“The Red Strings Club”: game indie questiona emoções e sentimentos em aventura cyberpunk

Um barman, um hacker e uma ciborgue estão em um bar – não é brincadeira, esta é a premissa do game indie “The Red Strings Club”, desenvolvido pelo estúdio Deconstructeam e distribuído pela Devolver Digital. Ambientado em uma sociedade futurista e com um cenário de encher os olhos dos fãs de pixel art, o jogo vai te colocar para resolver quebra-cabeças e derrubar uma grande corporação do mal.

Com uma mecânica point & click fácil de aprender e se habituar, o game é rápido ao oferecer uma boa imersão e levar o usuário direto ao que interessa: avançar pelos puzzles e, principalmente, tomar decisões que questionam, inclusive, quais são os seus conceitos do que é certo e errado.

“Red Strings” contrasta a lógica cibernética e inteligência artificial à moral humana. A trama começa com a entrada de Akara 184 no bar que dá título à história. A ciborgue está com seu sistema eletrônico debilitado e receberá a intervenção do hacker Brandeis para acessar os arquivos do robô e entender o que aconteceu. Descobrimos então que Akara foi construída pela Supercontinent para colocar implantes bem suspeitos em seres humanos, até que um grupo de revolucionários se infiltrou no lugar. Assim, Brandeis, junto com a Akara e com o barman do “Red Strings Club”, começa a traçar um plano para derrubar a corporação e impedir dominação da sociedade.

No game, o usuário controlará os personagens ao longo da história, realizando com eles diferentes tipos de atividade – com um destaque para a função criativa do barman: dotado de habilidade paranormais, ele sente a “aura” dos clientes antes de preparar drinks certeiros (quem nunca, né?).

Questionamentos morais

O grande ponto da jornada do jogo é reunir informações sobre a Supercontinent com outros personagens. A princípio, sabemos que a corporação fabrica implantes capazes de exterminar transtornos como depressão e ansiedade e até mesmo surpimir emoções, como medo e tristeza. Tudo isso pode até parecer uma ótima ideia no início, mas à medida em que a história avança ficam mais evidentes os questionamentos sobre a função dos sentimentos negativos na evolução da humanidade. Eles são mesmo necessários?

Raiva, ansiedade, infelicidade são sentimentos fundamentais para despertar movimentos que, no fim das contas, são positivos e movimentam a vida. Ou não? A inexistência de ódio e intolerância garantiria um mundo pacífico? A felicidade é uma construção artificial e alienadora? No caminho para resolver essa história, certamente nos sentimos questionados muitas e muitas vezes – e é justamente aí que reside o grande valor do jogo.

Com poucas horas de duração – é possível terminar a jornada sem pressa em mais ou menos oito horas -, “The Red Strings Club” deixa o desafio propriamente dito de lado, para propor aquele clima meio “Black Mirror” que a gente já conhece bem.

Nossa dica: siga seu coração na primeira vez em que avançar pelo jogo. Quando terminar, volte, faça escolhas diferentes e conheça novos resultados.

“The Red Strings Club” já está disponível na Steam.


Os artigos aqui publicados são de total responsabilidade de suas autoras e editoras.

Aline Pereira

Jornalista, mestre Pokémon e neutral good. http://twitter.com/alineperr