Conheça o mangá de “A Guerra não tem Rosto de Mulher”

Conheça o mangá de “A Guerra não tem Rosto de Mulher”

Quando imaginamos mulheres na guerra, automaticamente imaginamos “papéis secundários” para as mesmas. Mesmo que você entenda bastante de história e saiba do papel fundamental que as mulheres tiveram como enfermeiras, datilografando cartas para as famílias e muitas vezes avisando sobre a morte de um ente querido na guerra, ou mesmo as donas de casa que assumiram o papel de chefe de família e ficaram responsáveis por sua família e seu matrimônio, é inevitável pensar na mulher como tendo uma função menos visível na guerra do que estando no fronte de batalha. Não é de se espantar, afinal existem centenas de filmes e publicações sobre a guerra, e nenhuma delas é protagonizada por uma mulher.

Capa do primeiro volume em japonês

Porém, Svetlana Aleksiévitch, autora bielorrussa do livro “A Guerra não tem Rosto de Mulher” e ganhadora no Prêmio Nobel de Literatura em 2015,  já começa seu livro falando sobre diversos momentos da humanidade em que mulheres não apenas lutaram em guerras, mas que eram também responsáveis por treinarem os jovens para a guerra.

Sveltana, que se tornou mais popular após seu livro “Vozes de Tchernóbil” tornar-se a série “Chernobyl” da HBO, nos conta, em seu livro sobre como mulheres soviéticas lutaram contra a invasão alemã na União Soviética. Narrado em primeira pessoa, o livro é baseado em muitos depoimentos recolhidos pela autora durante sua pesquisa e dá protagonismo a mulheres que foram pilotos de avião, motoristas de tanques, franco atiradoras e que relatam, por vezes bastante sucinta, suas experiências e lembranças da guerra.

Estas mulheres, diferentemente dos homens, não eram obrigadas a irem para a guerra, iam voluntariamente por um senso de dever e um patriotismo exemplar. Muitas fugiram de casa para servir ao exército, um exército que as diminuía e não dava a elas nenhuma condecoração por seus atos, e por vezes as tratavam como prostitutas. Além de sofrerem preconceito por se vestirem como homens (não existia uniforme para mulheres e elas eram obrigadas a usar uniformes masculinos muitas vezes vários tamanhos maiores, e inclusive as roupas de baixo masculinas também) ainda sofriam preconceitos por parte dos homens que não queriam se casar com uma mulher que se vestia como homem na guerra, não se depilava ou se maquiava, e pelas mulheres, que muitas vezes acreditavam que estas mulheres soldados mantinham casos amorosos com seus maridos na guerra.

Capa do primeiro volume em japonês

Mas falar sobre este assunto e apenas imaginar o que essas mulheres passaram as vezes não é suficiente, e como não acho que a história destas mulheres vire uma série ou filme tão cedo (embora existam documentários sobre o assunto), venho aqui recomendar o mangá Sensou wa Onna no Kao o Shite Ina, ou ainda sob o título em inglês, War’s Unwomanly Face.

O autor é Koume Keito, que estudou na Universidade de Kyoto e desenha profissionalmente desde o ano 2000. Seus trabalhos são majoritariamente mangás eróticos (hentai, ecchi, yuri) em sua maioria one-shots, e alguns títulos seinen.

Cap.2: Sobre a Mulher dos Demônios e as Rosas de Maio

Sensou wa Onna no Kao o Shite Ina mangá está sendo publicado online na Comic Walker sob o gênero seinen.
Como não foi publicado aqui no Brasil e nem licenciado para os EUA até o momento, já que ainda é relativamente recente (foi publicado em 27 de Abril de 2019), encontrei apenas dois capítulos em inglês (e nem consta qual o grupo de scanlation está publicando).

Cap.1:Sobre o Sabão Especial K e Uma Cela de Prisão

Me surpreendeu a fidelidade aos capítulos do livro de Svetlana. O primeiro capítulo é baseado na história “Sobre o Sabão Especial K e Uma Cela de Prisão” do livro, e o segundo é baseado em “Sobre a Mulher dos Demônios e as Rosas de Maio”.Você encontra os dois primeiros capítulos em inglês pelo grupo de scanlations Pankiryan aqui.

Caso queira saber quais outros livros foram adaptados para mangás, confira esta matéria aqui.

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