As diferentes formas de Magia de Witch Hat Atelier

Confesso que comecei a ler Witch Hat Atelier pela arte da capa e nada sabia da serie de mangás até ler o primeiro volume, publicado no Brasil pela Panini. Quando acabei de ler percebi o quão rica era esta obra: personagens simples mas cativantes e uma perspectiva diferente sobre magia.

Witch Hat Atelier é uma série de mangá escrita e ilustrada por Kamome Shirahama, que possui um estilo diferente de arte que lembra um pouco os jogos de RPG japoneses do final da década de 90 e começo dos anos 200. É impossível não se apaixonar pelo seu traço logo na primeira página (se você já não se apaixonou pela capa), afinal as ilustrações são de encher os olhos do leitor.

As ilustrações são de encher os olhos

Embora pareça se tratar de mais um shoujo mangá com o tema magical girl, Witch Hat Atelier pertence ao gênero seinen e foi publicado no Japão em 2016 na revista Monthly Morning Two da Kodansha.

Coco é uma garota sonhadora que adora magia e sonha em um dia se tornar uma bruxa, contudo, Coco descobre que a magia já nasce com o bruxo e que apenas que já nasce bruxo pode aprende-la e usá-la. Filha de uma costureira, Coco desiste de seu sonho até que um dia encontra um mago chamado Qifrey e testemunha sua mágica, e tentando imitá-lo (aqui a magia é desenhada em pequenos círculos com runas e tinta mágica), Coco lança um feitiço e transforma sua mãe em pedra.

A protagonista Coco

Coco não sabe que magia usou, e junto com Qifrey e suas aprendizes (Agathe, Richie e Tetia), buscam o contra feitiço para sua mãe, que pode estar relacionado com um grupo de bruxos poderosos chamados de “chapéus com abas”.

Até que nossa protagonista encontre um feitiço capaz de desfazer o anterior, Coco torna-se aluna de Qifrey e passa a descobrir mais sobre o mundo da magia, descortinando este novo mundo ao leitor.

Além de todo um novo mundo com criaturas e regras próprias, o que chama a atenção no roteiro é o jeito que a magia acontece: não há uma regra para todos, cada um cria suas próprias magias baseadas em suas personalidades e existem várias formas de “pensar” a magia, que é desenhada com símbolos e runas por aquele que a executa com tinta mágica e por baixo das vestes, longe dos olhos dos não-bruxos. O leitor que entende de sigilos, runas e simbologias vai se deliciar.

As alunas de Qifrey

Outro ponto interessante são os vilões, os chamados “chapéus de aba”, pois ocultam suas faces, diferentemente dos demais bruxos, que consiste em um grupo de bruxos que se rebelaram contra o Conselho Bruxo e usaram magias proibidas, como modificações corporais. Logo o leitor começa a entender como o Conselho Bruxo limita o uso da magia e como os “chapéus de aba” pregam que a magia não deve ser limitada e o conhecimento não deve ser restrito e pode se encontrar dividido entre estes dois fortes ideais, trocando de lado (e trocando de volta) durante a leitura.

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