14 séries que foram incríveis em 2017 que vale assistir em 2018

2017 prometeu e cumpriu: a TV americana produziu quase 500 novos seriados. Fora o que veio da Inglaterra pela BBC, Channel 4 e outras emissoras inglesas. No maior clima “TEM SÉRIE DEMAIS PRA ACOMPANHAR, TÁ PUXADO FICAR EM DIA”, consegui montar para vocês as 14 melhores séries do ano entre os 121 títulos que assisti.

Vale pontuar aqui, caso você nunca tenha visto uma lista minha de séries, costumo excluir os blockbusters que todo mundo AMA para dar destaque a produções excelentes que vale investir seu tempo. Então encare essa lista como: o que você pode ter perdido enquanto estava esbaldando-se com Game of Thrones, Twin Peaks, The Walking Dead, Strangers Things,Defensores  e Black Mirror?

Algumas das séries listadas estão fora do grande radar do buzz aqui no Brasil – e dos distribuidores formais – mas fazem um louco sucesso e trazem olhares muito frescos e diversos e valerão todo o trabalho que é localizá-las pela Internet. (A lista está em ordem alfabética, pois seria injusto rankeá-las)

The Americans

Se você nunca assistiu The Americans, trate de abrir seu Netflix e começar essa maratona. A série conta vida de dois espiões russos treinados pela KGB na época da Guerra Fria para serem cidadãos americanos perfeitos infiltrados no país e executarem uma série de missões – que por vezes envolvem até roubar os planos de construção da bomba atômica do governo americano – ao mesmo tempo que mantêm uma família, levam os filhos para a escola, convivem com os vizinhos.

Desde sua estréia, essa série continua relevante, coerente, perfeita e favorita.

Better Things

Faça todos os esforços para assistir Better Things, que acompanha a vida de Sam, uma atriz, dubladora e mãe solo de 3 filhas: Max, Frankie e Duke. Better Things é essencialmente sobre criar laços com as mulheres ao nosso redor: família, amigas, mães, irmãs.

E Sam, minhas amigas, Sam é uma das melhores mulheres da TV fazendo Pamela Adlon ser merecidamente indicada ao prêmio de Melhor Atriz em séries de comédia no Globo de Ouro.

Big Little Lies

Um livro adaptado para TV sobre a história de 5 mulheres em rica cidade do litoral de São Francisco com uma vida aparentemente perfeita. O que no começo pareceu uma série do tipo “Desperate Housewives: o pesadelo da reunião de pais e mestres” se tornou um drama incrível sobre relacionamentos abusivos envolvendo um crime misterioso com final catártico perfeito.

Big Little Lies é uma minissérie de 8 episódios que conta com um elenco maravilhoso com Nicole Kidman, Zoey Kravitz, Reese Witherspoon, Shailene Woodley e Laura Dern.

The Bold Type

Aparece uma fórmula antiga, datada e nada feminista: a série começa no primeiro dia de trabalho de uma jovem repórter na revista Scarlet. A novidade vem porque ela é inspirada na vida da ex-editora chefe da revista Cosmopolitan Joanna Coles, que nos últimos anos trabalhou muito para mudar vários paradigmas das revistas femininas.

Lógico que com um plot deste, imaginamos muita rivalidade feminina, mas a série trás todo o refresco da sororidade, do girls pull girls up no ambiente de trabalho e ainda aborda assuntos como governo Trump, assédio imigração de uma forma bem inédita e deliciosa. Com certeza você irá terminar a série querendo ser amiga de todas essas mulheres e quando você se sentir assim, fique mais feliz porque esta série já foi renovada para mais 2 temporadas.

The Good Fight

Essa série é um spin-off de The Good Wife, que teve 7 temporadas e está entre minhas séries favoritas na vida. Porém, mesmo se você não acompanhou The Good Wife, você ainda sim pode e deve se jogar em The Good Fight que acompanha a vida de 3 mulheres:

Diane Lockhart, umas das maiores e mais respeitadas advogadas da cidade de Chicago, que decide se aposentar na firma de advocacia que construiu, mas tem seus planos interrompidos quando descobre que toda sua previdência não existe mais após seu assessor de investimentos ter dado um golpe milionário em todos seus clientes, sumindo com todo o dinheiro.

Maia Rindell, afilhada de Diane, que é recém-formada em direito e na OAB, inicia sua carreira na firma que a madrinha fundou, porém, por ser filha do assessor de investimento que deu o golpe em Diane e outros investidores de Chicago, teve toda sua vida atravessada pelo escândalo que a colocou no centro das atenções da imprensa e do FBI.

Lucca Quinn, jovem e excelente advogada que trabalha em outra famosa firma de advocacia de Chicago fundada apenas por negros e especializada em casos contra a brutalidade policial.

É nesta nova empresa de advogados que essas 3 mulheres se encontram novamente e passam a acompanhar uma das raras produções da cultura pop que retrata tão bem os desejos e ambições de mulheres, passando por questões de racismo, meritocracia, ambição e muita feminilidade.

The Good Place

Eleanor morreu no estacionamento de um supermercado enquanto comprava um pacote de salgadinho e uma garrafa de tequila e acordou no céu: The Good Place. Nesse paraíso ela descobre que ela está cercada por almas dos melhores seres humanos que já passaram pela Terra e logo ela percebe que foi um erro ela ter parado ali.

Essa série estreou o ano passado e está em sua segunda temporada – o Netflix disponibiliza os novos episódio toda semana na plataforma – é uma comédia de mistério que fará você rolar de rir.

The Handmaid’s Tale

Era pra ser apenas a adaptação do futuro distópico criado por Margaret Atwood, onde uma nova ordem política mantém todas as mulheres submissas, faz com que a série se torne a mais perturbadora da TV de tão verossimilhante à nossa realidade, que, por vezes, você tem certeza que aquilo é baseado em fatos reais. São os cuidados nas atuações, na direção, na fotografia que conferem a The Handmaid’s Tale a grandiosidade que aquela história merece, a tornando obrigatória e a merecedora de todos os prêmios que vem ganhando.

Halt and Catch Fire

De todas as séries que acabaram de vez esse ano, Halt and Catch Fire foi meu adeus mais duro. Com 4 temporadas de duração, a série conta a evolução tecnológica que vivemos desde o surgimento do computador pessoal (os PCs) até à internet e a corrida para criar o melhor buscador (hoje o Google), passando até pela criação de Games.

Essa série É obrigatória para todas as mulheres que trabalham com tecnologia, são gammers, são programadoras. O que parece na primeira temporada ser mais uma série sobre homens brancos criando problemas, toda a história é tomada de assalto pelas personagens femininas: Cameron, programadora e desenvolvedora de games e Donna, executiva de tecnologia. Sob o olhar desta suas navegamos pelas décadas de 80 e 90 que foram invadidas por softwares e pela internet e fez de Halt and Catch Fire arrancar soluços de todos que as acompanharam até o final.

Insecure

Issa Rae. Que grata surpresa que a HBO nos trouxe para compensar todo o fauxprestige que o canal tenta nos enfiar goela abaixo de tempos em tempos.

Issa é assiste social que trabalha em uma ONG e mora com seu namorado em Los Angeles e debate muito, muito e muito (com ela mesma e as amigas) sobre ser mulher negra nos EUA.

Se você chegou a ver a série da Netflix “Ela quer Tudo”, esqueça o que viu. Aquilo é fantasia. Insecure é real, é de verdade e tem muito talento envolvido do roteiro à produção que inclusive tem uma direção de fotografia excelente, pensada para favorecer, exaltar e retratar a pele negra da melhor maneira como explica essa reportagem (em inglês).

Legion

Legion é a adaptação do quadrinho do mesmo nome, que pertence ao universo X-Men da Marvel. Nessa história conhecemos David – interpretado por Dan Stevens – um mutante com poderes impressionantes e incontroláveis que está preso num hospital psiquiátrico.

Legion entra para a lista pois o que era para ser uma série de super-herói, rapidamente torna-se uma série de terror de excelente qualidade e ainda nos entrega Aubrey Plaza – de Parks & Recreation – em sua maior potência.

The Marvelous Mrs. Maisel

A criadora de Gilmore Girls lançou na Amazon uma dramédia sensacional que conta a história de Midge Maisel, jovem dona de casa exemplar dos Upper East Side novaiorquino nos anos 50 que se lança no mundo das stand-up comedy em bares.

Com uma atmosfera delicada, romântica e até com ares de musicais clássicos, ela é o ambiente perfeito para abrigar todas as piadas e críticas que uma mulher pode fazer sobre o patriarcado.

Um refresco principalmente para séries do gênero que são ensopadas de masculinidade tóxica como “I’m dying up here” que a HBO lançou este ano.

Mr. Robot

Já sabemos que Mr. Robot é excelente. Mas essa 3ª terceira temporada foi

Se você não está em dia com a série, corra.

Queen Sugar

Ava DuVernay (Diretora do filme Selma, A Wrinkle in Time e do novo clipe do Jay-Z ) e Oprah Winfrey decidiram trazer para a TV mais um romance que conta a história de 3 irmãos, Charley, Nova e Ralph Angel, que herdam uma grande fazenda de cana de açúcar nos arredores da cidade de Nova Orleans.

Fica aqui meu apelo: eu vou atazanar vocês até me dizerem o que estão assistido Queen Sugar. Nenhuma outra série na TV aborda a questão do racismo estrutural na sociedade americana quanto essa. Do olhar íntimo, familiar, caseiro. Inclusive é engraçado como um diretor famoso de cinema vai pra TV todos correm para falar da série, assistir, comentar, virar fã.

Queen Sugar é da Ava fucking Duvernay. O mundo mais do que deveria estar pagando um pau para esse seriado, como o faz em relação à qualquer coisinha que os diretores-homens-brancos colocam no ar por aí e que nem mereceriam tantos aplausos.

Top of The Lake: China Girl

Quando conhecemos a detetive Robin Griff na 1ª temporada da série vimos ela resolver um dos crimes mais assustadores contra meninas na Nova Zelândia. Agora acompanhamos em seu retorno Sidney, ainda na polícia, onde passa a investigar uma rede de tráfico de mulheres.

Top of the Lake é umas séries mais aterrorizantes por investigar especificamente crimes e abusos contra mulheres e esse ano retornou com um reforço de elenco que elevou à produção a níveis quase divinos com Nicole Kidman e Gwendoline Christie. Se eu ainda não te convenci a assistir, vou deixar aqui algumas imagens.


Surpresas do ano

The Crown

O que pareceu apenas uma biografia de Betinha, a Rainha.; The Crown deu um salto incrível para o patamar de série boa de acompanhar quando passou nos oferecer

Good Behavior

 

Muitos correram para ver Michelle Dockery em sua vida pós Downton Abbey assistindo Godless na Netflix, porém o melhor de Lady Mary está em Good Behavior: uma série que conta a história de Letty, golpista e com muitos problemas com álcool e drogas que se envolve com um assassino de aluguel e juntos trabalham para recuperar a guarda de seu filho.

Confuso, né? Sim, principalmente a 1ª temporada. Mas, sabe-se lá que milagre que ocorreu na sala de roteiristas e como a TNT conseguiu trazer a maravilhosa Ann Down de The Leftovers e The Handsmaid´s Tale e acertaram demais na dose entretenimento e procedural.

Liar

Falando em ex-Downton Abbey, Joanne Froggatt protagonizou uma das minisserie mais amargas deste ano onde ela é Laura Nielson, professora recém-divorciada que retoma sua vida amorosa e sofre um estupro durante um encontro com um conhecido e respeitado médico da cidade.

A série foi ao ar na TV inglesa ao mesmo tempo que Hollywood estourava com as denúncias contra Harvey Weinstein e seu foco é exatamente sobre o processo de creditar ou descreditar a vítima e como isso impacta na sua vida social, emocional e no inquérito criminal.

The Leftovers

Confesso que torci tanto o nariz para The Leftovers desde seu lançamento. E fui de nariz torcido até a última temporada, até o momento que Carrie Coon reaparece mais velha. E a partir daí eu não parei de chorar. Meu sonho seria que toda série fosse contada pelo ponto de vista dela e não do Xerife, sem o papo que o Xerife era a solução de tudo. Carrie Coon, mulher, obrigada!


Os artigos aqui publicados são de total responsabilidade de suas autoras e editoras.

Sylvia Ferrari

Relações Públicas formada pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo com especializações em Branding e Gestão Estratégica de Negócios pela Fundação Getúlio Vargas. Escreve e fala sobre seriados intensamente aqui nos MinasNerd e em sua newsletter The S Files.