7 artistas brasileiras elegem as melhores HQs de 2017

2017 foi um ano daqueles. No meio de todas as reviravoltas políticas e sociais que assolaram o Brasil, não tivemos Festival Internacional de Quadrinhos, que foi adiado pra maio de 2018. Apesar disso, o cenário não ficou parado: tivemos inúmeros lançamentos editoriais e independentes, feiras voltadas à produção nacional como a Faísca e a Des.gráfica e muitas artistas mulheres na CCXP, o maior evento dedicado à cultura pop do país!

Dando continuidade à tradição iniciada em 2016, convidamos 7 artistas – algumas veteranas e outras, verdadeiras revelações – que lançaram quadrinhos este ano pra escolher as suas leituras favoritas de 2017. Vale tudo: HQ nacional, gringa, independente ou não – o único critério é ser muito, muito bom. E vamos à seleção!

Cris Peter

Cris Peter e a capa da sua HQ Quimera

O que lançou: Escolhas e Quimera

Sua HQ favorita de 2017: Até o Fim, de Gustavo Borges e Eric Peleias e Michel Ramalho

Capa de Até o Fim
“Por incrível que pareça, não leio muitos quadrinhos. Trabalhar na área é recompensador, mas quando chega a hora de descansar e ler algo, quadrinhos acabam ficando em último plano. Porém, esse ano me surpreendi muito com um lançamento que aconteceu agora, na CCXP: Até O Fim, do Eric Peleias e Gustavo Borges, me mostrou uma história sensível, delicada e surpreendente. Achei muito diferente, trata de um tema muito denso com uma pegada muito leve. Na nossa cultura a morte é um tabu, e é bonito ver uma obra tratando de maneira tão bonita sobre o tema”.

Júlia Helena

Júlia Helena e a capa da sua HQ Nave

O que lançou: Nave

Sua HQ favorita de 2017: Plumba, de Thiago Lehmann e Luiza McAllister

Plumba, de Thiago Lehmann e Luiza McAllister

“Sempre fui apaixonada por videogame. Passei minha vida inteira jogando, revezando com meu irmão entre o computador e o Mega Drive ou o Nintendo. Fez parte da minha formação, mesmo, horas e horas, anos e anos. Até hoje passo considerável parte do meu tempo com o controle na mão. Por isso fiquei tão fascinada com a Plumba. Troquei na CCXP  e devorei essa HQ maravilhosa em pouquíssimo tempo. Não é só a referência a games dos mais variados formatos que me encantou, no entanto. É o fato de ser uma história recheada de mulheres fortes e sensacionais. A gente sabe o tanto que isso é raro! Estamos acostumadas com aquelas personagens femininas mal trabalhadas, ou que servem apenas de apoio pro personagem principal. Elas vem e vão e acabam não fazendo tanta diferença na história. Com a Plumba voltei no tempo. Me imaginei com 12, 13, 14 anos lendo uma história tão divertida, cheia de missões maravilhosas, armas incríveis, desafios… e eu fazendo parte dessa história também. A minha recomendação desse ano é essa HQ que me fez querer morar dentro dela. Desenho maravilhoso, cores incríveis, mulheres fantásticas e uma história que você não quer que acabe”.

Carol Rossetti

Carol Rossetti e a capa da sua HQ Vento Norte

O que lançou: HQ Vento Norte

Sua HQ favorita de 2017: Alho-poró, de Bianca Pinheiro

Detalhe de página da HQ Alho-poró

“A Bianca é tipo o Kubrick dos quadrinhos. Ela conta histórias de gêneros diferentes com maestria. O desenho é sempre uma delícia, e é notável como as escolhas de cor, composição e diálogos são definidos com o propósito de tornar a narrativa especial e única. Ela define com precisão o que dizer o que que deixar em aberto, sem subestimar a inteligência dos/as leitores/as. Em Alho-poró, não foi diferente. Que conto incrível, que ótima experiência de leitura. Recomendo demais!”.

Ariane Rauber

Ariane Rauber e a capa da sua HQ Acrobata

O que lançou: Acrobata

Sua HQ favorita de 2017: O Bestiário Particular de Parzival, de Hiro Kawahara

Arte de O Bestiário Particular de Parzifal
“Foi fácil para mim escolher este lançamento, pois a identificação é imediata. Toda criança vive em um mundo paralelo da realidade, seu próprio mundo de amigos imaginários e fantasia. Eu mesma me vi nesse mundo de Parzival quando criança, com uma mãe que me incentivava a viver nele, pois acreditava que aquilo era um dom da filha que queria crescer e se tornar contadora de histórias.
No caso de Parzival, criada em um mundo isolado e sem referências sociais, ela cria seu mundo particular de amigos imaginários que a protegem das obrigações da vida adulta (ninguém gosta né miguxos?), e quando chega a hora dela enfrentar a realidade, sua inocência e falta de skills sociais (olá vida) a comprometem bastante. Apesar do tom de fábula e a referência ao conto do cavaleiro do Rei Arthur Percival, é bem difícil não sofrer com a menina e não sentir aquela empatia de que todos somos inexperientes. Não temos amigos imaginários, mas cada um dos animais desenhados no traço delicado de Hiro nos traz o encanto imediato, como uma pessoa que você mal conhece, mas de cara sabe que ser seu amigo ❤️ “.

Rebeca Prado

Rebeca Prado e a capa do livro O Gol de Budi

O que lançou: O Gol de Budi

Sua HQ favorita de 2017: Nimona, de Noelle Stevenson

Detalhe de página de Nimona

“A HQ que eu mais gostei de ler esse ano foi Nimona, da Noelle Stevenson! Fazia muito tempo que eu não me divertia tanto lendo um quadrinho. A história é sobre uma mocinha sensacional que decide acompanhar a rotina de um vilão cheio de escrúpulos. A narrativa é leve, despretensiosa e envolvente. O final é delicioso. Os personagens são carismáticos ao extremo e o traço é de uma expressividade sem tamanho. Eu fiquei muito inspirada a produzir e consumir mais quadrinhos depois de ler Nimona e já reli várias vezes de lá pra cá”.

Raquel Segal

Raquel Segal e a capa do seu livro Sempre Faço Tudo Errado Quando Estou Feliz

O que lançou: Sempre faço tudo errado quando estou feliz

Sua HQ favorita de 2017: Eventos Semiapocalípticos: Eduardo e Afonso, de Yoshi Itice
Arte de Eventos Semiapocalípticos
“Com traços delicados e cores impecáveis, ‘Eventos Semiapocalípticos: Eduardo e Afonso’, narra a história de um menino comum que cruza a cidade inteira em busca do maior mago do universo. Mas Eduardo não está sozinho. Junto dele está Afonso, a máquina de secar roupas mais chata, grossa e ingrata que você vai conhecer. Juntos, os dois passam por poucas e boas até o fim do mundo numa busca que parece não ter fim. Escrito por Yoshi Itice, tem diálogos divertidos, personagens cativantes e uma história surpreendentemente comovente. Amei do início ao fim!”

Thaïs Gualberto

Thaïs Gualberto e um detalhe de uma de suas tirinhas

O que lançou: tirinhas semanais no portal de notícias O Beltrano

Sua HQ favorita de 2017: Uzumaki, de Junji Ito

Detalhe da arte de Uzumaki

“Junji Ito é um autor japonês que ganhou projeção mundial com seu gekigá Uzumaki. Depois de vários anos longe das histórias de terror, voltou a esse universo com uma compilação de HQs curtas, chamada ‘Fragmentos do Horror’, lançado esse ano no Brasil pela Darkside, cuja publicação impressa é de encher os olhos. Os quadrinhos abordam temáticas variadas, sempre trazendo situações bizarras e assustadoras, além do traço característico dessas produções, um pouco mais realista que os mangás. São oito histórias que falam sobre bruxas, fantasmas e principalmente relações pessoais, o foco principal no meio de todo o horror, que nos assusta e nos encanta ao mesmo tempo, pela riqueza dos detalhes gráficos das cenas: quanto mais grotescas mais fascinam visualmente”.


Os artigos aqui publicados são de total responsabilidade de suas autoras e editoras.

Laura Athayde

Após terminar a pós graduação em Direito Tributário, em 2014, passou a dedicar-se à ilustração e ao quadrinho. Participou de diversas publicações coletivas, como o livro Desnamorados, Revista Farpa, Revista RISCA!, Antologia MÊS 2015 e Catálogo FIQ 2015. Lançou também HQs solo, algumas das quais podem ser lidas online em issuu.com/lauraathayde. Como se não bastasse fazer quadrinhos, resolveu escrever sobre eles na coluna HQ Arte do MinasNerds.