As Melhores HQs Gringas de 2017

Chegou a hora de elegermos as melhores HQs gringas deste ano que foi marcado por MUITOS lançamentos tanto nacionais quanto internacionais. Desses últimos, muitos ainda não chegaram por aqui, mas outros tantos que nunca imaginamos que fossem vir para o Brasil, vieram. Foi um ano de gratas surpresas editoriais, mas a velocidade de publicações é tão grande que muitas vezes fica impossível acompanhar.

Por conta do enorme fluxo de publicações, o que não é NADA RUIM (não estamos reclamando) decidimos ser BEM seletivas e sim, muita coisa vai ficar de fora.

Pra começar, vamos emplacar uma dupla da IMAGE, (que é a nova Vertigo. nunca cansamos de falar e que hoje em dia tem títulos infinitamente mais representativos e diversos que a Marvel e DC ) que vem roubando os primeiros lugares desde o ano passado.

Paper Girls

 

Falamos sobre Paper Girls, aqui. Que HQ fenomenal, bem na vibe STRANGER THINGS, ambientada nos anos 80, com um plot que aborda ficção científica, mistério, relações interpessoais, representatividade, diversidade, adolescência. Com o traço incrível de Cliff Chiang e a narrativa magnética do novo mestre Brian k. Vaughn. Se você não leu, LEIA. Foi publicada aqui no Brasil pela DEVIR e já vai para o terceiro volume.

 

The Wicked + The Divine

 

Também já citamos The Wicked + The Divine ano passado, ano em que foi lançado aqui no Brasil. Mas os demais números da série são tão incríveis que vale sua inclusão na lista de melhores de 2017. TWPTD é escrita por Kieron Gillen e ilustrada por Jamie McKelvie e foi francamente inspirada na cultura pop e na notícia triste da doença terminal do pai do autor, motivo do tema recorrente das histórias ser geralmente sobre vida, morte e divindades. A narrativa foca em um grupo de super-humanos poderosos conhecidos como “Panteão”. Cada membro do grupo nasce como uma pessoa comum até ter sua origem divina revelada. Após essa revelação as divindades tem um tempo limite de vida de 2 anos. Isso ocorre a cada 90 anos, onde uma nova seleção de 12 deuses é reencarnada. Esse ciclo é conhecido como Recorrência. Esses deuses vêm à Terra no corpo de celebridades da música pop. A deusa Amaterasu é francamente inspirada na cantor Florence Welsh, e Lúcifer, em David Bowie, é claro. Já está indo para o terceiro número e foi publicado no Brasil pelo Geektopia.

Obs: O autor criou uma setlist no Spotify para que os leitores ouçam enquanto aproveitam as histórias, saca só: THE WICKED +THE DIVINE

Thor

(Mighty Thor nos EUA) – A Poderosa Thor

Desde que foi lançada no Brasil, Thor vem conquistando mais e mais fãs. Escrita por Jason Aaron e ilustrada por Russel Dauterman, a série, que aqui no Brasil está no #6, mostra a incrível Jane Foster tendo que aplacar diversos reinos em que entram em guerra em Asgard, enquanto trava uma luta muito maior, em sua versão humana, contra o câncer que a consome. Humana e deusa, incrivelmente empoderadora. A revista #3, onde Freyja e Thor enfrentam Odin é um HINO feminista. Vontade de recortar os quadrinhos e grudar no espelho do banheiro para nos motivar todos os dias. Maravilhosa. Nas bancas, pela Panini.

 

 

Lanternas Verdes – Jessica Cruz

 

A mensal dos Lanternas Verdes também foi uma grata surpresa esse ano com o Renascimento por apresentar um recorte mais próximo da personagem Jessica Cruz, criada por Geoff Johns e Ethan Van Sciever. Jéssica é a primeira mulher terráquea a ser membro da Tropa e da Liga da Justiça. A revista está no #18 nos EUA e por aqui ainda estamos no #9, com roteiro de Sam Humphries e uma vasta galeria de artistas, incluindo Ed Benes, Robson Rocha, Eduardo Pansica e Ronan Cliquet. O autor explora bastante a questão da SÍNDROME DE PÂNICO da personagem (obs: minissérie Vilania Eterna, em 7 edições e Liga da Justiça #30) tratando de modo muito humano e delicado os desafios da personagem, como por exemplo sua luta de MESES para conseguir fazer um construto com o anel, o que deu um gostinho de vitória a todos os leitores que acompanharam suas conquistas. Representatividade e feminismo: check <3

 

 

Batwoman

Depois de sua estreia em Detective Comics a ruiva mais perigosa de Gotham ganha finalmente um título solo, o Batwoman Begins. Escrito por Marguerite Bennet e James T, Tynion IV e arte de Ben Oliver e Steve Epting, AINDA SEM DATA DE ESTRÉIA NO BRASIL, mas PARECE que vai sair em ENCADERNADO, segundo esta entrevista que Levi Trindade deu para nossos parceiros , Mansão Wayne.

Com uma abordagem bem diferente da explorada em Detective Comics, a revista solo aborda muito a questão de Kate ser mulher e lésbica, sua relação com Gotham, sobre como todos esses assuntos se mesclam e as diferentes formas que ela lida com todas essas situações. (Rafaela Melaré Rosa – Cabrito Nerd) – Só nos resta esperar ser publicada por aqui e que seja RÁPIDO!

 

 

 

America Chavez  (Ok, não entra nas melhores. Mas vale a pena ser mencionada pela discussão que gerou)

 

Outro lançamento bombástico de 2017 que veio e se foi com a mesma velocidade foi a revista da America Chavez.America não é uma personagem nova, foi criada em 2008 por Joe Casey e Nick Dragotta em uma das ínumeras tentativas da Marvel de renovar seu time de personagens apresentando uma nova geração com títulos como Fugitivos e Novos Vingadores, por exemplo. A própria America fez parte da Legião Jovem, A-Force e Supremos e agora voltaria, em HQ solo, escrita por Gabby Rivera, lésbica e militante da causa LGBT.

O lançamento foi bem barulhento, pois ela é a PRIMEIRA heroína latina e lésbica da Marvel e prometia um show de representatividade com referências na música pop (a capa fazia menção ao clipe de Formation da Beyoncè) e linguagem bem atual, mas as vendas foram um fiasco e a revista foi cancelada meses depois de ter sido lançada.

Muitos dos leitores, homens e mulheres foram unânimes em alegar que as histórias foram fracas e algumas situações pareciam forçadas.

O cancelamento culminou em uma discussão sobre a diversidade estar “matando” os quadrinhos de heróis, quando na verdade a falta de uma boa equipe criativa, planejamento de divulgação para o público alvo e alta quantidade de lançamentos da editora foram os responsáveis pela baixa da revista. Mas, a discussão foi muito boa para mostrar um tradicionalismo tacanho, homofóbico e misógino no ambiente dos quadrinhos de heróis. Ainda esperamos a volta de America Chavez com uma equipe reformulada e alinhada com o que a comunidade LGBT pensa e merece.

 

Quadrinhos são RESISTÊNCIA!

Leia mais quadrinhos em 2018!

FELIZ ANO NOVO, CHEIO DE NERDICE!


Os artigos aqui publicados são de total responsabilidade de suas autoras e editoras.

Gabriela Franco

Jornalista especializada em cultura pop, produtora, cineasta e mãe da Sophia e da Valentina Criadora do MinasNerds.