Conheça Guin Saga: best-seller incrível escrito por uma mulher

Que tal ler uma série de livros de fantasia medieval? Guin Saga mistura O Senhor dos Anéis e Conan, o Bárbaro em uma obra de mais de 130 volumes.

Escrito pela autora japonesa Kaoru Kurimoto e publicado continuamente desde 1979, a série de livros Guin Saga teria originalmente 100 volumes, porém, atualmente possui 145 volumes, 22 histórias secundárias, um anime de 26 episódios e duas adaptações para mangá.

Kaoru Kurimoto era graduada em literatura desde 1975 e recebeu diversos prêmios em sua carreira. Escreveu mais de 400 livros de variados temas em sua vida. A autora trabalhava no centésimo trigésimo volume da obra em 2009 quando se sentiu muito doente para continuar a escrever. Kaoru morreu de câncer no mesmo ano e sua obra foi continuada por Yu Godai, que em 2013 escreveu o volume 131, e em seguida por Yume Yoshino, que escreveu o volume 132.

Guin Saga é o trabalho com maior número de volumes escrito por apenas uma autora no mundo, suas vendas chegaram a 130 milhões de cópias. Apesar de não ser muito conhecida no ocidente, a obra é famosa no Japão, sendo inclusive fonte de inspiração para, Kentaro Miura, autor de Berserk.

Imagem do anime: Guin e as pérolas gêmeas: Remus e Rinda

A história é centrada em um guerreiro misterioso que sofre de amnésia chamado Guin que possui uma máscara de leopardo magicamente fixada em sua cabeça, mas que apesar de ser uma máscara, lhe proporciona uma boca e olhos iguais a de um leopardo, como se realmente fosse a cabeça de um animal. Sem memórias, o guerreiro de força inumana enfrenta um mundo de perigos, intrigas e magia apenas com seus instintos de luta e a lembrança de uma palavra: “Aurra”. Além da lembrança desta palavra, Guin só carrega consigo a certeza de seu nome.  Frequentemente vemos o guerreiro fazer uso de conhecimentos sobre batalhas e habilidades que ele não se recordava possuir.

Além do personagem principal que leva o nome da série, outros personagens se juntam a Guin, como as “pedras gêmeas”, os gêmeos Rinda (ou Linda), e Remus, herdeiros do trono de Parros, um reino fictício, que é invadido pelo reino de Mongauli.

Linda e Remus tem seus pais assassinados durante a invasão, mas conseguem fugir com ajuda de magia e de um mercenário chamado Istavan. O grupo se junta a Guin e a uma garota do povo bárbaro símio, Suni, e partem em várias aventuras.

Por terem sido criados por uma autora, as personagens femininas são muito bem construídas. Rinda é uma garota forte e determinada, disposta a proteger seu irmão Remus (que é bastante irritante e mimado) a todo custo, possui habilidades místicas que vão sendo descobertas durante as aventuras e apesar da pouca idade, é muito inteligente.

Lady Amnelis no mangá

A vilã, Lady Amnelis, uma das mais belas mulheres do reino, que usa um chicote para amedrontar seus subordinados e é obcecada com a ideia de capturar Guin, é uma ótima estrategista. Aqui, as mulheres contribuem para a riqueza da narrativa ao invés de serem apenas personagens secundárias sem muito a acrescentar, servindo apenas para o deleite masculino ao usarem roupas minúsculas em corpos exageradamente avantajados. Guin Saga é uma série onde mulheres usam armaduras sem seios e isso em nada compromete sua beleza, então esqueça a famosa armadura biquíni, aqui as armaduras femininas são iguais às masculinas.

E esqueça também aquela visão clichê dos inimigos usando roupas de cor escura e tendo uma aparência tirânica, Lady Amnelis possui uma aparência angelical que pode confundir o leitor (ou espectador, pois a série possui um anime) com seus longos cabelos loiros e olhos verdes. Da mesma forma, o vilão Astrias parece um herói medieval de aparência bela e inocente, enquanto Guin, um homem de força inumana que veste uma roupa muito similar a de um bárbaro e possui uma cabeça de leopardo é na verdade o herói.

Apesar da adaptação para mangá, as capas dos volumes nem sempre possuem ilustrações em estilo mangá, como as dos volumes 1-19 (1979-1984) feitas por Naoyuki Kato. Em seguida, as capas foram feitas por Yoshitaka Amano até o volume 57 (1997), e então por Jun Suemi. Tanno, cujo estilo se parece muito com o de Suemi, foi o ilustrador da série desde o vol. 88 (2003) até o 130º livro em 2009.

No Brasil, os livros não foram publicados, mas o mangá, que possui seis volumes, foi publicado pela Panini em 2010. Com sorte, você consegue achar em algum sebo, já que infelizmente a série não está mais disponível para compra no site.

Existem duas versões dos mangás com enredos diferentes sobre Guin Saga: “Guin Saga – The Seven Magi” com arte de Yanagisawa Kazuaki, que conta uma versão paralela ao original e possui 3 volumes, e a versão publicada no Brasil em 2010 com o título e arte original de Hajime Sawada, totalizando seis volumes.

Se você se interessou pela série de livros, cinco volumes da série foram publicados nos Estados Unidos pela editora Vertical. Também é possível encontrar os volumes em outros idiomas como alemão, francês, russo, italiano, coreano e chinês.

E caso você não queira ler os volumes em inglês (e procurar pela tradução amadora dos outros 140 volumes), é possível ler o mangá através de sites de mangás online, ou assistir a animação de 2009 em aplicativos ou sites de streaming de animes.

Mas infelizmente o anime deixa a desejar. Não somente os personagens ficaram rasos e irritantes como o design de personagens não ficou tão bom quanto o original. Por exemplo, Lady Amnelis ficou com uma aparência mais velha e Guin ficou um tanto “fofo’ para um guerreiro. Aparentemente, a animação também não caiu nos gostos do público, já que não houve uma continuação da mesma desde sua estréia em 2009. O anime resume muito pouco da série, mas pode servir como porta de entrada para a leitura dos livros.

Apesar das falhas do anime, a abertura e o encerramento são muito bem feitos. A música da abertura particularmente não me agrada por ser apenas instrumental, quando normalmente os animes possuem temas musicais incríveis como abertura, mas o encerramento é surpreendentemente bom. Enquanto os animes optam por uma canção de encerramento menos impactante do que a abertura, com imagens estáticas ou de pouco movimento, Guin Saga nos surpreende com um encerramento que poderia ter sido a abertura, pois a animação é contínua e bastante inspirada nas obras de Gustav Klimt (assim como Elfen Lied, e me pergunto por quê essa fixação japonesa nas obras do Klimt), a música performada pela banda Saga~ é linda e a melodia é tocante.

Apesar de eu gostar muito do encerramento, conforme mencionado anteriormente, parece que o estúdio Satelight que produziu o anime se inspirou demais na abertura de Elfen Lied (2004), seja nas montagens dos personagens nas obras de Klimt, mas também, assim como a música “Lilium” de Elfen Lied, “This is my Road” de Guin Saga, embora não totalmente, trás trechos em latim de cunho religioso.

Abertura:

Encerramento:

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