cada. O autor, Mizutaka Suhou, atualizou a história contada pelo diretor Akira Kurosawa no filme Os sete samurais, lançado no Japão em 1954. O filme se passa no século XVI, durante a era Sengoku, quando os poderosos samurais de outrora estavam com os dias contados pois eram agora desprezados pelos seus aristocráticos senhores (samurais sem mestre eram chamados de “ronin”). Kambei, um guerreiro veterano sem dinheiro, chega em uma aldeia indefesa que foi saqueada repetidamente por ladrões assassinos. Os moradores do vilarejo pedem sua ajuda, fazendo com que Kambei recrute seis outros ronins, que concordam em ensinar os habitantes como devem se defender em troca de comida.

Já no mangá, a história é adaptada e passa a conter elementos desse passado feudal japonês, ao mesmo tempo em que inclui guerras interplanetárias, com naves espaciais super modernas e espadas ultra poderosas e tecnológicas. Essa história se passa numa época em que a humanidade havia migrado para outros planetas do Sistema Solar e que uma guerra espacial dividiu a atmosfera da Terra em duas. O longo conflito devastou vários territórios da face do planeta e máquinas de massacre destruíam tudo por onde passava. Na linha de frente das batalhas, havia homens que enfrentavam os armamentos móveis valendo-se apenas de seu próprio corpo e de espadas chamadas Katana Antitanque – os Samurais.

Porém, a guerra foi perdida e os Samurais voltaram para a Terra e passaram a viver sem emprego, sem ter mais com o que contribuir e sem o respeito das pessoas, que costumavam ver neles exemplos a serem seguidos. Nesse contexto é que nossa história se inicia, com um jovem chegando à uma cidade e se intitulando como Samurai e com uma vila que recebeu uma ameaça de saqueadores e envia representantes para a cidade, a fim de encontrar Samurais dispostos a defendê-la.

O que se destaca, desde o início, é justamente a comunhão entre o passado e o presente que vemos se desenrolar. A vila de agricultores, as vestimentas e as relações sociais nos remetem à época feudal japonesa e à essa cultura milenar que faz parte de obras clássicas, como Lobo Solitário (que mostramos nessa lista de Mangás clássicos que toda mina deve conhecer). Um exemplo disso é a admiração pelos Samurais que o personagem principal nutre, se esforçando sempre para conseguir trilhar esse caminho de desenvolvimento pessoal, auxílio ao próximo e rigidez moral. Mas, ao mesmo tempo, temos o contexto da guerra espacial perdida, as cidades tecnológicas e as armas superpotentes, além dos robôs e androides como parte natural do cotidiano. Nesse contexto, os elementos futurísticos não se fundem com os clássicos, mas formam uma mistura heterogenia única e bastante original, que consegue te prender à história e te surpreender a cada página.

 

Ficha técnica

Mangá: Samurai 7

Autores: Mizutaka Suhou e Akira Kurosawa

Editora: JBC

Ano: 2017

Páginas: 208

Classificação etária: 14 anos

 


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Bianca Ferreira

Psicóloga, mestranda em psicanálise e dona da Bianqueria.