Conheça mais sobre a história da dança com as Princesas Disney dançarinas

Quem acompanha as redes sociais certamente já se deparou com as belíssimas ilustrações da artista Sara Manca – ou Blatterbury  -, que retratam as princesas da Disney como dançarinas de dança do ventre. As ilustrações fizeram o maior sucesso e foram compartilhadas milhares de vezes!

Mas vocês sabiam que a artista, que também é dançarina, se baseou em vertentes reais da dança do ventre para representar cada princesa?

O Minas Nerds convidou a dançarina e professora de dança Irene Patelli para comentar um pouco sobre as referências presentes na série.

 

Ariel – dança do ventre com véu duplo

Na dança do ventre, a bailarina pode dançar com vários véus. O mais comum é ver um, dois ou sete véus (estes últimos são utilizado de forma diferente das outras danças com véus).

Segundo estudos, as russas foram as primeiras vistas utilizando o acessório (seguidas pelas americanas), embora o véu seja muito importante nas culturas árabe e egípcia. É uma dança que evoca um grande mistério quando a música é lenta, mas também pode acompanhar músicas rápidas.

A bailarina pode usar o véu durante toda a música ou durante uma parte dela.

No caso do véu duplo, a bailarina precisa de uma habilidade extra para segurar e dançar com os dois véus, principalmente se a música for rápida.

Neste vídeo, vemos a bailarina Shirley Salihah dançando com o véu.

 

Elsa – véu wing

Muito vista em festas de casamento árabes, a dança com o véu wing (ou Isis Wings, em inglês) não é egípcia, como muitos pensam. Esse acessório de origem americana possivelmente foi criado inspirado nas asas de Ísis, a deusa egípcia do amor e da magia.

É uma dança ágil,na qual os movimentos lembram um pássaro ou uma borboleta, com braços bem alongados e muitos giros. É um acessório que se aprende na dança do ventre, assim como outros que veremos a seguir. Pode ser usado em parte da música ou na música toda. Hoje em dia existem muitos tipos de véu wing, de vários materiais e cores, inclusive com leds.

A bailarina e professora Fadwa Sayide demonstra a utilização do véu wing aqui.

 

Aurora – véu fan

O véu fan, como diz o nome, é um leque recoberto com um véu bem comprido. Na dança do ventre, normalmente dá-se a preferência a véus de seda, pela leveza do tecido, mas outros materiais podem ser utilizados, desde que sejam bem leves.

Esse tipo de véu não tem uma origem conhecida, mas dizem ser oriental (japonês ou coreano).

Pode-se dançar com o véu aberto ou fechado, com o par ou apenas um. Esse véu dá um efeito de surpresa se a bailarina começa a dança com as mãos livres e o acessório escondido no figurino.

 

Jasmine – baladi

Essa dança nem sempre é considerada folclórica, pois na verdade a palavra “baladi” significa “minha terra”, “meu país” e abrange muitas coisas além da dança: pode ser música, pode ser um estilo mais tradicional. Diz-se ser a forma mais “pura” e simples da representação de uma mulher egípcia.

A dança comumente chamada de baladi é realizada com um vestido longo, um lenço no quadril e uma echarpe nos cabelos. Usa-se menos os braços, sendo o foco na pelve, como vemos no vídeo da bailarina Sheeren.

 

Rapunzel – khalije

Mais um folclore, mas desta vez do Golfo Pérsico, o khalije é dançado com uma “túnica” bem larga e comprida, muitas vezes um pouco transparente, por cima do figurino de dança do ventre. Essa dança tem muitos movimentos de cabeça, jogando os cabelos como numa brincadeira, como demonstra a bailarina Kadia. É uma dança muito comum ao fim de comemorações árabe

Uma curiosidade: o khalije costuma ser dançado somente por mulheres, mas existe uma versão masculina, que é completamente diferente. Essa versão somente para homens não existe no Brasil. Na dança masculina, é utilizada uma bengala bem fina e um outro acessório bem curioso

 

Merida – dança com espadas

Existem várias teorias sobre a origem desse acessório, algumas envolvem libertação, outras, deusas e abertura de caminhos. A dança com a espada pode ser rápida, lenta, acrobática. Pode também ser combinada com outros acessórios, como véu ou snuj.

É uma dança de força e habilidade na qual a bailarina pode, além de utilizar a espada como uma extensão do corpo, apoiá-la em várias partes do corpo, mostrando um jogo de equilíbrio.

Normalmente dança-se com uma ou duas espadas.

A brasileira Fairuza, bailarina e professora de dança, fez uma apresentação com a espada num encontro trekker!

 

Bela – dança com o candelabro

Também conhecida como Raks El Shamadan, é um estilo de dança do ventre no qual a bailarina dança o tempo todo ou uma parte da música com um candelabro sobre a cabeça. Sim, um candelabro que se encaixa na cabeça, com velinhas de verdade ou  “fakes”.

É bastante comum a bailarina entrar na frente dos noivos na festa de casamento, com o significado de iluminar o caminho do casal.

Não tem um figurino específico, mas é recomendado um véu entre o candelabro e os cabelos, para que a cera da vela não caia diretamente no corpo.

Neste vídeo, podemos ver a dança com o candelabro e outras danças folclóricas na apresentação do Grupo 1001 Noites em uma festa de casamento árabe.

 

Mulan – Said ou dança com bastão

É uma dança do folclore egípcio vinda da região de Said. Pode ser dançada com uma bengala, um ou até dois bastões. É uma derivação feminina e delicada da dança Tahtib, que é dançada somente por homens, simulando uma luta. Tem uma música bem alegre e, por ser folclórica, é dançada com o corpo todo coberto com um longo vestido ou túnica, por vezes lenço na cabeça e lenço de moedas na cintura.

A bailarina brinca com o bastão durante a dança e também o utiliza para marcar as batidas da música, como podemos observar na apresentação da bailarina Caroline Labrie.

 

Cinderela – véu poi

Mais um acessório da dança do ventre, o poi é um véu que recobre uma pequena bolinha de peso e se liga a uma linha de nylon pela qual a bailarina o segura, girando-o em sua dança. Segundo pesquisas, o véu poi é de origem maori (Nova Zelândia) e também é usado como hobby, exercício, entre outros. É bastante visto em raves eletrônicas e como arte circense.

O interessante desse véu é que ele dá a impressão de estar seguindo as mãos da bailarina sem ser tocado, já que é puxado pelo fio transparente. Observem que lindo o efeito na apresentação da bailarina Jasirah.

 

Megara – Hagalla

Também chamado de dança da Líbia, é um folclore bem animado, no qual os movimentos também ficam mais focados no quadril, que, em muitos momentos, faz um movimento que lembra uma “máquina de lavar”.

O figurino não deixa quase nada do corpo à mostra (a ilustradora tomou certa liberdade artística na representação da Megara), e a saia é bem volumosa.

As palmas estão muito presentes a todo momento, não só no público como nas bailarinas.

Algumas vezes, nessa dança, há um coro ou semicírculo de homens, e as mulheres ficam no meio, como se estivessem mostrando suas habilidade para depois escolher um deles.

 

Ana – Melea

O melea também é um folclore egípcio, da região do porto do Cairo. É uma dança alegre e muito divertida na qual a bailarina usa um figurino bem diferente, composto de um vestido mais curto (podendo ser preto ou florido), com babados, e um tamanco baixo (que pode ser tirado ou não no início da dança e recolocado depois). Pode-se usar lenço, tiara de flores e ou pompons na cabeça, shadô (véu que recobre o rosto, também pode ser o shadô feito de crochê) e o mais importante, que é o véu. Esse véu normalmente é preto, um pouco maior e mais pesado, com pastilhas redondas e douradas penduradas por toda a volta; é o ponto alto da dança, pois a bailarina trabalha o tempo todo enrolando e desenrolando-o no corpo, como uma brincadeira de mostra e esconde. É uma dança faceira e engraçada, como vemos nesta apresentação.


 

Judy Hopps – Shaabi

Esse é um estilo de dança mais recente, no qual a música é utilizada como diversão ou em tom de protestos sociais e políticos. Seria algo como um funk brasileiro, mas sem palavrões e citações explícitas. São músicas consideradas das classes mais populares e trabalhadoras.

A dança é mais descontraída e acompanhada de figurinos bem mais simples. Nesse estilo, é divertido se basear na letra para fazer alguns movimentos mais teatrais, como vemos na coreografia de Mercedes Nieto e Nymph Oriental Dance Company.

É um estilo ainda muito controverso, que tem gerado polêmicas.

 

Esmeralda – American Tribal Style – ATS

Em sua conta do Deviant Art, a artista escreve que a inspiração para a Esmeralda foi a “Gypsy Belly Dance, que basicamente é uma fusão de danças folclóricas do povo ‘cigano’ da Turquia, dos Bálcãs e do Egito com a dança do ventre que conhecemos”. Entretanto, uma outra interpretação possível dos elementos do figurino seria uma referência ao American Tribal Style – ou ATS, como é comumente chamado. O ATS é uma dança baseada em um sistema de improviso coordenado em grupo no qual uma líder, através de “senhas”, indica qual o próximo passo a ser executado pelas dançarinas. O ATS foi sistematizado pela estadunidense Carolena Nericcio e popularizado por seu grupo Fat Chance Belly Dance.

 

Pocahontas – Tribal fusion

Ao contrário do que o nome pode sugerir, o tribal fusion é um estilo de dança contemporâneo que possui raízes em comum com o ATS, tendo como principais influências a dança do ventre, o flamenco e a dança indiana. Além dessas, o tribal fusion também incorpora elementos do cabaré, do break, do hip hop e das danças contemporânea, cigana e afro, além de artes circenses e yoga. Sendo um estilo bem eclético, cada bailarina pode trazer suas próprias influências e incorporá-las em sua dança. Jamila Salimpour, Masha Archer e Carolena Nericcio foram as grandes responsáveis pelas pesquisas e experimentações que resultaram no tribal como conhecemos hoje. Atualmente, uma das representantes mais conhecidas do estilo é a estadunidense Rachel Brice. Para compor o visual da Pocahontas, a ilustradora mesclou elementos comumente vistos nos figurinos de tribal fusion, como o headpiece, os braceletes, o body chain e o cinto de tiras, com elementos de culturas nativas norte-americanas.

 

 

Irene Patelli é técnica em dança formada pela Etec de Artes/SP, coreógrafa, bailarina/dançarina, performer, professora de gothic bellydance, tribal fusion, dark fusion e ATS. Possui formação em yôga, é pesquisadora de ghawazee e zaar. Membro da organização do Encontro TribalNic Fusion, coordenadora e diretora por seis anos do projeto social Maeve Bellydance. Colunista do blog Aerith Tribal Fusion. Estudou com Mariana Maia (SP), Fairuza (SP), Lady Fred (USA), Saba Khandroma (AR), Ariellah (USA), Alondra Machuca (CHL), Long Naja (AR), entre outras professoras de tribal e dark fusion.


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