Mina nerd lança livro sobre a luta contra uma doença sem cura

Quando nos encontramos diante de problemas que parecem não ter solução, muitas vezes nos é recomendado que escrevamos o que sentimos.

Pois, foi exatamente que Lais fez: ela conta como a participação em eventos geek e a experiência com cosplay, tem conseguido ajudá-la a lidar com uma doença que não tem cura.

Saiba mais sobre sua jornada aqui:

“Este foi projeto trabalhoso e muito difícil de ser concluído. Nele, coloquei não somente meus pensamentos sobre coisas banais e cotidianas, mas meus medos profundos, angustias e desesperos.
Minha realidade convivendo com essa doença (da qual é o assunto principal) não é nada agradável, mas decidi tirar dessa experiência uma chance de me comunicar com o mundo. Quero atingir as pessoas que já foram atingidas por problemas tão ou até mais complicados que o meu.
Também há quebra de tabus, adentrando em assuntos que a sociedade costuma e adora evitar. Não é uma leitura agradável o tempo todo, mas não quero que seja.
Porém, não pude evitar de acrescentar toda a minha história com o mundo nerd, ele me sustentou em momentos que acreditei que nada o faria.”
Gostaria de acrescentar as palavras de Nikelen Witter, após ler o livro:

Não se deixe enganar pelo tom suave e fluido da Laís Faccin. Não creia que sua prosa, meio memória, meio sentimento – quase uma conversa – queira outra coisa que não desestabilizar as suas certezas.

Eu conheci a Laís como Madame Quental. Veja bem, se você sabe algo sobre cosplayers… Não sabe? Eu explico. Cosplayers são pessoas que fazem cosplay, uma abreviação de duas palavras costume (fantasia) + play (brincar). São pessoas que, mais do que vestir uma personagem ficcional por meio de uma elaborada fantasia, também a interpretam. São atores e atrizes? Um pouco. Mas são, principalmente, fãs apaixonados. O fato é que essa atividade, crescendo junto com o chamado movimento nerd na cultura de massa, acabou se tornando uma arte (como o são também as chamadas fanfics e as fanarts, isto é, as coisas que os fãs de livros, filmes, HQs, mangás, animes gekigas e seriados fazem para celebrar seus mundos ficcionais favoritos).

Sabendo disso, você sabe que não conheci a Laís, mas sua encarnação, distante e fria, de Madame de Quental (uma personagem lúgubre, devo dizer). E sim, a autora é uma artista além das palavras. Não chegamos a conversar na ocasião, mas passei a acompanhar sua arte nas redes sociais. Mais tarde fizemos uma transação comercial e, então, um dia, ela se identificou para mim num encontro casual. Eu nunca a reconheceria sem as perucas coloridas, as lentes de contato, os cetins e o olhar estudado de seus personagens.

Também descobri uma outra Laís naquele dia. Uma batalhadora. Uma guerreira como tantas que ela encarna, fazendo delas, igualmente, armas em sua guerra. Não a estou elogiando, acredite. Estou a descrevendo sem emoção, definindo-a, e elaborando as palavras que ela coloca nesse livro. Porque não é uma leitura fácil, ou para mentes que se recusam a pensar. É um livro que desacomoda e quebra as zonas de conforto que tão longa e diligentemente construímos como forma de proteção. Não há proteção possível – ao menos para mim não houve – às palavras da Laís.

O fato é que nunca sabemos como seremos escolhidos para as batalhas. Há quem viva a vida sem lutá-las ou se esquivando delas? Jamais sendo chamada à frente dos bombardeios? Eu imagino que sim. Mas não sou dessas. A Laís também não é. E, se a coragem dela, cala em mim – que infelizmente não fiquei na paz da caserna – tenho certeza que também há de calar em você, sejam quais forem as suas lutas.

 

 

 

Nikelen Witter

Escritora e Historiadora”

Sinopse:

As perspectivas de uma pessoa mudam de acordo com as suas vivências. Os panoramas aqui expostos dialogam despretensiosamente com o leitor, alternando entre assuntos densos e corriqueiros, por vezes subvertidos um no outro. Por que continua me ensinando é um apanhado de reflexões que despertará sua autoconsciência e empatia.

“É importante salientar que não sou terapeuta. Refutar meu conhecimento adquirido pelas experiências seria errado, pois negaria a verdade. Já questionar minhas teorias talvez seja inteligente. Cuidado com este livro.”

Link para compra caso tenham interesse:

https://produto.mercadolivre.com.br/MLB-969421692-livro-por-que-continua-me-ensinando-por-lais-faccin-_JM


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Dani Marino

Dani Marino é pesquisadora de Quadrinhos, integrante do Observatório de Quadrinhos da ECA/USP e da Associação de Pesquisadores em Arte Sequencial - ASPAS. Formada em Letras, com habilitação Português/Inglês, atualmente cursa o Mestrado em Comunicação na Escola de Artes e Comunicação da USP. Também colabora com outros sites de cultura pop e quadrinhos como o Iluminerds, Quadro-a-Quadro, entre outros.