Vamos falar sobre a depressão do Batman

Por Victoria Hope – originalmente publicado aqui

Você achou que 2018 começaria sem meus textões? Errou! 😀 Hoje é dia de falar dele, o morcegão gótico das trevas, Batman! Ao longo dos anos, sempre me deparei com alguns fãs que diziam ‘Batman é um lixo! Ele é fraco! O Superman é muito superior! Ele consegue derrotar a Liga inteira sozinho!’

Essa premissa não está totalmente errada, mas vamos explorar essa relação de forma menos superficial. Se os quadrinhos do Superman são sobre força, os quadrinhos do Batman são sobre FRAQUEZA.

Se tem uma coisa que a história do Bruce Wayne nos ensinou é que a vida vai nos chutar, chutar MUITO mesmo. Muitas vezes o Bruce não queria nem mais viver, ele perdeu muita coisa, muita coisa mesmo, mas em contrapartida, conseguiu dar a volta por cima, um passo de cada vez.

Ele não se deixou ser derrotado pela escuridão ou pela condição mental dele (depressão); Ele simplesmente pegou uma de suas maiores fraquezas, seu maior medo e os transformou em um manto de força. O Batman se moldou partir da escuridão que tirou a vida dos pais dele. Não estou falando que a vingança é algo positivo, mas novamente, estamos falando de um cara que usou seu ‘poder’ , o dinheiro, para realmente tentar fazer a diferença no mundo e criar um mundo melhor. Ou seja, mesmo sofrendo, ele tentou ser alguém melhor.

Outra coisinha: O Bruce é bem humorado SIM e apesar da depressão, ele ocasionalmente faz umas piadas, uns comentários ácidos e isso é importante de ser mostrado, porque pessoas com depressão conseguem ter humor sim, nem tudo é uma ‘tristeza sem fim’ pra pessoas que sofrem disso e mostrar esse lado nas HQs é interessante porque apenas deixam o personagem ainda mais palpável.

Sendo milionário, ele poderia ter ficado na dele, com cocktails, festas caríssimas, depressão e sem perspectiva de mudar, mas ele simplesmente se recusou a aceitar essa condição. O primeiro passo foi querer se tornar alguém melhor e logo, o que começou como uma vingança pessoal para ele, acabou se tornando um ”’emprego” nada convencional de ‘vigilante’. Lembrando que vigilantes não são heróis e isso o ato de ser vigilante não é algo positivo, mas no contexto das HQS (estamos falando de fantasia), Bruce era exatamente o ‘herói’ que Gotham precisava.

A partir do momento em que ele esqueceu a vingança (momentaneamente) e começou a salvar as pessoas de Gotham de bom grado, ele descobriu que seu propósito era muito maior e mais nobre; Salvar pessoas e tornar a cidade dele um lugar mais seguro, para que ninguém mais passasse pelo que ele passou na infância. Mas não se enganem, Bruce Wayne é extremamente falho, ele nunca superou o que aconteceu e é isso que faz dele um personagem tão humano, complexo e tridimensional.

Uma das ressalvas é que ele deveria buscar por AJUDA PROFISSIONAL desde o começo, coisa que ele não fez, mas que seria crucial. É muito fácil admirar um herói poderoso, overpower, com força sobre-humana que tem sua moral quase intacta (tipo o Clark, se pensarmos apenas na persona ‘Superman’ dele e ignorarmos Clark Kent, o humano), mas é possível admirar um Superman e também admirar uma pessoa ‘comum’ assim como o Bruce, que tenta ganhar suas batalhas (físicas e mentais) todo o dia.

A lição do Batman que vai ficar pra sempre é a de que da tragédia, algo positivo pode acontecer e mesmo que seja difícil, não devemos nunca deixar de lutar pra nos tornarmos versões melhores de nós mesmos todos os dias.


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