Resenha: O Mundo Sombrio (ou Desastroso) de Sabrina

A terceira temporada de O Mundo Sombrio de Sabrina da Netflix, parece trabalho em grupo, em que cada um faz uma parte e juntam tudo no final. É um Frankenstein bruxesco. Infelizmente, o que nós temíamos aconteceu: a série desandou. Mas eu estou aqui pra falar de bruxaria: das semelhanças entre a série e a bruxaria real, não sobrou muito para falar.

Não rolou bem

Esta temporada está fantasiosa demais e creio que agora tenha ficado claro que, apesar de alguns momentos e excelentes referências, trata-se de uma FICÇÃO. Bruxas não fazem pacto com o diabo ou assinam qualquer livro. Pelo menos essa bruxa aqui NUNCA fez ou soube de pactos e livros com a tal figura.

Começamos a série com a descida ao inferno, e referências ao inferno de Dante e ao Mágico de Oz. Podemos comparar (de leve) ao processo iniciático da bruxa, que vai ao inferno, não de forma literal, para depois retornar para si mesma e renascer como bruxa.

Mas acertaram em algumas coisas

Há uma aparição bem interessante de uma Mambo (sacerdotisa vodu) de New Orleans. O vodu é uma religião/tradição real que têm inúmeros adeptos, mas sinceramente não sei dizer se as referências estão corretas ou não. Teria que encontrar uma Mambo ou um Houngan e perguntar.

Outra boa referência é o rito do coelho lunar e/ou Ostara (equinócio da Primavera). Bruxas cantando na floresta, com comida e bebida, e depois se banhando na Lua é algo que as bruxas adoram. E só não fazem mais porque é difícil encontrar florestas e locais com muito verde nas áreas urbanas. Mas bruxas que vivem perto de florestas fazem isso, sim.

União e livros: gostamos

Em todos os episódios podemos ver a presença de muitos livros e pesquisas, enquanto o coven conversa e tenta solucionar problemas em conjunto _ o que é (ou deveria ser) a premissa de todo coven. O estudo é muito importante na vida de uma bruxa, visto que às vezes a nossa magia, ou o que estamos acostumadas a fazer, pode não funcionar. Por isso achei louvável que Sabrina, ao ver que o que sabia não resolveria a situação, tenha ido em busca de outras magias e da ajuda de outras bruxas. Afinal como dizem, as bruxas devem se unir contra o inimigo em comum.

A viagem de Zelda pelo reino oculto foi interessante. A conversa com seu guia, indo fundo nas lembranças, em busca de soluções para o agora, é uma viagem que toda bruxa fez ou fará durante sua jornada.

A Deusa Tríplice

Uma cena que gerou muitos comentários foi a invocação da Deusa Tríplice – Hékate. Círculo formado, invocações e finalmente as bruxas entendendo que o poder vem delas mesmas. O poder é da bruxa. Não é do senhor das trevas. Não é de qualquer deus, mas dela. A deusa apenas nos guia e nos faz enxergar quem verdadeiramente somos. Por isso dizemos que a bruxaria é uma vertente espiritual verdadeiramente feminista. Empoderamento que chama. O poder não vem de lugar algum, mas de dentro de você.

Há a aparição de deuses antigos, mas, com exceção da excelente caracterização dos personagens, não há muito o que comentar. Tem as comidinhas encantadas da Hilda, a clarividência da Roz e a arrogância da Zelda. Tem os toques MUSICAIS que fazem revirar os olhos. Mas referências a alguma coisa que faça parte da bruxaria nossa de cada dia param por aqui.

Como eu disse desde o início, trata-se de uma obra de FICÇÃO. Não me venham com perguntas do tipo “ah, mas é isso que é ser uma bruxa?”  (Não, não é.) Existem elementos que fazem referência à bruxaria, mas é só isso. A prática requer MUITO estudo e dedicação. O processo é lento e o movimento nada sexy… exige bastante sacrifício.

Saudades, primeira temporada.

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