Comics Gate – Leitores de HQ criam campanha contra a diversidade

Rolando desde o ano passado, a hashtag #comicsgate reúne fãs e artistas de quadrinhos que são abertamente contra a representação da diversidade nos títulos de revistas mainstream.

Por isso, no último dia 09 de fevereiro, lançaram uma lista negra das publicações que devem ser boicotadas, no intuito de que as editoras se sintam forçadas a retroceder em suas ações e deixar os quadrinhos “como eram antes”.

De acordo com o site Inverse, as pessoas atacadas são bastante conhencidas no meio, como por exemplo  Larry Hama, Mark Waid, Alex de Campi, Kelly Sue DeConnick, Matt Fraction, Ta-Nehisi Coates, entre outros. Praticamente todas as pessoas apontadas são mulheres, negros ou com inclinações políticas mais à esquerda.

Recentemente, esse grupo formado por alguns nomes da indústria dos quadrinhos e fãs conservadores, ganhou o apoio de nomes como Richard C. Meyer, Ethan Van Sciver e John Malin, sob o argumento de que essas medidas são, acima de tudo, educativas, eles alegam que a representação da diversidade tem resultado na queda de qualidade das histórias em quadrinhos. Meyer, que produz vídeos misóginos, xingando as autoras de quadrinhos de “cadelas”, tem mais de 50.000 assinantes em seu canal.

editoras da Marvel tomando Milk-Shake. Foto despertou a ira de leitores conservadores

Ao que tudo indica, a campanha teve início no ano passado, após um grupo de editoras da Marvel ter postado uma foto nas redes sociais onde tomavam Milk-Shake, mas os ataques às mulheres não chega a ser uma novidade: em 2016 a autora Chelsea Cai teve que encerrar suas contas nas redes sociais depois que a personagem Harpia apareceu em uma edição com uma camiseta que mencionava a palavra “feminista”. Ou seja, não se trata de buscar mais qualidade nos quadrinhos, não é verdade? Isso tudo não passa de um grande retrocesso provocado por pessoas que acreditam que mulheres, negros, integrantes do movimento LGBT não devem participar do mesmo universo que elas.

Ainda que existam evidências que a convivência com a diversidade nos torne mais inteligentes. aparentemente, esses fãs conservadores não entenderam quando Stan Lee explicou que X-Men foi criado justamente para combater a homofobia e o racismo, o que nos leva a acreditar que este grupo seja formado por pessoas que consomem produtos que são incapazes de interpretar.

Para saber mais:

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Os artigos aqui publicados são de total responsabilidade de suas autoras e editoras.

Dani Marino

Dani Marino é pesquisadora de Quadrinhos, integrante do Observatório de Quadrinhos da ECA/USP e da Associação de Pesquisadores em Arte Sequencial - ASPAS. Formada em Letras, com habilitação Português/Inglês, atualmente cursa o Mestrado em Comunicação na Escola de Artes e Comunicação da USP. Também colabora com outros sites de cultura pop e quadrinhos como o Iluminerds, Quadro-a-Quadro, entre outros.