Diversidade e representatividade na incrível animação “O Príncipe Dragão”

A série, que tem uma review aqui, (muito boa, aliás. Recomendo que a leiam) veio para quebrar aquele preconceito de que o politicamente correto é chato e que trazer a tona assuntos como diversidade racial e sexual na trama a torna “forçada” ou infantil.

Da mesma forma que She-Ra aborda mulheres fortes e não sexualizadas, diferentes etnias e sexualidades, O Príncipe Dragão (The Dragon Prince, no original) consegue conciliar estas características todas em uma ótima trama para todas as idades

A série foi criada para a Netflix por Aaron Ehasz e Justin Richmond e foi produzida pela Wonderstorm, estreou no canal de streaming em 14 de setembro de 2018 e teve sua segunda temporada disponibilizada em 15 de fevereiro de 2019 e a terceira em 22 de novembro de 2019. Segundo os criadores, a série terá um total de sete temporadas.

Enredo:

Ambientada em um mundo fantástico repleto de magia no continente de Xadia, este mundo possui elementos primordiais: o Sol, a Lua, as Estrelas, a Terra, o Céu e o Oceano. Apesar destes elementos irradiarem magia, os humanos não conseguem usar esta magia primordial, sendo assim, fazem uso de magia sombria, cuja energia deriva da essência vital, ou seja, é necessário que se extraia magia de seres vivos, mágicos ou não. Em conseqüência disso, os humanos foram expulsos pelos dragões e pelos elfos de Xadia, e formaram cinco reinos humanos do outro lado do continente.

Após 1200 anos, os humanos mataram o rei dragão e supostamente destruíram seu ovo, contendo seu herdeiro. Uma guerra então começa. Elfos (que lembram muito os night elves de Warcraft) são enviados para assassinar o rei humano Harrow e seu herdeiro, o pequeno Ezran por ter destruído o ovo.

Dentre os elfos está Rayla, uma jovem assassina, e juntamente com Ezran e seu meio-irmão mais velho Callum descobre que o ovo nunca fora destruído, mas sim roubado pelo mago Viren, conselheiro do rei. Começa então uma jornada para retornar o ovo ao reino dos dragões e impedir a guerra. No entanto, Viren tem outros planos: perpetuar a guerra para tomar o lugar do rei após seu assassinato. Viren envia seus filhos Claudia (uma maga sombria) e Soren (um guerreiro) para assassinar os filhos do rei pois deseja se tornar rei a todo custo.

Personagens:

(Contém Spoilers)

Conforme mencionado anteriormente, a diversidade se faz presente nesta animação. Primeiramente, o rei Harrow e seu filho Ezran são negros, sendo Ezran um dos personagens principais. Outros personagens de destaque na série também são negros ou homoafetivos, ou ambos, como as mães da jovem rainha Aanya, Annika e Neha.

Rainhas Annika e Neha

A general Amaya, tia de Ezram, é surda e se comunica através de sinais (embora consiga ler lábios). Amaya é mais corajosa e valente dos soldados reais, e que acaba tendo uma relacionamento com uma elfa do Sol conforme a guerra avança na narrativa.

Também descobrimos que Runaan, um dos assassinos elfo, é casado com outro elfo, o qual deu o pingente que Runnan leva sempre consigo. Em Xadia não parece haver a respeito da homossexualidade e amor é amor, não importa como ele seja.

Além de trazer a inclusão de maneira natural através de personagens muito bem desenvolvidos e em destaque (ao invés de colocar personagens inclusivos com pouco ou nenhum destaque “apenas para constar”), a série também trás personagens muito complexos e bem trabalhados, como Callum, o único humano a conseguir usar magia primordial, Rayla, uma elfa assassina ainda muito jovem mas bastante habilidosa e madura, que estava inclusive disposta a perder o braço para não assassinar seus amigos, e Claudia, uma das personagens mais bem construídas, que hora se comporta como aliada, hora como antagonista.

Amaya: a mais destemida general

Claudia é uma poderosa feiticeira filha de Vixen. Conforme os episódios vão se desenrolando, vemos uma garota divertida, desastrada, extremamente carismática e inteligente perder aos poucos sua humanidade para apoiar seu pai e irmão com o uso da magia sombria.

Embora os antagonistas sejam pessoas que fomentam a guerra e matem criaturas para usufruto da magia é difícil torcer contra eles pois são personagens extremamente carismáticos: Claudia quer defender sua família e estar sempre junto deles pois teve uma infância solitária por conta de um divórcio e Vixen, dublado na versão brasileira pelo maravilhoso Guilherme Briggs, é tão carismático e devotado a seu objetivo que embora saibamos que ele seja “uma pessoa má”, é difícil não se deixar afetar por seu carisma.

Rayla, a elfa assassina

Há também o misterioso Aaravos, que preso a um espelho, manipula Vixen para conseguir seus objetivos. Apesar de ter sido aprisionado em algum lugar desconhecido, Aaravos é um “vilão” cruel e manipulador que aos poucos está tomando a mente de Vixen para que este cumpra seus objetivos até então desconhecidos.

Enfim, a série conseguiu dar destaque a personagens femininas muito fortes como Claudia e Rayla sem as sexualizar, também trouxe o amor homoafetivo através de Runaan, Amaya e Annika e Neha de maneira natural, e representatividade negra através de personagens que recebem bastante destaque na trama ou que foram importante para o desenvolvimento da história.

A feiticeira Claudia, uma das personagens mais bem desenvolvidas

A série consegue transmitir a seu público que uma mulher pode ser uma grande general e que sua deficiência em nada atrapalha seu desempenho e que este fato não é visto como um problema por seus subordinados ou qualquer outro personagem da série.

Romances entre raças diferentes também são comuns e não são tratados como tabus, mesmo entre elfos e humanos, pelo contrário, todos parecem sentir que este amor pode unir as duas raças novamente,

O Príncipe Dragão possui atualmente três temporadas e está disponível na Netflix.

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