Guia de brasileiras na ciência #2

O MinasNerds preparou um guia repleto de cientistas brasileiras com trajetórias incríveis para você conhecer, se inspirar e se empoderar cada vez mais. A primeira lista do Guia de Brasileiras na Ciência está disponível aqui no site, vale a pena dar uma olhadinha e conferir o conteúdo que o Minas preparou para você.

Elisa de Maia

Foto: https://goo.gl/jxKP1n

Elisa Esther Habbema de Maia é formada em física pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a segunda mulher a graduar-se no curso no Brasil, em 1942. Na época, a carreira científica era considerada extremamente masculina. A pesquisadora participou ativamente de lutas para vencer o preconceito contra o espaço da mulher no mercado de trabalho e no meio acadêmico.

Em 1949, foi uma das fundadoras do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), no qual foi Chefe da Divisão de Emulsões Nuclerares até 1964. Mudou-se para Brasília em 1965, para trabalhar na Universidade de Brasília (UnB), mas em seguida transferiu-se para a Universidade de São Paulo (USP). Em 1969, a cientista foi afastada dos cargos que ocupava na Universidade de São Paulo, por conta do AI-5 (Ato Institucional número 5, posto em vigor pelo governo ditatorial como forma de repressão).

Em 1975, Elisa de Maia inicia a montagem de um laboratório de emulsões na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) com o auxílio de Ernst Hamburger do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (IFUSP).

Como pesquisadora, suas contribuições no ramo da física foram diversas, tais como física nuclear, biologia e partículas elementares. Elisa de Maia foi a única brasileira selecionada para apresentação em plenário na Conferência Internacional de Átomos para a Paz (Genebra, 1955)

Celina Maria Turchi

Foto: Carlos Siqueira/UFG

Médica especializada em epidemiologia Celina Turchi foi uma das dez maiores vozes da ciência ao redor do mundo em 2016, de acordo com a lista Nature’s 10, da revista científica Nature. Turchi é natural de Goiás e iniciou sua graduação em medicina em 1975 na Universidade Federal de Goiás, a UFG. O interesse por doenças infecciosas e epidemias levou a cientista a cursar mestrado na London School of Hygiene & Tropical Medicine, no Reino Unido, e posteriormente tornou-se doutora em Medicina Preventiva pela Universidade de São Paulo em 1995.

No ano de 2015 a médica foi convidada pelo Ministério da Saúde para investigar o surto de microcefalia que atingia os recém-nascidos de diversas regiões do país. Turchi liderou uma equipe composta por neurologistas, pediatras, biólogos entre outros profissionais para identificar as possíveis causas da epidemia. A ligação entre o Zika Vírus e a microcefalia foi o resultado da pesquisa, que foi publicada em setembro de 2016 na revista científica Lancet Infectious Diseases.  

A pesquisadora lecionou durante anos na Universidade Federal de Goiás. Hoje é professora titular do Instituto de Patologia Tropical e Saúde Pública da mesma Universidade. Atualmente Turchi atua também como pesquisadora na Fundação Osvaldo Cruz em Pernambuco, no Centro de Pesquisa Aggeu Magalhães.

Nadia Ayad

Foto: Arquivo Pessoal

Nadia Ayad é formada em Engenharia de Materiais pelo Instituto Militar de Engenharia (IME). Durante a graduação, passou um ano estudando na Universidade de Manchester na Inglaterra. Além de ter projetos inscritos para PhD em instituições renomadas do exterior como o MIT (Massachusetts Institute of Technology), nos Estados Unidos e a Universidade de Cambridge, na Inglaterra.

Para Ayad a experiência no exterior foi essencial para impulsionar suas pesquisas, em um estágio no Imperial College London, em Londres, a cientista pode ajudar a desenvolver um polímero que pode ser usado para substituir válvulas cardíacas. No ano de 2016, Nadia Ayad foi vencedora do primeiro lugar no desafio mundial da Sandvik. Esta  competição foi promovida pela marca Sandvik para que cientistas de todo mundo possam apresentar produtos sustentáveis utilizados para melhorar a qualidade de vida utilizando grafeno, uma folha plana composta por átomos de carbono compactados. A proposta de Ayade foi usar o material na construção de um filtro para dessalinizar água do mar.

Lygia da Veiga Pereira

Foto: Arquivo Pessoal

Formada em física pela Pontifícia Universidade Católica do rio de Janeiro (PUC-RIO) em 1988, Lygia Pereira se interessou cada vez mais por engenharia genética e pelo funcionamento das estruturas celulares. O que conduziu a cientista ao tema de sua tese de mestrado a produção de uma enzima gerada pelo lisossomo, componente da célula responsável pelo controle do processo digestivo intracelular. Sua dissertação foi realizada no departamento de Biofísica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Em 1994, Pereira tornou-se doutora pela  Mount Sinai School of Medicine, em Nova York. A cientista, realizou pesquisas para a detecção de uma proteína relacionada a Síndrome de Marfan, doença caracterizada pela presença de estruturas corporais muito longas. Como braços, pernas e até órgãos como coração e pulmões .

Além disso, a geneticista carioca teve papel importante nas pesquisas com células tronco embrionárias no Brasil. Hoje, Lygia Pereira é professora na Universidade de São Paulo, onde leciona desde 1997.

Cecília Salgado

Foto: Daniel Silveira

Cecília Salgado é matemática e vencedora do prêmio L’Oreal “Para Mulheres na Ciência” de 2015. A premiação é feita a partir de uma parceria entre a Unesco, a marca  L’Oréal e a Academia Brasileira de Ciências.

Em 2002, a cientista formou-se em matemática e pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). E após finalizar a graduação continuou seu estudo fazendo mestrado em Teoria dos Números pela Associação Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada (IMPA), em 2004. As pesquisas de Salgado não pararam por aí, ela é doutora em matemática pela Universidade de Paris e pós-doutora pela Universidade de Laiden, na Holanda.

Suas pesquisas têm ênfase em Geometria Aritmética e Teoria dos Números. Salgado relaciona esses dois temas com a Teoria da Informação, aplicando-os em códigos corretores de erros. Atualmente é professora na UFRJ.

Maria Irene Baggio

Foto: Jornal do Comércio

Maria Irene Baggio é geneticista, e suas pesquisas tiveram papel importante no desenvolvimento e no melhoramento da cultura de grãos no território nacional. Natural do Rio Grande do Sul, Baggio graduou-se em História Natural pela Universidade federal do estado, a UFRGS no ano de 1963.

A cientista é também doutora pela mesma instituição, o tema de sua tese de doutorado foi resultado de um trabalho que a cientista começou no Departamento de Genética, da UFRGS. La foi responsável pela implantação do Laboratório de Citogenética Vegetal, ramo da ciência que estuda processos de divisão celular em vegetais. No laboratório, Baggio também realizou pesquisas sobre pastagens nativas do território nacional.

A geneticista foi convidada a integrar a equipe da Embrapa-Trigo no ano de 1975, apenas um ano após a criação da instituição. A experiência de Baggio na área de citogenética levou-a à liderança de equipes especializadas em citogenética. A fundação dos Laboratórios de Citogenética, Cultura de Tecidos e Biologia Molecular, na empresa permitiram o início de pesquisas na área de biotecnologia que até hoje são referência no Brasil.

A pesquisadora aposentou-se da Embrapa no ano de 2001, e prosseguiu sua carreira científica como orientadora e professora de Agronomia na Universidade de Passo Fundo, até 2009. Durante este tempo trabalhou com pesquisas em citogenética de culturas como batata, aveia, trigo etc.

Elisa Orth

Foto: Divulgação L’Oreal

Elisa Orth é pesquisadora e professora titular da UFPR (Universidade Federal do Paraná). Graduada em Química pela UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) mesma instituição na qual fez mestrado e doutorado também em química. Orth fez ainda pós-doutorado no assunto pela UFPR.

Assim como Cecília Salgado, Orth também foi vencedora do prêmio Para Mulheres na Ciência em 2015. E no ano de 2016, foi vencedora do prêmio Internacional Rising Talents, também oferecido pela L’oreal Foundation. O prêmio seleciona ao todo 15 jovens pesquisadoras ao redor do mundo para incentivar seu crescimento na área científica.

A pesquisa de Orth dedica-se a desenvolver novas enzimas catalizadoras capazes de acelerar diversos processos químicos. A pesquisa da cientista é desenvolvida pelo Grupo de Catálise e Cinética (GCC) da UFPR.


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